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Histologia do Olho

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Histologia do olho	 12/09/2016 – Fernanda R.
 	→ Introdução
	O olho está dentro de uma órbita e existem uma série de músculos inseridos que estão relacionados com a sua movimentação. No olho existem cavidades ou câmaras preenchidas por fluidos, sendo alguns deles constantemente renovados e outros não. A câmara anterior é preenchida por um fluido líquido e aquoso chamado humor aquoso e a câmara posterior também é preenchida por esse mesmo fluido. Há também a câmara vítrea que é preenchida pelo humor vítreo, que se apresenta em uma forma mais gelatinosa. O humor aquoso é trocado constantemente enquanto o humor vítreo não. 
	→ Organização do olho
	O olho é organizado em camadas ou túnicas. A primeira camada, que é a mais externa, é chamada de túnica fibrosa - a principal constituição dos elementos dessa túnica é o tecido conjuntivo. A túnica fibrosa é constituída basicamente por duas estruturas:
· Córnea: na região mais anterior do olho
· Esclera: em todo o restante. Apresenta uma área de conjuntivo mais frouxo e outra mais denso
Existe um ponto importante de transição entre a córnea e a esclera, chamada de corneoescleral ou esclerocorneal.
A segunda túnica é interna a túnica fibrosa, sendo chamada de túnica vascular ou úvea. Compondo essa camada, temos:
· Íris: numa porção mais anterior do olho e no seu centro encontramos a pupila
· Corpo ciliar: de onde partem os processos ciliares
· Coroide
A túnica mais interna do olho é a retina e nela existem duas porções:
· Retina cega: mais anterior
· Retina neural ou sensorial
Existe um ponto de transição entre retina cega e retina neural, chamado de ora serrata. O que há de diferente entre essas duas regiões é que os fotorreceptores e os neurônios só estarão presentes na retina neural, enquanto a cega é desprovida desses componentes. 
Túnica fibrosa
Na túnica fibrosa existe uma área de transição entre a córnea e a esclera, como dito anteriormente, e ela é importante porque nesse local existirá um seio vascular chamado de canal de Schlemm. Esse canal tem como função realizar a drenagem do humor aquoso.
O humor aquoso é produzido constantemente por estruturas dos processos ciliares e cai na câmara posterior, é encaminhado até a região da câmara anterior e é drenado no canal de Schlemm. Se ocorrer algum problema nesses processos de produção e drenagem do humor aquoso, a patologia causada consequentemente será o glaucoma que está relacionado com o aumento da pressão intraocular. Uma das causas mais comuns é o estreitamento do canal de Schlemm – o que compromete o processo de drenagem. 
· Córnea
A córnea é uma estrutura que faz parte da túnica fibrosa e apresenta 5 camadas, sendo que uma delas está voltada para o meio externo enquanto a outra está voltada para a câmara anterior. Na face externa, temos um epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado que é avascular, porém é inervado. Isso significa que qualquer lesão na córnea é bem dolorosa. As células mais superficiais desse epitélio apresentam pequenos microvilos que vão favorecer a manutenção da umidade do olho mantendo-a lubrificada por uma lâmina de lágrima. Esse epitélio repousa sobre uma membrana basal e em continuidade com ela, temos
Um arranjo de fibrilas colágenas. Nessa área da membrana basal esse arranjo das fibrilas, de colágeno tipo I, compõem uma estrutura chamada de membrana de Bowmann. Essa membrana é uma área acelular e se lesada pode gerar uma cicatriz que compromete a refração dos raios luminosos, já que a córnea é o primeiro meio de refração dos raios luminosos. Em seguida, tem-se uma estrutura denominada estroma da córnea que é uma camada conjuntiva organizada em que são encontrados fibroblastos e fibras colágenas. É a camada mais espessa da córnea e é uma também uma área conjuntiva avascular inervada. Na região posterior da córnea, voltada para a câmara anterior, tem-se um epitélio simples que varia de cúbico a pavimentoso e recebe o nome de endotélio da córnea. Esse epitélio também repousa sobre uma lâmina basal especial, que é chamada de membrana de Descemet’s.
