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Sistema Nervoso Central (parte 2) - Histologia

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Sistema Nervoso Central (parte 2) – Histologia		 19/09/2016 – Fernanda R.
	→ Introdução
	A medula espinhal ou espinal é o segmento do sistema nervoso central que mais lembra a estrutura que o originou, que é o tubo neural. Quando observamos o encéfalo, percebemos que ele é alargado pois durante a morfogênese as vesículas encefálicas crescem, também há o crescimento dos ventrículos encefálicos. Dessa maneira há perda da anatomia de tubo, de estrutura alongada.
A medula, de todos os segmentos do sistema nervoso central, é aquela que mais se assemelha ao tubo neural – devido a sua forma alongada, cilíndrica. Ela apresenta tecido nervoso rodeando o espaço central alongado e estreito, o canal medular ou canal ependimário. 
→ Anatomia externa da medula
Em relação à sua anatomia externa, a medula é tubo alongado, ou seja, um órgão cilíndrico, mas não em sua totalidade já que afila na sua região final formando uma área que é chamada de cone terminal. Ela está localizada no interior do canal vertebral, sendo protegida pelos ossos da coluna vertebral – as vértebras. Além de estar protegida pelas vértebras, também está protegida pelos envoltórios conjuntivos – as meninges – que envolvem todo o sistema nervoso central. Não ocupa no adulto humano a sua totalidade, porque ao longo da vida o esqueleto cresce mais do que a medula, ou seja, se desenvolve mais rapidamente do que o sistema nervoso central em termos estruturais e macroscópicos. A partir disso, a medula para entre as vértebras L1 e L2. No feto, ocupa toda a extensão do canal e no nascimento é possível observar que ela está um pouco mais curta que o canal vertebral, parando em torno de L3. Ao longo do crescimento do esqueleto axial, à medida que o esqueleto cresce mais que a medula, a coluna e o local de saída que é o forame intervertebral vão sendo deslocados novamente. Então, para que as raízes dos nervos espinhais encontrem o seu forame intervertebral, elas precisam ser encaminhadas para baixo para poder sair pelos seus respectivos forames. Com isso, nós temos uma região dentro do canal vertebral que não tem mais tecido medular, mas que tem as raízes nervosas que foram deslocadas para baixo formando um conjunto de raízes nervosas que chamaremos de cauda equina. 
Ao longo da medula, podemos observar duas regiões alargadas nela sendo uma localizada na região cervical e outra na região lombar, que são chamadas de intumescências (em verde e roxo). A partir da medula surgem as raízes dos nervos espinhais e de cada lado há duas, sendo uma ventral e uma dorsal. Esses nervos são as junções dessas duas raízes, porque os nervos espinhais são mistos – a ventral é motora e a dorsal é sensorial. 
	Quando falamos do revestimento da medula espinal, a camada conjuntiva mais interna é a pia-máter que está aderida à mesma, formando um filamento terminal que irá ligar a medula à última vértebra – que é a coccígea. 
	Entre as vértebras existe um disco chamado de disco intervertebral, que é de fibrocartilagem na sua região mais externa – no anel fibroso – e o núcleo pulposo formado por um tecido oriundo da notocorda. Danos a esse disco podem afetar raízes nervosas.
 	→ Anatomia interna da medula
Quando fazemos um corte transversal na medula, nós identificamos as substâncias branca e cinzenta. De modo inverso ao encéfalo, a substância branca encontra-se externamente enquanto a cinzenta está mais internamente. A substância cinzenta tem o formato de H, sendo esse o H medular. A ponta do H medular que está apontado para a região dorsal da medula é chamada de corno/coluna dorsal/posterior. A ponta do H mais anterior é o corno/coluna ventral/dorsal. Unindo os dois traços do H, nós temos um traço horizontal que é a comissura. O corno anterior é mais curto e largo, não encosta na superfície do órgão e o corno posterior é mais afilado e alongado, ou seja, encosta na superfície do órgão. Em alguns segmentos da medula, na região torácica principalmente, nós teremos um outro corno chamado de corno lateral. Esse corno lateral guarda nele neurônios multipolares que são do sistema nervoso autônomo. O sistema nervoso autônomo não é uma entidade anatômica no sistema nervoso, já que os componentes desse sistema estão presentes tanto no sistema nervoso central como no periférico. É um segmento funcional que vai coordenar atividades involuntárias do nosso organismo, ou seja, atividades as quais não temos o poder de decisão – contração da musculatura lisa, cardíaca e secreção glandular – e apresenta dois segmentos, o simpático e o parassimpático, que apresentam atividades antagônicas. 
