A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
33 pág.
Psicologia- Emoções

Pré-visualização | Página 5 de 9

originais. Primeiro, reforçou o uso do termo “límbico” para se referir a estruturas do circuito de Papez. Segundo, ele incluiu a amígdala na discussão das emoções e deu ao hipocampo um papel mais central. Ele presumiu que o hipotálamo suportava a formação de associações entre diferentes preceitos ou eventos. Por fim, ele ligou os processos límbicos propostos com a teoria psicanalítica formulada por Freud.
Freud tinha postulado que o desenvolvimento psicossexual de um indivíduo passa por uma série de fases em que se pode dividir a mente: o id, o ego e o superego. MacLean viu estas ideias refletidas na organização e funcionamento do cérebro humano. Por exemplo, ele identificou o id freudiano, uma drive animalesca para a satisfação das necessidades básicas, com estruturas límbicas, particularmente com o hipocampo. Para além disso, ele pensou que as experiências na infância moldavam o funcionamento destas estruturas e podiam ser responsáveis para a fixação de um determinado estágio psicossexual e o desenvolvimento de problemas psicológicos em adulto.
Este novo sistema compreende, agora, o Neocórtex, e MacLean afirma eu apenas existe em mamíferos superiores, sendo suportado por processos cognitivos como a linguagem, a resolução de problemas e a tomada de decisões. O Neocórtex é visto como sendo um grande coração computacional.
Aplicação da teoria:
A teoria do sistema límbico de MacLean recebeu muito apoio. Através da ligação das emoções a um determinado conjunto de estruturas do cérebro, permitiu inferências acerca da localização de disfunções neuronais em pacientes com sintomas emocionais e permitiu apontar para alvos específicos a serem tratados.
Anterior à teoria do sistema límbico, tratamentos para as doenças mentais eram bastante cruéis. Estes tratamentos compreenderam que a destruição do tecido do lobo frontal parecia ser o responsável por estados emocionais negativos.
Agora, ao invés de destruir o tecido do libo frontal, os neurocirurgiões selecionam, cuidadosamente, outras estruturas límbicas, como o cingulado anterior, as conexões entre o lobo frontal e as estruturas subcorticais, ou o tecido que envolve a amígdala.
Problemas neuroanatómicos:
Ao contrário do defendido por MacLean, os conhecimentos neuroanatómicos vieram refutar que a evolução do cérebro ao longo do tempo e das espécies não se tratava apenas da adição de camadas do cérebro. Ao invés disso, parece terem sido desenvolvidas especificações do tecido que levam tanto à diminuição de umas áreas face a outras e que isto resultou em cérebros com várias secções, umas mais antigas evolutivamente e outras mais recentes.
Problemas neurofuncionais:
Com os estudos mais atuais sobre as funções do cérebro, mais refutações foram feitas a esta teoria de MacLean. Estas pesquisas indicam que algumas das estruturas que MacLean associou com emoções servem funções tipicamente associadas com a cognição. Por exemplo, o hipocampo, que era representado por MacLean como sendo a “besta” no homem e que suportava exclusivamente associações emocionais de natureza pré-verbal, mostrou-se ser a estrutura chave para a memória declarativa.
Outro erro descoberto nesta teoria é de que, certas estruturas excluídas do sistema límbico por serem consideradas irrelevantes para as emoções são, afinal importantes para certos aspetos das experiências emocionais.
Problemas conceptuais:
Os avanços na compreensão das emoções sugerem uma série de problemas conceptuais com a teoria do sistema límbico. Primeiro, esta teoria faz uma divisão clara entre emoções e cognição. As emoções estão estritamente ligadas ao sistema límbico, onde a cognição ou o sistema simbólico estão estritamente associados ao Neocórtex. Estudos recentes sugerem que esta divisão é inapropriada. Apesar de muitos investigadores ainda utilizarem as palavras emoção e cognição para se referirem a sentimentos e a pensamentos de forma separada, já existe um conhecimento universal de que estes conceitos estão intimamente ligados e que é difícil diferenciá-los.
