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Conflito aparente de normas - pressupostos e critérios de solução

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DIREITO
PENAL
P R O F . T A S S I O D U D A
2020
Direito Penal 
Tema: Conflito aparente de leis penais 
Prof. Tassio Duda 
 
 
 
Fala pessoal, tudo bem? 
No presente resumo, iremos abordar o conflito aparente de leis penais. 
 
 
O conflito aparente de leis penais ou de normas ocorre quando um único fato se 
sujeita a aplicação, em tese, de dois ou mais tipo legais. 
Nas palavras de Cléber Masson (2019, pg. 185): 
 
 
 
Nucci (2020, pg. 207), por sua vez, conceitua como: 
 
 
 
 
O mencionado autor dá o seguinte exemplo: “quando alguém importa substância 
entorpecente, à primeira vista pode-se sustentar a aplicação do disposto no art. 334-A 
do Código Penal (crime de contrabando), embora o mesmo fato esteja previsto no art. 
33 da Lei de Drogas. Estaria formado um conflito aparente entre normas, pois duas 
normas parecem aplicáveis ao mesmo fato ocorrido. O direito, no entanto, oferece 
mecanismos para a solução desse impasse aparente, fictício. Na situação exposta, 
aplica-se o art. 33 da Lei de Drogas (tráfico ilícito de drogas), por se tratar de lei 
especial”. 
Para a caracterização do conflito aparente de normas, a doutrina se preocupou 
em estabelecer alguns pressupostos. 
 
 
De acordo com Cléber Masson (2019), três são os pressupostos: 
a) unidade de fato; 
b) aparente incidência de mais de uma norma incriminadora; 
c) vigência simultânea de todos tipos penais aparentemente aplicáveis. 
 
1. INTRODUÇÃO 
2. CONFLITO APARENTE DE LEIS PENAIS 
Dá-se o conflito aparente de leis penais quando a um único fato se revela possível, em tese, a aplicação 
de dois ou mais tipos legais, ambos instituídos por leis de igual hierarquia e originárias da mesma fonte 
de produção, e também em vigor ao tempo da prática da infração penal. 
(...) a situação de confronto, que ocorre quando ao mesmo fato parecem ser aplicáveis duas ou mais 
normas, formando um conflito apenas aparente entre elas, pois há critérios para solucionar a 
antinomia. O conflito aparente de normas (ou concurso aparente de normas) surge no universo da 
aplicação da lei penal, quando esta entra em confronto com outros dispositivos penais, ilusoriamente 
aplicáveis ao mesmo caso. 
3. PRESSUPOSTOS 
Direito Penal 
Tema: Conflito aparente de leis penais 
Prof. Tassio Duda 
 
 
 
Para solucionar esses conflitos, a doutrina estabeleceu alguns 
critérios/princípios. Os principais são: 
a) Princípio da especialidade; 
b) Princípio da consunção; 
c) Princípio da subsidiariedade; 
d) Princípio da alternatividade. 
Segundo Cléber Masson (2019, pg. 391), “para se determinar qual o princípio 
adequado a resolver o conflito aparente de normas, é preciso, antes, estabelecer a 
relação entre os tipos penais ou os crimes virtualmente aplicáveis.” 
De forma resumida, o autor esclarece que: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para facilitar o entendimento, vamos observar a aplicação de cada princípio. 
a) Princípio da especialidade (lei especial afasta aplicação da lei geral): 
 
 
 
 
 
 
 
