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Semiologia ginecológica

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Os órgãos genitais femininos dividem-se em: 
• Internos – vagina, útero, ovários, tubas 
uterinas, ligamentos de suspensão e 
sustentação da pelve. 
• Externos – monte de vênus, períneo, 
vulva, grandes e pequenos lábios, clitóris, 
glândulas de Bartholin e de Skene, 
meato uretral e introito vulvar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Além disso, a pelve feminina é formada pela 
bacia óssea, ossos do ílio, púbis, ísquio, sacro 
e cóccix, músculos e ligamentos (sendo os 
mais importantes o diafragma pélvico e 
urogenital). 
 
O suprimento sanguíneo é realizado, 
predominantemente, pelas artérias 
pudendas internas e a drenagem linfática é 
realizada pelos linfonodos inguinais. 
A abordagem de uma paciente na 
ginecologia e obstetrícia (GO) se inicia com a 
história clínica. 
O exame ginecológico tem como objetivo a 
avaliação da pelve feminina através da 
inspeção estática e dinâmica, toque 
vaginal simples ou bimanual e exame 
especular, além da propêudica 
complementar (teste de Schiller e do 
ácido acético). 
• Na criança, o exame é realizado para 
avaliar vulvovaginites, presença de 
corpos estranhos, sangramentos e 
violência sexual. 
• No adolescente, o exame ginecológico 
deve ser focado no início da atividade 
sexual através do rastreamento das ISTs, 
contraceptivos e prevenção do câncer. 
• Na mulher adulta e em pós-menopausa, 
o exame dos órgãos genitais tem como 
objetivo a prevenção e diagnóstico de 
diferentes afecções. 
 
 
 
Semiologia da mulher 
 
 
 
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O exame é realizado na posição 
ginecológica (também chamada de 
posição litotômica ou talha), quando a 
paciente está deitada com a face voltada 
para cima, com flexão de 90° do quadril e 
joelho, expondo o períneo. 
A elevação do dorso de 30° a 45° proporciona 
a paciente mais conforto. 
 
O examinador deve se posicionar entre as 
pernas da paciente, de preferência sentado 
em uma altura que permita a realização dos 
vários procedimentos ginecológicos. 
 
É muito importante já deixar separado e 
preparado os instrumentos necessários para 
o procedimento! 
 
Antes de qualquer procedimento, a consulta 
se inicia com a anamnese. 
Muitas pacientes se sentem desconfortáveis 
com a exposição e, por isso, é muito 
importante estabelecer uma relação entre 
médico e paciente. 
 
Na anamnese será colhida as seguintes 
informações: 
• Nome, idade, estado civil, profissão 
• Ciclo menstrual – perfil, duração, data da 
última menstruação 
• Idade da menarca e menopausa 
• Uso de medicamentos – diabetes, 
anticoncepcional (já usou, se usa e por 
quanto tempo) 
• Antecedentes sexuais – idade da 
primeira relação sexual 
• Antecedentes obstétricos – número de 
partos, abortamentos, gravidez 
patológica 
• Antecedentes familiares 
• História da doença 
• Motivo da consulta 
Pilificação: 
Se inicia com a avaliação da pilificação, 
principalmente no monte de Vênus, região 
perineal, raiz das coxas e anorretal. 
• A diminuição ou ausência de pelos pode 
estar relacionada a síndromes associadas 
à diminuição de androgênios e pacientes 
em pós-menopausa. 
• O aumento do pelo, chamado de 
hirsutismo, pode representar aumento de 
androgênios por distúrbios dos ovários ou 
suprarrenais. 
Pequenos e grandes lábios: 
Após, realiza-se a avalição morfológica dos 
pequenos e grandes lábios. 
• Na infância, os grandes lábios são mais 
evidentes que os pequenos, em virtude da 
não estimulação estrogênica. Após a 
menarca e com a puberdade, o aumento 
dos hormônios sexuais resulta em 
maturação da genitália feminina, 
estimada pela escala de Tanner. 
• Na pós-menopausa, os grandes lábios se 
atrofiam novamente, dando a impressão 
de que os pequenos lábios são maiores. 
Procurar por ulceras, cicatrizes, edema, 
alterações atróficas, lesões traumáticas, 
lesões inflamatórias, massas e cistos. 
 