Um segundo problema com esta teoria vem da sua definição de emoções. Hoje em dia, definimos emoções como estados mentais que motivam comportamentos relevantes para a sobrevivência. MacLean ligou uma série de comportamentos de sobrevivência em mamíferos. No entanto, ele ligou estes comportamentos a simples programas não-emocionais em répteis e, assim, falhou em ver a continuidade evolutiva nas funções das emoções. 
Por fim, a realização de que diferentes emoções motivam diferentes comportamentos, levou investigadores a ver a futilidade de tentar explicar todas as experiências emocionais com apenas um sistema cerebral. Para além disso, eles começaram a usar uma abordagem mais diferenciada ao olharem separadamente para as emoções. Esta abordagem veio a revelar que a abordagem de MacLean de que um sistema servia para todas as emoções, estava errado.
Assim, muitos investigadores acabaram por descartar este sistema.
Os pensamentos como base para as emoções:
Enquadramento teórico:
No início do século XX, foram aparecendo novas bordagens teóricas das emoções. O primeiro desenvolvimento emergiu dos insights gerais do funcionamento do cérebro. Baseado nas observações microscópicas de Camillo Golgi e Santiago Ramón e Cajal, tornou-se aparente que as células do sistema nervoso central diferiam em muitos aspetos das outras células do corpo. Para além disso, a comparação de tipos de células e da sua arquitetura de diferentes partes do sistema nervoso central sugeriam a existências de regiões especializadas e comunicação entre regiões. Korbinian Brodmann desenvolveu mapas anatómicos que circulavam áreas de diferentes organizações celulares.
O segundo desenvolvimento crítico para a teoria das emoções está relacionado com a automatização de processos industriais. No início do século XX, este desenvolvimento industrial permitiu com que muitos engenheiros fossem capazes de implementar conceitos como “algoritmo” e “computação” para produzirem “máquinas inteligentes”. Foi a natureza do pensamento inteligente que inspirou este desenvolvimento e cujos resultados inspiraram teorias sobre o pensamento inteligente e os processos mentais em geral. Isto ajudou a ultrapassar os dogmas do behaviorismo e levou a um novo interesse pela mente.
Os pensamentos eliminam a ambiguidade de excitação corporal inespecífica:
Stanley Schachter e Jerome Singer revisitaram a teria de James-Lange e tentaram abordar uma das suas fraquezas. Pesquisa fisiológica negou a ideia de feedback corporal que difere para todas as emoções. Portanto, não era certo como é que este feedback poderia produzir esta série de emoções que temos. Schachter e Singer hipotetizaram que a cognição ou o pensamento poderiam agir como um mediador.
Para além disso, eles especularam que as mudanças corporais engatinhadas por um evento emocional forçam a consciência e levam o indivíduo a questionar-se sobre o que é que causou a mudança. Se o indivíduo consegue atribuir a mudança a um evento emocionalmente significativo, vai sentir uma emoção.
Com os estudos que foram fazendo, foi fundada a teoria da excitação cognitiva. De acordo com esta teoria, são necessárias duas coisas para uma emoção: pensamento e excitação corporal. Para além disto, os indivíduos são propostos a “rotular” a excitação corporal desencadeada por um evento emocional com base na avaliação do evento. Se essa avaliação for positiva, então uma emoção positiva surge, e vice-versa.
No entanto, apesar das tentativas destes investigadores, ainda muitos problemas na teoria de James-Lange permaneceram. Ainda não existia evidência que sugerisse que o feedback corporal era, de facto, necessário para uma emoção. Até ao momento, as pesquisas apenas tinham demonstrado que o feedback corporal poderia influenciar o que as pessoas sentiam. Para além disso, relatos de indivíduos com feedback corporal prejudicado e uma vida emocional supostamente intacta sugeriram a muitos que as emoções podem ocorrer com base apenas em processos mentais.
Segundo, a dependência da emoção nas respostas