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FORMAÇÃO I IRMÃS SERVAS DA TRANSFIGURAÇÃO ENTENDENDO E APROFUNDANDO NAS VIAS DO PROGRESSO ESPIRITUAL Fontes estudadas: Adolph Tanquerey, Vida Interior (principal) Pe. Quadrupani, S. Francisco de Sales, Direção para as almas timoratas São Francisco de Sales, Filotéia Pe. Leon Dehon, Vida Interior Lorenzo Scupoli, O combate Espiritual PARA CONQUISTÁ-LA É PRECISO COMBATER. QUATRO COISAS NECESSÁRIAS PARA ESTE COMBATE A virtude outra coisa não é, senão o conhecimento da bondade e grandeza de Deus, e da nossa nulidade e inclinação ao mal; o amor de Deus e o ódio de nós mesmos; a sujeição, não somente a Ele, mas, por seu amor, a toda a criatura; o desapropriamento da nossa vontade e o acatamento total de suas divinas disposições; por fim querer e fazer tudo isso, para a glória de Deus, para seu agrado, e porque Ele quer e merece ser amado e servido. Esta é a lei do amor, expressa pela mão de Deus nos corações de seus servos fiéis. Esta é a negação de nós mesmos, que Ele exige de nós. Este é o jugo suave e o ônus leve. Esta é a obediência a que nosso divino Redentor e Mestre nos chama com sua voz e com seu exemplo. Se aspiras a tanta perfeição, deves fazer contínua violência a ti mesma, para combateres generosamente e aniquilar todas as tuas vontades, grandes e pequenas. Para isso é necessário que, com grande prontidão de ânimo, te aparelhes para esta batalha, pois só é coroado o soldado valoroso. Este combate é difícil, mais que nenhum outro, pois combatemos contra nós mesmos. Por maior, porém, que seja a batalha, mais gloriosa, e mais cara a Deus, será a vitória. Se tratares de sufocar todos os teus apetites desordenados, teus desejos e vontades, mesmo muito pequenas, maior serviço farás a Deus do que se te flagelares até o sangue, jejuares mais que os antigos eremitas e anacoretas, converteres milhares de almas, guardando vivos, voluntariamente, alguns destes apetites. Agora que vês, filha, em que consiste a perfeição cristã e como, para a conquistar é preciso empenhar uma contínua e duríssima guerra contra ti mesma, necessitas de quatro coisas como armas seguríssimas e muito necessárias, para vencer nesta batalha espiritual. São as seguintes: A desconfiança em ti mesma, a confiança em Deus, o exercício (apropriado uso das faculdades do corpo e da alma) e a oração. Por isso, é necessário lutar constantemente contra si mesmo e empregar toda força para arrancar cada inclinação viciosa, mesmo as triviais. Conseqüentemente, para se preparar ao combate a pessoa deve reunir toda sua resolução e coragem. Ninguém será premiado com a coroa se não tiver combatido corajosamente. ....Aquele que tiver a coragem de conquistar suas paixões, controlar seus apetites e rejeitar até as mínimas moções de sua vontade, pratica uma ação mais meritória aos olhos de Deus do que se, sem isso, rasgasse suas carnes com as mais agudas disciplinas, jejuasse com maior austeridade que os Padres do deserto, ou convertesse multidões de pecadores. ... O que Deus espera de nós, sobretudo, é uma séria aplicação em conquistar nossas paixões; e isso é mais propriamente o cumprimento de nosso dever do que se, com incontrolado apetite, nós Lhe fizéssemos um grande serviço. A DESCONFIANÇA DE NÓS MESMOS A desconfiança de nós mesmos, nos é necessária neste combate de tal maneira, que sem ela devemos ter por certo que não só não poderíamos conseguir a desejada vitória, como não venceríamos a menor das paixões. (Mt 26:41) E sendo também esta tão importante desconfiança uma obra do seu poder divino, um dom que ele dá aos seus amados servos, às vezes através de santas inspirações, outras vezes com amargas provações, por tentações violentas e quase insuperáveis, ou com outros meios, que não podemos chegar a entender; apesar disto, querendo Ele que juntamente façamos de nossa parte o que convém, eu vos proponho quatro meios, que com a graça de Deus, podereis conseguir esta desconfiança. (1Pe 1:6 ; At 14:22 ; Ro 5:2-5 ; 1Co 2:5). “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.” (Filipenses 2:13) O primeiro é que vos considereis e conheçais a vossa vileza, e limitado ser, e que não sois capazes de obrar bem algum por vós mesmos, por onde mereçais entrar no Reino dos Céus. (Lc 17:10 ; 2Co 9:8 ; Mc 8:34) O segundo, é que com fervorosas e humildes orações peçais esta importante virtude ao Senhor, aquele que é o único que nos a pode dar. Confessemos primeiro que, não somente não a temos, mas que por nós mesmos estamos numa plena impotência de obtê-la. Desta maneira nós nos apresentamos aos pés do Senhor com uma confiança firme em Sua bondade, e perseveremos na oração, até quando sua Divina Providência julgue conveniente conceder nosso pedido. (Ef 3:20 ; Ro 15:13) O terceiro meio é que nos acostumemos pouco a pouco a recear de nós mesmos e de nosso próprio julgamento, temendo a violenta inclinação de nossa natureza ao pecado, os inúmeros inimigos e a incomparável superioridade de suas forças, sua longa experiência de combate, suas astúcias e suas ilusões que os transformam a nossos olhos em anjos de luz, as armadilhas que eles nos pregam por todas as partes do caminho da virtude. (cf Ef 6:10-18 ; 2Co 11:14) O quarto meio é de entrarmos em nós mesmos sempre que acontecer de cairmos em alguma falta, e então considerarmos vivamente até onde vai nossa fraqueza. Se Deus permite que tenhamos algumas quedas, é afim de que pela claridade desta luz, possamos nos conhecer melhor, desprezam-nos a nós mesmos como criaturas vis, e a desejar ser desprezado pelos outros (cf Lc 17:3). Sem esta vontade não pode haver desconfiança virtuosa, a qual tem todo o seu fundamento na verdadeira humildade e no conhecimento, que traz consigo a experiência (cf Ro 5:2-5). Porque bem claro se pode ver que quem deseja unir-se com a Luz Suprema e com a Verdade incriada, necessita do conhecimento de si mesmo, o qual a divina Piedade dá frequentemente aos soberbos e aos presunçosos através da experiência, deixando-os justamente cair em alguma falta da qual imaginam que poderão se livrar; assim desta forma acabam por se conhecer e por aprender a desconfiar em tudo de si mesmos. (2Co 11:30) **Mas não costuma valer-se o Senhor deste meio tão miserável, se não quando os outros meios mais piedosos não obtiveram o efeito que esperava Sua misericórdia. Esta permite que caia o homem com mais ou menos frequência, se ele tem mais ou menos orgulho e própria estimação, de modo que onde não se acha sombra de presunção, como foi na Bem-aventurada Virgem Maria, da mesma maneira não haverá sinal algum de queda. Assim, quando cairmos, corramos imediatamente com o pensamento ao humilde conhecimento de nós mesmos, e com oração pedir ao Senhor que nos dê a verdadeira luz para nos conhecermos e desconfiarmos inteiramente de nós mesmos, se não queiramos cair de novo nas mesmas faltas ou em faltas ainda mais prejudiciais à salvação de nossa alma.