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Sistema Nervoso Central (parte 2) - Histologia

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na substância cinzenta são iguais, já que o corno anterior é um corno de eferência (motor) e isso significa que o neurônio que o habita tem um axônio que sai dessa região para inervar a musculatura estriada esquelética, de controle voluntário. Mas, dessa substância cinzenta, também saem axônios que inervam musculatura lisa, cardíaca e glândulas, porém estarão localizados no corno lateral. Do corno anterior saem neurônios multipolares estrelados, grandes e facilmente visualizados. 
O neurônio multipolar apresenta várias quinas saindo do seu corpo celular e nessa foto podemos observar os núcleos das células da glia. O fundo roseado é o neurópilo, falado anteriormente. Nos neurônios, em seus pericários, existem granulações basófilas chamadas de substância de Nissl ou corpúsculo de Nissl – são agregados de retículos rugosos associados com polirribossomos. Então, esse neurônio é chamado de neurônio multipolar estrelado e sua função é motora, ou seja, é um neurônio de eferência da medula. 
No corno posterior, nós também temos neurônios que são multipolares, porém de tamanhos menores. Esses neurônios recebem input do neurônio pseudounipolar localizado no gânglio da raiz dorsal – seus axônios fazem sinapse com os neurônios do corno posterior. Os neurônios do corno posterior são aferentes, funcionalmente falando e morfologicamente são multipolares, porém apresentam axônio curto – apresentam árvore dendrítica muito desenvolvida (já que são sensoriais). 
Nessa imagem, podemos observar a interface entre substância branca (direita) e substância cinzenta (esquerda). Na substância cinzenta é possível identificar neurônios, corpos celulares, núcleos da glia e neuroglia enquanto na branca estão apresentados basicamente fibras amielínicas e fibras mielínicas. As fibras mielínicas, na substância branca da medula, acompanham um maior eixo do órgão, seu maior comprimento. Os pontinhos entre essas fibras são os axônios e corte transversal e essa região esbranquiçada ao redor do mesmo é a imagem negativa da bainha de mielina. As fibras amielínicas não seguem o mesmo sentido das fibras mielínicas, porque elas entram na substância branca e depois assumem esse trajeto. 
No corno lateral também há presença de neurônios motores, porém autônomos. Seus axônios passam pelo corno anterior, saem como componente da raiz ventral que é motora junto com o da região ventral. Esse axônio faz a sinapse com o neurônio presente no gânglio, ou num gânglio da cadeia simpática paravertebral ou num gânglio intramural da parede dos órgãos, que é parassimpático. Temos também as fibras pré-ganglionares e pós-ganglionares. 
	Algo que não podemos esquece é que existem 31 pares de nervos espinhais, cada nervo com uma raiz ventral e uma dorsal. São 8 cervicais, 12 torácicas, 5 lombares, 5 sacrais e 1 coccígeo e cada segmento desse será responsável pela inervação de um segmento do corpo, ou seja, temos uma correspondência – essas subdivisões são chamadas de dermátomos. Temos uma correspondência na pele que tem relação com a inervação, mas não somente nela, também tem as relações com os músculos - com esses segmentos de inervação. Se um indivíduo tem uma lesão no nível lombar, poderá haver comprometimento sua sensibilidade e movimentação dos membros inferiores. Mas, caso haja comprometimento na região cervical, ele poderá comprometer os membros superiores e inferiores – causando uma tetraplegia. 
 
	Quando falamos especificamente das substancias branca e cinzenta, é importante pensarmos que apesar de olharmos a branca e encontrarmos axônios mielínicos na mesma, que histologicamente não apresentam distinção, estudos de base funcional a mapearam e a subdividiram seus funículos em tratos (correspondente a nervos no sistema nervoso central – conjunto de axônios) ou fascículos, que levam informações da medula para os centros neurais superiores e outros tratos que trazem informações dos centros neurais superiores para a medula – logo, alguns são ascendentes e outros descendentes. 
 
