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Doenças Sexualmente Transmissíveis - Sífilis

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Priscila Behrens 2020.2 
Doenças Sexualmente Transmissíveis - SÍFILIS 
 
Significado da palavra: Sys: porco; Philein: amar > = “amor imundo” / Lues: 
praga. 
Agente etiológico: Treponema pallidum 
Transmissão: 
• Principalmente por via sexual/ contatos íntimos sem necessidade da 
penetração para o contágio; 
• Pode ocorrer de forma vertical: intrauterino e neonatal 
• Transfusões sanguíneas, compartilhamento de agulhas etc. 
Epidemiologia: 
• Aproximadamente 900 mil novos casos por ano no Brasil; 
• Mais de 12 milhões de novos casos por ano no mundo; 
• Sabe-se que 1/3 dos indivíduos expostos a parceiro sexual infectado 
acabam adquirindo a doença 
Classificação: 
1. Sífilis adquirida recente (até 1 ano após a infecção): 
Divide-se em fases primária, secundária e latente recente. 
 
 
PRIMÁRIA: 
• Surgimento do cancro duro (protossifiloma) – é uma lesão 
única e de fundo limpo, geralmente não tem supuração e 
não causa dor; 
• Período de incubação: 10-90 dias (x: 21 dias); 
• Cura-se em torno de 3 a 6 semanas – regressão completa 
do cancro duro; 
• Adenopatia regional: geralmente unilateral, não supurativa, 
móvel, indolor, sem sinais flogistícos (costuma surgir 7-10 
dias após a lesão primária); 
• Nem todos precisarão do tratamento por antibióticos. 
 
SECUNDÁRIA: 
• 4 a 8 semanas após o desaparecimento do cancro duro; 
• Iniciam-se as manifestações dermatológicas da sífilis; 
Priscila Behrens 2020.2 
• Roséolas: lesões papulares ou planas eritematosas que 
acometem principalmente o tronco, palma das mãos e planta 
dos pés; 
• Sifílides: lesões pápulo-erosivas, pustulosas e hipertróficas 
que acometem a cavidade oral, genital, palma das mãos e 
planta dos pés. Iniciam com aspecto liso e depois se torna 
escamoso; 
• Condiloma plano: são placas elevadas com base ampla e 
que acometem áreas úmidas, como a região ano genital, 
parte interna das coxas e axilas; 
• As lesões regridem espontaneamente em torno de 2 a 6 
semanas, raramente deixando cicatrizes; 
• Sintomas gerais de mal estar, artralgia, febrícula, cefaleia, 
adinamia e alopecia irregular (muitas vezes esse é o 
principal motivo da procura à um profissional de saúde, já 
que os demais sintomas podem ser confundidos com outras 
patologias); 
• Em torno de 85% dos pacientes, existe a linfadenopatia e 
demora meses para desaparecer; 
• A infecção entra em uma fase de latência após a regressão 
das manifestações clínicas e para identificação é necessário 
exame laboratorial por método sorológico. 
 
LATENTE RECENTE/PRECOCE: 
• Até 1 ano após o contágio; 
• Fase de “silêncio clínico” e o diagnóstico é feito apenas 
através dos exames sorológicos. 
 
2. Sífilis adquirida tardia (com mais de 1 ano de evolução): 
Divide-se em latente tardia e terciária (que muitas vezes pode não 
se desenvolver) 
LATENTE TARDIA: 
• 1-2 anos após o contágio; 
• Mesma situação do latente recente, o que muda é o tempo 
de infecção. 
 
 
 
Priscila Behrens 2020.2 
TERCIÁRIA: 
• 3-20 anos após a infecção; 
• 1/3 dos pacientes não tratados evoluem para essa fase; 
• Lesões Cutaneomucosas: tubérculos ou gomas, que 
caracterizam uma hipersensibilidade tardia; 
• Alterações Cardiovasculares: o desenvolvimento de 
aneurisma aórtico pela aortite sifilítica, estenose coronariana 
e insuficiência aórtica; 
• Alterações Neurológicas: tabes dorsalis, mielite transversa, 
meningite, AVC e demência; 
• Alterações oftalmológicas: intimamente ligadas às 
alterações neurológicas que comprometem o nervo óptico e 
pode causar dano irreversível na visão. 
 
