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Lugar do crime - teorias

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DIREITO
PENAL
P R O F . T A S S I O D U D A
2020
Direito Penal 
Tema: Lugar do crime 
Prof. Tassio Duda 
 
 
 
 
Fala pessoal, tudo bem? 
No presente resumo, iremos abordar as teorias sobre o lugar do crime. 
 
 
Conforme a doutrina, a aplicação do princípio da territorialidade da lei penal no 
espaço depende da identificação do lugar do crime. Várias teorias pretendem determinar 
o lugar do crime, merecendo destaque três teorias: teoria da atividade ou da ação; teoria 
do resultado ou do evento; e teoria mista ou da ubiquidade. 
De acordo com a teoria da atividade, considera-se praticado o crime no lugar 
conduta (ação ou omissão). 
A teoria do resultado considera praticado o crime no lugar em que se produziu 
ou deveria produzir-se o resultado. Não importa o local da prática da conduta. 
Por sua vez, a teoria mista ou da ubiquidade busca conciliar as duas anteriores. 
O lugar do crime tanto é o da conduta (ação ou omissão) como também aquele em que 
se produziu o deveria produzir-se o resultado. 
Importante destacar que o Código Penal, em seu art. 6º, adotou a teoria 
do resultado, dispondo que “considera-se praticado o crime no lugar em 
que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se 
produziu ou deveria produzir-se o resultado”. 
Essa discussão sobre o local do crime possui relevância apenas em relação aos 
crimes a distância, também conhecidos como crimes de espaço máximo, ou seja, 
aqueles crimes em que a conduta é pratica num país e o resultado vem a ser produzido 
em outro. 
Em outras palavras, a discussão sobre o lugar do crime não diz respeito sobre 
comarcas distintas dentro de um mesmo país, mas sim pluralidade de países. 
Cléber Masson (2019, pg. 204) dá o seguinte exemplo: 
 
 
 
 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
2. TEORIA SOBRE O LUGAR DO CRIME 
(...) imagine que o agente efetue disparos de arma de fogo contra a vítima em solo brasileiro, com a 
intenção de matá-la, mas esta consegue fugir e morre depois de atravessar a fronteira com o Paraguai. 
A adoção da teoria da ubiquidade permite a conclusão de que o lugar do crime tanto pode ser o Brasil 
como o Paraguai. Para a incidência da lei brasileira é suficiente que um único ato executório atinja o 
território nacional, ou então que o resultado ocorra no Brasil. A teoria não se importa, contudo, com 
os atos preparatórios, nem com os atos realizados pelo agente após a consumação. 
Direito Penal 
Tema: Lugar do crime 
Prof. Tassio Duda 
 
 
Nucci (2020, pg. 164), por sua vez, esclarece que: 
 
 
 
 
 
Em relação aos crimes permanente e continuado, a doutrina explica que também 
se aplica a teoria mista. 
Nesse sentido, Nucci (2020, pg. 265) elucida que: 
 
 
 
 
 
 
 
Existem situações em que a teoria mista não será aplicada. A doutrina costuma 
apontar as seguintes hipóteses: 
a) Crimes conexos; 
 
b) Crimes plurilocais; 
 
c) Infrações Penais de menor potencial ofensivo; 
 
d) Crimes falimentares; 
 
e) Atos infracionais. 
Levando-se em consideração que o art. 70 do Código de Processo Penal estabelece que a competência 
será determinada pelo “lugar em que se consumar a infração”, poder-se-ia sustentar a existência de 
uma contradição entre a lei penal (teoria mista) e a lei processual penal (teoria do resultado). Ocorre 
que o art. 6.º do Código Penal destina-se, exclusivamente, ao denominado direito penal internacional, 
ou seja, à aplicação da lei penal no espaço, quando um crime tiver início no Brasil e terminar no exterior 
ou vice-versa (é o denominado “crime à distância”). Para delitos cometidos no território nacional, 
continua valendo o disposto no art. 70 da lei processual. 
Continua-se a adotar a teoria mista, permitindo, portanto, considerar lugar do crime aquele onde se 
der qualquer ato de execução ou mesmo onde se concretizou o resultado. No caso dos delitos 
permanentes e continuados, peculiares que são, a execução é mais arrastada do que ocorre no crime 
comum e instantâneo. Exemplo: se houver um sequestro, cujos autores mudam o local do cativeiro a 
todo momento, passando por várias cidades até que soltam a vítima, o lugar do crime é qualquer um 
daqueles por onde passou o ofendido. Para a solução do juízo competente, segue-se a regra do art. 71 
3. NÃO APLICAÇÃO DA TEORIA DA MISTA OU UBIQUIDADE 
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