 
4. CRITÉRIOS DE SOLUÇÃO 
- O princípio da especialidade será empregado sempre que, entre os tipos aparentemente incidentes, 
der-se uma relação de especialidade, isto é, de gênero e espécie. 
- O princípio da subsidiariedade, por sua vez, pressupõe que entre as disposições penais conflitantes 
exista uma relação de subsidiariedade, vale dizer, de continente e conteúdo. Nestes casos, a 
comparação entre as normas virtualmente aplicáveis se faz no plano abstrato, é dizer, confrontando-
se o teor dos dispositivos para, então, determinar, ora o especial (que prevalecerá sobre o geral), ora 
o principal (que predominará em relação ao subsidiário). 
- O princípio da consunção ou absorção ocorre em face de uma relação consuntiva (de meio e fim), 
isto é, quando há crime-meio praticado no iter criminis de outro, que será o crime-fim. 
- O princípio da alternatividade aplica-se a tipos mistos alternativos, ou seja, os que possuem mais de 
um verbo nuclear alternativamente conectados. 
5. EXEMPLOS DE APLICAÇÃO DE CADA PRINCÍPIO 
Exemplo: se a mãe mata o filho durante o parto, sob a influência do estado puerperal, incorre, 
aparentemente, nos arts. 121 (homicídio) e 123 (infanticídio) do CP. No primeiro, porque matou uma 
pessoa; no segundo, porque essa pessoa era seu filho e a morte se deu no momento do parto, 
influenciada pelo estado puerperal. O infanticídio contém todas as elementares do homicídio (“matar” 
+ “alguém”), além de outras especializantes (“o próprio filho” + “durante o parto ou logo após” + “sob 
a influência do estado puerperal”), o que o torna especial em relação a esse. Percebe-se, então, que 
toda ação que realiza o tipo do infanticídio realiza o do homicídio, mas nem toda ação que se subsome 
ao homicídio tem enquadramento no tipo do infanticídio (Cléber Masson, 2019, pg. 392). 
Direito Penal 
Tema: Conflito aparente de leis penais 
Prof. Tassio Duda 
 
 
b) Princípio da subsidiariedade: 
 
 
 
 
 
 
c) Princípio da consunção ou absorção: 
 
 
 
 
d) Princípio da alternatividade: 
 
 
 
Exemplo: : a omissão de socorro, que é crime autônomo, é também prevista como causa de aumento 
de pena do homicídio e da lesão corporal culposos. Isto ocorre tanto no Código Penal (arts. 121, § 4º, 
129, § 7º, e 135) quanto no Código de Trânsito Brasileiro (arts. 302, § 1º, 303, § 1º e 304). Dessa forma, 
se uma pessoa dirige imprudentemente seu veículo e atropela outra, ferindo-a gravemente, e, em 
seguida, deixa de lhe prestar socorro, não comete dois crimes: lesão culposa agravada pela omissão 
de socorro (art. 303, § 1º, do CTB) e omissão de socorro no trânsito (art. 304 do CTB), mas somente o 
primeiro, o qual constitui norma primária, dada a relação de subsidiariedade entre eles. (Cléber 
Masson, 2019, pg. 392). 
Exemplo: ocorre entre os atos preparatórios puníveis, seguidos dos atos executórios e, por fim, da 
consumação (todos inseridos no mesmo iter criminis). (...) o indivíduo que porta consigo uma faca 
(porte de arma branca — ato preparatório punível), brande o instrumento (ato executório) e golpeia a 
vítima, ferindo-a (consumação), responde somente pelo crime-fim, ou seja, pela lesão corporal. (Cléber 
Masson, 2019, pg. 393). 
Exemplo: Quando alguém pratica mais de um verbo do mesmo tipo penal, apresentando-se uma 
conduta como consequência da outra, atingindo, todas, o(s) mesmo(s) objeto(s) material(ais), só 
responde por um crime (e não pelo mesmo crime mais de uma vez). (...) a) aquele que expõe à venda 
e, em seguida, vende drogas pratica um só crime de tráfico ilícito de entorpecentes (Lei n. 11.343/2006, 
art. 33); b) quem induz e instiga outrem a se suicidar, vindo a vítima a falecer, incorre uma só vez no 
delito de auxílio ao suicídio (art. 122 do CP). (Cléber Masson, 2019, pg. 393). 
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