3. Sífilis adquirida congênita: 
Divide-se em recente (manifestações até 2 anos) e tardia (após 2 
anos) 
 
Diagnóstico Laboratorial: 
• Pesquisa do treponema por bacterioscopia em campo escuro 
o Técnica Fontana-Tribondeau (sais de prata); 
o Padrão ouro 
o Utilizada para diagnóstico de sífilis precoce 
 
• Imunofluorescência direta 
o Técnica de Fontana-Tribondeaux 
o Alta positividade 
 
• Testes sorológicos: 
 
o Sorologia não-treponêmica: 
 
▪ Exame de rastreamento; 
▪ Sensíveis e não específicos – se der positivo, tem que ser 
confirmado com a sorologia treponêmica; 
▪ Usa-se primeiro esse teste por questões de custo; 
▪ Detectam anticorpos não treponêmicos (anticardiolipínicos); 
▪ Qualitativos: testes de triagem (reagente ou não); 
▪ Quantitativos: títulos dos anticorpos e é útil no 
monitoramento da resposta do tratamento – Ex.: Resultado: 
É importante solicitar 
os testes sorológicos após 
algumas semanas do início 
dos sintomas porque se o 
teste for feito muito próximo 
do momento da infecção 
pode dar um falso negativo. 
 
Priscila Behrens 2020.2 
Positivo 1 para 16: foi diluído 16 vezes e ainda encontra-se 
treponemas e após o tratamento o resultado foi: Positivo 1 
para 4: melhorou!; 
▪ É feito 3-6 semanas após a infecção ou de 2-3 semanas 
após o aparecimento da lesão primária; 
▪ Testes: VDRL (Venereal Diasease Research Laboratory) e 
RPR (Rapid Plasm Reagin); 
▪ Quando o paciente é portador de algumas doenças como 
malária, chagas, mononucleose, hanseníase, leptospirose 
etc, pode dar um resultado falso-positivo. Sendo assim, 
necessário realizar a sorologia treponêmica; 
▪ O teste pode dar falso negativo quando ainda está na fase 
primária e/ou na latente tardia. Também pode ser quando 
existe uma quantidade tão grande de antígenos no 
organismo do paciente que os anticorpos presentes no kit 
do teste não conseguem fazer uma leitura correta e acaba 
dando um falso negativo (Efeito Prozona). 
 
 
o Sorologia Treponêmica: 
 
▪ Os mais utilizados no Brasil: FTA-abs e TPHA. Mas, também 
existem os MHA-TP e o TPI; 
▪ Detectam anticorpos contra as espiroquetas; 
▪ São exames qualitativos e específicos para o treponema; 
▪ Raramente dar um falso-positivo; 
▪ São os primeiros a positivar pois não necessita aguardar 
tanto para tornarem reativos (a partir de 7-15 dias da 
infecção); 
▪ Reservado para confirmação de um teste não treponêmico 
positivo devido ao custo envolvido ou em casos que a clínica 
do paciente é coerente e precisa confirmar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Priscila Behrens 2020.2 
Tratamento: 
• Penicilina G benzatina (padrão ouro): 
o Primária/ Secundária/ Latente Recente: 2.400.000 UI IM 
(1.200.000 UI em cada região glútea), dose única. 
o Latente Tardia/ Terciária: 2.400.000 UI IM por semana, durante 3 
semanas. 
• Drogas alternativas: 
o Azitromicina: 1g VO por semana durante 2-3 semanas para sífilis 
até 1 ano; 
o Doxiciclina 100mg VO 12/12h ou Eritromicina ou Tetraciclina 
500mg VO 6/6h, durante 14 dias para sífilis de até um ano; 
o Doxiciclina 100mg VO 12/12h ou Eritromicina ou Tetraciclina 
500mg VO 6/6h, durante 28 dias para sífilis com mais de um ano. 
** Nas gestantes é indicado a Penicilina G benzatina, mesmo que a paciente 
tenha alergia (dessensibiliza). As tetraciclinas, doxiciclina e estolato de 
eritromicina são contraindicados. – Lembrar que no pré-natal o teste não 
treponêmico deve ser realizado no 1º e no 3º trimestre e na admissão para o 
parto. 
 
Critérios de cura: 
• VDRL 3, 6 e 12 meses após o tratamento para monitoramento (em 
gestantes deve ser feito mensalmente); 
• Queda de 4 títulos da sorologia ou a sua negativação em 6 meses a 1 ano 
(o esperado é a diminuição de 1 título/mês); 
• Se a sorologia aumentar 4 títulos, deve-se ser feito um novo tratamento. 
 
Sinais de Falha no Tratamento: 
• Quadruplicação dos títulos após o tratamento; 
• Interrupção do tratamento; 
• Não tratamento do parceiro. 
** Gestantes: quando ela foi tratada, mas o tratamento foi concluído com 
menos de 1 mês de diferença da data do parto ou quando ela utilizou as 
drogas contraindicadas (regime não penicilínico).