	Essas células do epitélio posterior têm características de células transportadoras de íons, apresentando pregas basais, mitocôndrias e sendo responsáveis pelo controle hídrico da córnea. 
OBS: A córnea, por ser uma estrutura avascular, favorece os transplantes. Geralmente os transplantes são bem-sucedidos porque não ocorre rejeição – exatamente por ser avascular. 
 
A conjuntiva está localizada em uma região que a caracteriza como uma continuação da esclera e existem duas porções diferenciadas: a conjuntiva bulbar e a conjuntiva palpebral. A conjuntiva palpebral está localizada no interior da pálpebra enquanto a bulbar é a continuação da esclera. A conjuntiva terá um epitélio estratificado pavimentoso, porém é diferente do epitélio anterior da córnea. O que difere do epitélio anterior da córnea é a presença de células caliciformes. Isso é muito característico da região da conjuntiva. 
· Esclera
A esclera é a área branca opaca do olho. Ela apresenta vasos mas não é tão vascularizada e seu 1/6 anterior representa a córnea enquanto seu 5/6 restante é a esclera. O tecido presente nesse local é conjuntivo, com regiões mais frouxas e outras mais densas e essa estrutura compõe grande parte do globo ocular. Nessa região de transição entre a córnea e a esclera, é onde existe o canal de Schlemm (seio vascular revestido por endotélio), existindo também células mitóticas que favorecem a regeneração principalmente dos epitélios da córnea.
· Íris
Quando falamos da íris, observamos que essa também apresenta uma face anterior e uma posterior. A face anterior da íris está voltada para a câmara anterior e a face posterior está voltada para a câmara posterior, sendo essas duas diferentes.
A face posterior da íris apresenta um epitélio duplo bem pigmentado, enquanto a face anterior não é tão corada como a posterior. Existem algumas controvérsias em relação à face anterior, em vista que alguns autores consideram que ela apresenta o mesmo revestimento do epitélio posterior da córnea (aquele simples que varia de cúbico a pavimentoso) e outros dizem que nessa área não existe um epitélio verdadeiro revestindo, mas sim fibroblastos intercalados com melanócitos. (OBS: ao responder uma questão na prova, podemos escolher qual linha de raciocínio iremos seguir). O estroma da íris é constituído de um conjuntivo frouxo vascularizado e em meio a esse conjuntivo existem estruturas importantes: macrófagos, células pigmentadas, melanócitos. 
A íris é, na verdade, a parte colorida do olho. Indivíduos que apresentam cores de olhos diferentes não apresentam diferenças histológicas, mas sim diferenças em relação a quantidade de células pigmentadas no estroma. 
Nesse estroma da íris, vão existir em algumas áreas um grupo de células musculares lisas que vão compor músculos chamados de: constritor e dilatador da pupila. O músculo dilatador da pupila está localizado mais perto do epitélio pigmentado, na base, e se dispõe de forma mais radial – aparece em corte longitudinal enquanto o constritor ou esfíncter da pupila apresenta um arranjo circular, estará mais na região que margeia a pupila e suas fibras aparecem em corte transversal. Uma outra função importante da íris é o controle da quantidade de luz que atingirá a retina, pela ação da sua musculatura. 
· Processos e corpo ciliares
Os processos ciliares e o corpo ciliar terão um revestimento epitelial e um eixo de tecido conjuntivo. Na região do corpo ciliar, em meio ao tecido conjuntivo, temos o que chamamos de músculo ciliar que também é um músculo liso. Esse músculo é importante porque ele participa do processo de focalização, de acomodação visual. Partindo dos processos ciliares, existem fibras ou fibrilas elásticas que formam a zônula ciliar ou as fibras da zônula. Essas fibrilas da zônula se ancoram nos processos ciliares e na cápsula do cristalino, nesse sentido eles