	Nessa imagem podemos observar a substância branca e os tratos existentes. Temos, por exemplo, o trato espinotalâmico que liga a medula ao tálamo, sendo um trato ascendente – sensitivo. Outro trato presente é o corticospinal, descendente e consequentemente motor, que irá ligar o córtex cerebral à medula espinal. O nome dos tratos sempre tem relação com a origem e o destino do impulso. Circundando o H medular, temos um trato chamado de fascículo próprio – é um trato interno na medula e suas fibras comunicam diferente segmentos da própria medula. Cada um deles tem uma função própria, ou seja, carregará uma informação específica.
	Do mesmo modo que a substância branca foi mapeada, a substância cinzenta da medula também apresenta um mapeamento. Dentro da região ventral dessa substância cinzenta, existem áreas que têm reunião de neurônios que possuem uma responsabilidade funcional enquanto no corno dorsal acontece o mesmo, temos áreas com reunião de neurônios que perceberão determinados estímulos. Essas subdivisões são chamadas de lâminas de Rexed. 
	→ Meninges medulares
Existem leves diferenças entre as meninges encefálicas e as meninges medulares. As meninges são envoltórios conjuntivos que têm a função de proteger o tecido nervoso do sistema nervoso central. Dentre as meninges, existem três sendo a mais externa a dura-máter, a mediana aracnoide e a mais interna, colado no tecido nervoso, é a pia-máter. Histologicamente, elas apresentam diferenças nas suas organizações. É importante que lembremos que, na região da medula, a dura-máter que é a mais externa, forma um saco chamado de saco dural. Esse saco apresenta um filamento da dura-máter que a prende na vértebra coccígea. A pia-máter, por sua vez, que é a meninge mais apresenta projeções que irão prende-la na dura-máter – chamado de ligamento denticulado. A dura-máter medular é um saco que não está aderido ao osso da vértebra, existe um espaço entre a dura e o osso e por isso existem elementos que permitem a continuidade/adesão com o tecido ósseo da coluna – mas não prendendo em sua totalidade. Entre essas três meninges existem espaços, uns que são reais e outros que são potenciais. O espaço real é aquele que sempre existe e nele haverá algum fluxo de fluido, algum fluido, tecido ou substância. 
A dura-máter, histologicamente, é formada por conjuntivo denso modelado. Seguida dela, temos a aracnoide que possui dois elementos: um elemento contínuo (colado na dura) e um elemento trabecular (que irá se inserir na pia). O fato de a aracnoide ficar colada na pia-máter, por causa dessas traves aracnoideas, estabelece a presença de um espaço chamado de espaço subaracnóideo – é um espaço real em qualquer circunstância. Essa aracnoide é formada por conjuntivo frouxo, as suas traves são de conjuntivo frouxo, mas os fibroblastos dessa área revestem a aracnoide, tanto na parte continua como nas traves, como se fossem célula epiteliais pavimentosas pois são achatados e revestem toda essa superfície. A pia-máter é de tecido conjuntivo frouxo. 
Dentro do espaço subaracnóideo há líquor. Quando esse líquor escapa do espaço ventricular, pelos forames de Luschka e Magendie, ele vai para o espaço subaracnóideo e o líquor do lado de fora do tecido nervoso funciona como uma “almofada d’agua” – sendo um protetor mecânico, a fim de evitar traumas. Além disso, passam vasos sanguíneos que se ramificam, vão penetrando o tecido nervoso e a pia-máter acompanha todas as invaginações. Existe um outro espaço sobre a dura-máter chamado de espaço epidural, que só é real na medula – já que no crânio essa meninge encontra-se aderida ao seu periósteo – e nele encontramos tecido adiposo. O outro espaço é o espaço subdural, que está estre a dura e a aracnoide sendo potencial tanto na medula quanto no encéfalo. 
A dura-máter se projeta pelos forames intervertebrais acompanhando a saída das raízes nervosas e será contínua com o epineuro dos nervos. 
No encéfalo, no interior da dura-máter, existem regiões em que os seus dois folhetos se abrem e formam um