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Relatório Final - Iniciação Científica em Imunogenética UFPR

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
NATALIA ANGELICA PETRY
RELATÓRIO FINAL
(08/2019 a 08/2020)
PROGRAMA DE IC: 
( X ) PIBIC
( ) PIBIC Af
( ) PIBIC EM 
( ) PIBITI 
MODALIDADE: 
( X ) CNPq 
( ) UFPR TN 
( ) Fundação Araucária
( ) Voluntária
ANÁLISE DE ASSOCIAÇÃO ENTRE O POLIMORFISMO DOS GENES HLA-B E HLA-C E NEOPLASIAS INTRAEPITELIAIS CERVICAIS
Relatório apresentado à Coordenação de Iniciação Científica e Tecnológica da Universidade Federal do Paraná como requisito parcial da conclusão das atividades de Iniciação Científica ou Iniciação em desenvolvimento tecnológico e Inovação - Edital 2018
Orientadora: Prof.ª Maria da Graça Bicalho
Co-orientadora: Prof.ª Patrícia Savio de Araújo-Souza
Título do Projeto: Imunogenética dos transplantes, da reprodução e de doenças
CURITIBA
2020
ANÁLISE DE ASSOCIAÇÃO ENTRE O POLIMORFISMO DOS GENES HLA-B E HLA-C E NEOPLASIAS INTRAEPITELIAIS CERVICAIS
RESUMO
	A infeção cervical por HPV é o principal fator de risco para a neoplasia intraepitelial cervical e, embora dependa de outros cofatores, pode levar ao desenvolvimento do câncer. A alta incidência de infecção por HPV em indivíduos imunocomprometidos é uma forte evidência da importância de uma resposta imunológica adequada. As moléculas codificadas pelos genes HLA-B e HLA-C são responsáveis por controlar a resposta das células Natural Killers, através da ligação com receptores KIR, e dos Linfócitos T, através do seu papel na ativação dos linfócitos. A função das moléculas HLA na resposta imunológica celular justifica que se investigue o polimorfismo dos genes HLA-B e HLA-C, e sua possível associação com as lesões cervicais. Para tanto, foram utilizadas 312 amostras na análise alélica de HLA-B, 319 na do grupo Bw, 418 na análise alélica HLA-C, 430 na do grupo C1/ C2, e 215 amostras para a análise conjunta dos dois grupos. As amostras, que passaram por um processamento laboratorial prévio por PCR-SSOP, foram reanalisadas computacionalmente pelo software HLA Fusion v. 4.3 fornecido pelo Laboratório de Imunogenética e Histocompatibilidade – UFPR. Para classificar os alelos em Bw4/ Bw6 e C1/ C2, foi necessário determinar, com auxílio do HLA Fusion, os aminoácidos das posições 80-83 e 80, respectivamente. Na análise estátistica, conduzida com auxílio do programa Rstudio v. 1.3, foram encontradas associações positivas entre NIC II/ III com a presença dos alelos HLA-B*07:02 (OR: 2.05, p= 0.04) e HLA-C*03:04 (OR: 2.24, p= 0.01); com o genótipo C1/ C1 (OR: 1.54, p=0.05); e com combinações de do grupo C1 e Bw6 (OR: 2.56, p= 0.0001), sugerindo susceptibilidade, e associações negativas entre NIC II/ III com os alelos HLA-B*35:05 (OR: 0.44, p= 0.02) e HLA-B*14:02 (OR: 0.39, p= 0.04), sugerindo proteção. 
Palavras-chave: imunogenética; HLA-B; HLA-C; KIR; câncer de colo de útero; neoplasia intraepitelial cervical.
INTRODUÇÃO
	A infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) é considerada como um pré-requisito para o desenvolvimento do câncer de colo de útero (CCU). O CCU evolui a partir da neoplasia intraepitelial cervical, e é um dos tipos de câncer mais frequente em mulheres, especialmente as que vivem em regiões menos desenvolvidas do mundo. Estimativas brasileiras para o ano de 2020 sugerem a incidência de 16.590 novos casos no ano, dentre estes, 990 apenas no estado do Paraná (INCA, 2020; PRENDIVILLE e DAVIES, 2004)
	A infecção pelo HPV não apresenta sintomas na maioria das pessoas. Em alguns casos, o HPV pode ficar latente de meses a anos. A prevenção contra o HPV pode ser realizada por meio de vacinação, sendo esta a medida mais eficaz, e também pelo uso de preservativos, mas vale ressaltar que seu uso não impede totalmente a infecção por HPV, pois, frequentemente as lesões estão presentes em áreas não protegidas pela camisinha (vulva, região pubiana, perineal e bolsa escrotal). Exames preventivos regulares para a detecção precoce de lesões precursoras do CCU são altamente recomendados (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2020).