 
 
 
 
 
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Glândulas de Bartholin: 
Também avaliamos as glândulas de 
Bartholin, responsáveis pela lubrificação 
vaginal. 
As glândulas não são palpáveis quando 
saudáveis, mas quando estão inflamadas, é 
possível que cresça e forme uma tumoração 
no introito vulvar, indicativa de 
bartholinite. 
Intróito vaginal: 
A membrana himenal apresenta-se de 
várias formas: anular, fimbriada, cribiforme 
e imperfurada. 
 
Procurar por integridade epitelial, trofismo 
genital, presença de lesões inflamatórias, 
verrugas, corpos estranhos e corrimentos 
vaginais. 
 
Períneo: 
O períneo é o espaço que fica entre a fúrcula 
vaginal e o ânus. Na sua avaliação, 
descrevemos a presença de rupturas 
causadas pelo parto, lesões da pele e 
processos infecciosos ou inflamatórios. 
As lacerações perineais são classificadas em 
3 estágios: 
• Lesão de 1° grau – atinge somente a pele 
e mucosa. 
• Lesão de 2° grau – atinge a musculatura, 
sendo evidenciada pela diástase dos 
músculos perineais. 
• Lesão de 3° grau – a laceração se estende 
até o esfíncter externo do ânus. 
Nessa etapa devemos pedir que a paciente 
que realiza movimentos que aumentem a 
pressão abdominal, tornando evidente as 
distopias genitais (prolapso dos órgãos). 
A manobra de Valsalva é usada, nesse caso. 
Essa técnica baseia-se no ato de tossir ou 
soprar no dorso da mão e assim avaliamos se 
ocorre procidência do útero, abaulamento 
das paredes vaginais ou perda de urina. 
As distopias são resultado do 
enfraquecimento das estruturas que 
formam o assoalho pélvico. 
Quando temos a procidência da parede 
vaginal anterior, chamamos de cistocele e, 
quando é da parede posterior, retocele. 
• Teste de Collins – nesse exame, um 
medicamento com o azul de toluidina é 
aplicado na vulva. As lesões coradas em 
azul serão consideradas suspeitas, sendo 
necessária a realização da biópsia. 
É uma inspeção da genitália interna. 
É importante orientar a paciente sobre o que 
será feito. 
Seu objetivo é inspecionar o colo uterino 
(ectocérvice), vagina, seu conteúdo e o 
colabamento das paredes durante a retirada 
do espéculo. 
Para esse exame usamos o espéculo de 
Collins, disponível em 3 tamanhos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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O espéculo deve ser introduzido com uma 
angulação de 45°, com o vetor de entrada 
apontado para a parede posterior da vagina, 
para se desviar do meato uretral, e de forma 
lenta e gradual. Após, é colocado de forma a 
deslocar a parede anterior e posterior. Com 
a introdução completa, gire-o mais 45° em 
sentido horário e o coloque na posição 
horizontal. 
 
 
A abertura do espéculo permite a 
visualização do colo. Se este não for visível, 
pequenos ajustes e básculas devem ser 
feitos, tentando localizá-lo. A maior causa de 
não visualização do colo é a introdução 
incompleta do espéculo. 
 
Inspeção das paredes vaginais e secreção: 
Iniciamos, então, a inspeção das paredes 
vaginais, observando trofismo, que reflete a 
ação do estrogênio sobre esse tecido. 
Pacientes com menacme (período fértil da 
mulher) tem paredes vaginais rugosas e 
úmidas, enquanto que as pacientes em pós-
menopausa, lisas e secas. 
A presença de secreções vaginais e seu 
aspecto devem ser descritos. 
• Secreção clara, cristalina e límpida é 
considerada fisiológica e representa a 
produção normal das glândulas da 
endocérvice e vestíbulo vulvar. 
• Caso uma secreção anormal seja 
identificada, essa deve ser avaliada 
quanto ao volume, cor, consistência e 
presença de dor. 
• Quando a secreção apresenta cor 
esverdeada, amarelada, branca ou 
acinzentada, provavelmente está 
presente algum patógeno. 
Além disso, o pH vaginal de 4,5. Quando 
maior, sugere infecção ou desequilíbrio da 
flora. 
Devemos conferir avaliar, também, os 
fundos de saco vaginais, principalmente se 
houver abaulamentos, que podem indicar 
tumoração pélvica. 
Inspeção do colo do útero: 
Na avaliação do colo do útero, é importante 
relatar a localização, morfologia, 
tamanho (principalmente