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Secreção salivar

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ducto estriado (começa a ter mais transportadores), a partir dele a saliva começa a ficar hipotônica, ou seja, começa a perder soluto - cloreto de sódio. Nós temos a saliva primária, que também pode ser chamada de primeiro e segundo estágio de produção salivar. O divisor é a parte distal do ducto estriado como falado anteriormente. A saliva foi produzida e está isotônica, ou seja, concentrações semelhantes ao plasma. À medida que essa saliva trafega pelo ducto estriado, ela fica hipotônica e começa a ficar alcalina – perda de cloreto de sódio, o qual está sendo reabsorvido (saindo da saliva e voltando para o sangue). O que está sendo trocado pelos transportadores é potássio, então o que está havendo é uma reabsorção de cloreto de sódio e secreção de potássio e nesse caso também, bicarbonato (que vai dar a característica alcalina). Nesse momento a saliva já está hipotônica. 
Para o sódio adentrar uma célula, é necessário que haja um transportador ativo primário: bomba de sódio e potássio. À medida que ela vai atuando, temos um gradiente favorável para um transportador secundário (que é um contra transporte, também chamado de antiporte) atuar. Então reabsorve sódio, mas troca com H+ - esse H+, se permanecesse na luz, faria com que a saliva fosse ácida. No entanto, ele é reabsorvido para que a troca com o potássio seja realizada. O cloreto faz a troca com o bicarbonato. Lembrando que, a permeabilidade à água pode ser diferente – a partir dos ductos estriados, a permeabilidade é baixa, então mesmo reabsorvendo cloreto de sódio não tem muita reabsorção de água. A parte acinar e dos primeiros ductos apresenta bastante aquaporinas, já no ducto estriado suas quantidades se tornam mais baixas. É por que isso que os constituintes dos solutos se alteram, enquanto o solvente é mantido. 
À medida que vamos produzindo mais saliva, temos que lembrar que os ácinos estão tendo um maior trabalho e aí a produção salivar é aumentada e essa saliva é encaminhada mais rapidamente para os ductos. Isso interfere na reabsorção, já que os transportadores terão muito mais cloreto de sódio para reabsorver, pode acabar ultrapassando o número de transportadores e aumentar a velocidade do fluxo. Então à medida que vamos produzindo mais saliva, nós reabsorvemos um pouco menos de cloreto de sódio, mas mesmo assim a saliva continua sendo hipotônica. Consideremos, no geral, que o potássio e o bicarbonato não mudam muito a sua concentração independentemente da quantidade de saliva produzida.
CONTROLE PELO SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO 
O sistema nervoso autônomo parassimpático é o grande estimulador da produção de saliva. Então, quando sentimos um cheiro, quando vemos um alimento, quando começamos a mastigar é ele quem é estimulado. O neurotransmissor produzido por esse sistema é a acetilcolina. Já o sistema nervoso autônomo simpático, no geral, inibe e produção de saliva, porém, vai apresentar efeito bifásico. Então, na verdade, ele começa a estimular, mas depois inibe. O seu neurotransmissor é a adrenalina e quanto mais adrenalina, maior a inibição. No início, ele até permite a liberação salivar, mas como dito anteriormente, quanto maior a liberação de adrenalina maior a inibição já que ela vai atuar no segundo receptor, que vai diminuir a produção. Quando ficamos ansiosos, com medo, nervosos, ficamos automaticamente com a boca seca – a descarga adrenérgica foi alta. O agonista adrenérgico vai apresentar o mesmo efeito das catecolaminas. Se produzimos pouca saliva, essa passa tranquilamente pelos ductos e todos os transportadores consegue exercer muito bem a sua função, ou seja, reabsorve cloreto de sódio e secreta potássio. Dessa forma, a saliva acaba ficando um pouco mais viscosa por concentrar um pouco mais de mucina. 
INVERVAÇÃO RELACIONADA AOS SISTEMAS SIMPÁTICO E PARASSIMPÁTICO
A inervação simpática tem a ver com nervos torácicos, geralmente de T1 a T3. Já o parassimpático tem a ver com os nervos dos pares cranianos, o glossofaríngeo (IX) e o facial (VII). O glossofaríngeo acaba fazendo a ramificação da glândula parótida, enquanto o facial acaba chegando nas outras duas principais: submandibular e sublingual. 