	A alta incidência de infecção por HPV em indivíduos imunocomprometidos é uma forte evidência da importância de uma resposta imunológica adequada para o controle da infecção por HPV. A susceptibilidade genética também teria grande impacto neste tipo de câncer, visto que mulheres com histórico familiar de CCU são mais sujeitas ao desenvolvimento da doença devido a uma menor capacidade em combater a infecção (PRENDIVILLE e DAVIES, 2004; MAGNUSSON e GYLLENSTEN, 2000). 
	Os linfócitos T, células do sistema imunológico adaptativo, possuem receptores TCRαß para reconhecer peptídeos antigênicos apresentados por células apresentadoras de antígenos (Antigen Presenting-cells ou APCs). A capacidade das APCs de apresentarem antígenos depende da presença de moléculas especializadas codificadas por genes presentes no Complexo Principal de Histocompatibilidade, em humanos denominado HLA. O sistema gênico HLA encontra-se no cromossomo 6 em 6p21.3 (ALAM et al., 1996; CHRISTIANSEN et al., 1994).
	Quando receptores celulares de reconhecimento de padrão (PPRs, do inglês Pattern Recognition Receptors) detectam o HPV, isso desencadeia a ativação da resposta imunológica inata, e posteriormente da resposta imunológica adaptativa. As lesões cervicais de baixo grau na maioria dos casos tem resolução espontânea, fato decorrente principalmente da resposta mediada por linfócitos T (SANTOS et al, 2017). 
	As células NK atuam na resposta imunológica inata e diferem funcionalmente das células características da resposta adaptativa por reagirem de maneira rápida, em poucas horas, durante a invasão do organismo por patógenos. Além disso, não necessitam do processo de maturação e seleção realizado no timo para serem ativadas. Pacientes com ausência de células NK, ainda que apresentem a resposta adaptativa funcional, sofrem com infecções virais persistentes. Estas reconhecem células infectadas, transformadas ou transplantadas pela “ausência ou presença” das moléculas HLA em sua superfície, e exercem sua atividade citotóxica. Além disso, as células NK ainda secretam citocinas e quimiocinas, promovendo uma resposta inflamatória, de modo a exercer um controle regulatório na resposta imune adaptativa (MORETTA et al., 2014; PARHAM, 2005).
	Segundo O’Connor, Hart e Gardiman (2006, p.4) as células NK tem muitos receptores para o HLA classe I, tais como KIR e NKG2D, os quais podem enviar tantos sinais positivos, de forma a ativar a atividade citotóxica das células NK, quanto negativos de modo evitar a lise de células saudáveis. Estes sinais dependem da presença dos ligantes HLA de classe I. Em circunstâncias normais, a expressão dos genes HLA mantém a tolerância das células NK, de modo a evitar a morte celular indesejada, porém, em certas situações, como por exemplo, uma infecção viral, a expressão de HLA é alterada, de modo a libertar as células NK dos sinais inibitórios, dando ínicio aos seus efeitos citotóxicos. .. . ,
	Os ligantes para os receptores KIR são as moléculas HLA de classe I, em especial as moléculas HLA-C, as quais se enquadram em dois grupos atípicos referidos como HLA-C1 e HLA-C2, podendo ser assim classificados, respectivamente, pela presença do aminoácido Asparagina ou Lisina na posição 80 (BIASSONI et al., 1994). Nem todas as moléculas HLA-B e HLA-A são ligantes para os receptores KIR, e dentre as moléculas HLA-B apenas as que expressam o epítopo Bw4 possuem afinidade pelo receptor de célula NK (CELLA et al, 1994). 
	As moléculas HLA-B e HLA-C, cujos alelos codificadores são pertencentes aos grupos HLA-C1/C2 e Bw6/ Bw4, possuem afinidade diferencial com os receptores KIR. O grupo codificado por alelos HLA-C1 interage mais fortemente com os receptores KIR2DL2 e KIR2DL3 (ambos inibidores), enquanto C2 possui uma maior interação com os receptores KIR2DL1 (inibidor) e KIR2DS2 (ativador). Moléculas pertencentes ao grupo Bw4 com uma Isoleucina na posição 80, se liga ao KIR3DL1 realizando uma maior inibição na lise mediada pelas células NK do que moléculas Bw4 com uma Isoleucina em 80. (KULKARNI et al, 2008)
	O presente trabalho