	Envolvendo o H medular, nós temos a substancia branca da medula. Essa substancia branca é dividida em áreas, sendo a área dorsal chamada de funículo dorsal, a área anterior ventral é chamada de funículo ventral e as áreas laterais são os funículos laterais. A substancia cinzenta apresenta uma composição específica em cada corno e a substancia branca apresenta composição igual em todos os funículos. Do ponto de vista funcional, existem uma zonação na substancia cinzenta e na substancia branca. Existe uma reentrância da superfície na medula no lado posterior, chamada de sulco mediano posterior – a pia-máter acompanha as reentrâncias. Na região ventral existe também uma depressão um pouco mais alargada que é a fissura mediana ventral. Na raiz dorsal, sempre temos um gânglio chamado de gânglio da raiz dorsal que é sensorial e nele reside o corpo celular do neurônio pseudounipolar – uma de suas pontas vai para a periferia para formar um receptor sensorial periférico e a outra vai para o sistema nervoso central fazer sinapse com neurônios presentes no corno posterior da medula espinhal (motor). 
	Como observado na imagem acima, dependendo do corte que façamos na medula, ou seja, dependo do nível, há uma variação na substância branca ao longo dos segmentos. Nas intumescências temos uma quantidade maior de substancia branco pois é dali que sai o plexo que vai para a região dos membros inferiores, assim como na região lombossacral em que temos outra intumescência que vai para os membros inferiores. 
	→ Histologia da medula espinal
	Ao fazermos um corte histológico na medula espinal, podemos identificar o H medular e a substancia branca ao seu redor. Na região da comissura existem fibras que conectam um lado ao outro da medula – um lado das colunas dorsal ventral para o outro lado – e o canal central da medula, também chamado de canal ependimário. Observamos também a fissura mediana ventral e o sulco dorsal – mais estreito. 
O canal ependimário é revestido por epêndima – conjunto de células ependimárias ou ependimócitos que foram o revestimento desse canal (o epêndima forra toda a superfície interna do tecido nervoso voltada para as cavidades do sistema nervoso central). Essas células ependimárias são células cilíndricas, unidas por junções de adesão ou oclusão, apresentam microvilos apicais e alguns autores descrevem a presença de cílios nas mesmas. Esse canal é o resquício da luz do tubo neural, como são os ventrículos cerebrais, porém esses se alargaram muito na morfogênese – dentro desses ventrículos temos os plexos coroides que são projeções dessas células ependimárias modificadas associadas a tecido conjuntivo frouxo altamente vascularizado, então o líquor nada mais é do que um líquido tecidual (um filtrado do plasma sem suas macromoléculas). Ele vai se somando de acordo com a produção em cada ventrículo, tendo destino para o exterior do tecido nervoso do sistema nervoso central – o espaço entre as meninges, o espaço subaracnóideo (há um gotejamento no canal central da medula). 
	No corno anterior temos substância cinzenta. Histologicamente falando, encontraremos corpos celulares de neurônios e células da glia – astrócitos protoplasmáticos, oligodendrócitos, micróglia. O fundo encontrado por entre os corpos celulares dos neurônios é formado pelos prolongamentos dos neurônios, dendritos e axônios amielínicos e os prolongamentos das células da neuroglia e é chamado de neurópilo. Nem todos os neurônios encontrados