Como já dito, o sistema autônomo parassimpático é estimulado pelo cheiro, a visão de um alimento, a mastigação, a náusea. Após ser estimulado, há a liberação da acetilcolina que irá interagir com receptores presente nas células acinares é do tipo muscarínico (se liga à acetilcolina) – que estão presentes também nas regiões ductares. Após essa interação, a maquinaria da célula se torna mais ativa já que ocorre vasodilatação e há mais chegada de sangue para as glândulas. Logo, concluímos que o parassimpático vai levar mais sangue à glândula. A calicreína é um componente da saliva e se produzirmos maiores concentrações de saliva, consequentemente temos mais calicreína. Essa substância entra na cascata de produção da bradicinina, que é um excelente vasodilatador fazendo com que o fluxo seja aumentado, assim como o metabolismo, produção de muco, enzimas, de tudo. O excesso de estímulo parassimpático é trófico – aumenta o tamanho da glândula. O sistema simpático não altera o tamanho da glândula. 
Existem dois tipos de receptores: alfa adrenérgicos e beta adrenérgicos. O mesmo neurotransmissor pode atuar em receptores diferentes e que por acaso, eles têm ações diferentes. Supondo que houve uma baixa libração de catecolaminas, nós teremos mais liberação de saliva – por isso que falamos que o sistema simpático é bifásico. Quando as catecolaminas interagem com o receptor alfa adrenérgico, há principalmente contração das células mioepiteliais e também pode fazer um pouco de vasodilatação - essas células são encontradas ao redor dos ácinos. Os receptores alfas são muito sensíveis e estão em menor número, então quando há liberação de catecolaminas há uma interação fazendo com que as células mioepiteliais se contraiam e contraiam os ácinos tendo uma consequente liberação de saliva. Os receptores betas estão mais localizados nas células mioepiteliais, mais do que nos ácinos. Os receptores alfas “abraçam” as células acinares. Esse receptor alfa também está presente em fibras lisas de vasos. Geralmente, os receptores são do tipo alfa. Temos poucos receptores betas, começamos a ter mais receptores alfas e a ligação se torna mais efetiva fazendo com que tenhamos uma descarga adrenérgica alta. Quando temos muito mais receptores alfas, esses suplantam a ação de beta e faz com que haja vasoconstrição. Quando faz vasoconstrição, diminui toda a maquinaria celular resultando na diminuição da secreção/produção salivar. 
*Sulfato de atropina: coíbe a produção salivar, competidor pelo mesmo receptor muscarínico. Inibição do sistema parassimpático. (Anticolinérgico)
DIGITÁLICOS
Dentro das cardiopatias, nós temos os digitálicos que são medicamentos que aumentam a força de contração cardíaca. Como efeito colateral, aumentam a produção de saliva já que atuam sobre os transportadores. 
DOENÇAS
· Xerostomia
Pode ser causada pela hiperatividade simpática ou por lesão da inervação parassimpática. Nessa doença há produção insuficiente de saliva ou até mesmo nula. 
· Síndrome de Sjogren Primária
É uma doença autoimune e pode ser chamada de língua de jacaré. Há diminuição da gustação. O corpo produz anticorpos contra os transportadores das células acinares e se não há transporte de eletrólitos, não há produção de saliva ideal. Há problemas mais amplos. 
· Parotidite infecciosa aguda
É transmitida a partir de um vírus, acomete as parótidas e pode levar ao seu enfartamento. Pode acometer os testículos e o epidídimo. 
· Sialorréia, ptialismo, hipersialia, polissialia 
Excesso de saliva. Normalmente causada pelo consumo de sialagogos (alimentos que estimulam a produção salivar), pode também ser causada por hiperatividade parassimpática. 
· Hiperaldosteronismo
Alta produção de aldosterona. Ela favorece a reabsorção de cloreto de sódio, fazendo com que haja uma maior reabsorção de água. Se tivermos altas concentrações de aldosterona, ela irá atuar nos receptores presentes