A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
7 pág.
Planejamento Familiar - Anticoncepção Hormonal Combinada

Pré-visualização | Página 1 de 1

Priscila Behrens 2020.2 
Planejamento Familiar - AHC 
 
 
Conceito: 
• Conjunto de ações que auxiliam homens e mulheres a planejar a chegada 
dos filhos, e a prevenir gravidez não desejada. É regido pela lei federal 
9.236/96, onde diz que o planejamento familiar é direito de todo o cidadão 
e se caracteriza pelo conjunto de ações de regulação da fecundidade que 
garanta direitos iguais de constituição, limitação ou aumento da prole pela 
mulher, pelo homem ou pelo casal. 
• O estado não pode interferir no número de filhos que o casal pode ter, 
como acontece na China. 
 
Anticoncepção Hormonal Combinada - AHC: 
• Associação entre um componente estrogênico e outro progestogênico, 
que combinados promovem o efeito contraceptivo. 
 
Formas de administração: Injetável, Vaginal, Transdérmico e Oral. 
 
Mecanismo de ação: 
• Estrogênico: 
o Inibe o pico de FSH porque o nível de estrogênio no organismo fica 
estável, evitando assim, a seleção e o crescimento do folículo 
dominante; 
o Estabiliza o endométrio; 
o Potencializa a ação do componente progestogênio aumentando os 
receptores de progesterona intracelulares; 
o Componente que reduz os sangramentos de escape. 
 
• Progestogênico: 
o Provoca a anovulação por inibição do eixo Hipotálamo-Hipófise-
Ovariano > Inibe o pico pré-ovulatório do LH evitando a ovulação; 
o Torna o muco cervical mais espesso, dificultando a ascensão dos 
espermatozoides; 
o Exerce um efeito antiproliferativo no endométrio, tornando-o não 
receptivo à implantação por ficar mais fino; 
o Altera a secreção e a peristalse das trompas de Falópio, 
dificultando o transporte do espermatozoide e do embrião até o 
útero. 
 
Priscila Behrens 2020.2 
Efeitos Adversos: 
• Estrogênicos: 
o Náuseas e vômitos; 
o Mastalgia (dor mamária); 
o Cefaleia (principalmente se a paciente já possui histórico de 
enxaqueca); 
o Irritabilidade; 
o Cloasma. 
 
• Progestogênicos: 
o Fadiga; 
o Aumento de apetite; 
o Acne e oleosidade da pele; 
o Sangramento uterino irregular – pode ser amenizado com o 
aumento da dosagem do medicamento; 
o Aumento de peso. 
 
 
 
 
 
 
Priscila Behrens 2020.2 
Efeitos Metabólicos: 
• Pressão arterial: O elemento estrogênico aumenta a síntese hepática de 
angiotensinogênio, que por sua vez, eleva a pressão arterial sistêmica a 
partir do sistema renina-angiotensina-aldosterona; 
o Atentar-se à pacientes hipertensas não controladas; 
 
• Metabolismo dos carboidratos: O elemento estrogênico induz a 
resistência de insulina, sem impacto significativo no metabolismo glicídico 
de mulheres saudáveis e não diabéticas; 
 
• Sistema hemostático: Os AHCs induzem aumento da resistência à 
proteína C reativa, colaborando para um estado pró-trombótico. (Eles 
aumentam cerca de 2 à 6 vezes o risco de trombose venosa profunda -
TVP- se compararmos as mulheres não usuárias de AHCs) 
o Atentar-se ao histórico familiar, riscos relacionados ao elitismo e 
tabagismo, obesidade, mobilidade etc., para prescrever um AHC; 
o Geralmente, pacientes com histórico de TVP, é melhor não 
prescrever método hormonal para ela. 
 
Contraindicações: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Priscila Behrens 2020.2 
 
Diretrizes - Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia (ACOG) x OMS: 
 
 
 
Exames necessários: 
• Nesse caso a clínica é determinante, não sendo necessária a solicitação 
de exames subsidiários; 
• Anamnese cuidadosa e o antecedente pessoal e familiar e exame físico 
(aferição da PA) para determinar prescrição ou não. 
 
 
 
Priscila Behrens 2020.2 
 
Efeitos secundários, de efeito positivo: 
• Melhora os sintomas da síndrome da tensão pré-menstrual TPM 
(mastalgia, irritabilidade e cefaleia); 
• Melhora da dismenorreia primária ou secundária (principalmente em 
casos de uso contínuo); 
• Melhora dos sintomas da endometriose (uso contínuo); 
• Diminuição do volume do fluxo sanguíneo – sangramento de supressão; 
• Ajuda na redução/desaparecimento de cistos ovarianos simples em um 
tempo muito mais rápido devido ao “repouso ovariano”; 
• Usuária de longa data de contraceptivos hormonais combinados tem 
menos risco de câncer de ovário, câncer de endométrio e até do câncer 
intestinal como alguns estudos indicam. 
 
Uso clínico: 
▪ Oral: 
• A prescrição deve iniciar na fase folicular precoce até o 5º dia do clico 
menstrual (para a primeira cartela); 
• As formulações orais podem ser administradas a cada 24 horas, das 
seguintes formas: 
o 21 dias, com 7 dias de pausa – Etinilestradiol associado com 
Levonogestrel, Gestodeno, Desogestrel, Clormadinoma, 
Drospirenona ou Ciproterona; 
o 22 dias, com 6 dias de pausa – Etinilestradiol associado com 
Desogestrel trifásico; 
o 24 dias, com 4 dias de pausa – Etinilestradiol associado com 
Levonogestrel. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aguardar pelo menos 3 meses de 
uso da pílula para avaliar se é 
necessário mudar ou não. 
Priscila Behrens 2020.2 
• Gerações dos Anticoncepcionais Orais e as suas Classificações: 
 
• Primeira geração: mais antigo e provocava muitos efeitos colaterais; 
• Segunda geração: muito utilizado para SOP, ajuda a melhorar o 
aspecto da acne; 
• Terceira geração: mais utilizados no mundo; 
• AOs não classificados em gerações: são os mais novos no mercado 
farmacêutico, como o DIANE 35mg. ** Ac. Ciproterona é eficaz no 
tratamento dos sintomas androgênicos nas pacientes. 
o Hoje em dia tem se buscado a menor dose hormonal efetiva, 
que provoque menos efeitos colaterais; 
o Pílulas com 15µg de EE são novas, porém, existe uma maior 
chance de ter sangramento de escape e pode ser incômodo 
para paciente. 
 
▪ Injetável: 
• Aplicação é realizada a cada 30 dias, preferencialmente nas nádegas: 
o Mesigyna® – 25mg de valerato de estradiol e 50mg de enantato 
de norestiterona 
o Perlutan®, Preg-Less® e Daiva® – 10mg de enantato de 
estradiol e 150mg de algestona acetofenida 
o Ciclofemina® e Depomês® – 5mg de cipionato de estradiol e 
25mg de medroxiprogesterona. 
**Necessita de um profissional da saúde para aplicação e tem 
sangramento de escape. 
 
 
 
Priscila Behrens 2020.2 
▪ Anel Vaginal: 
• Pode ser inserido com aplicador específico ou manobra digital – Após 
inserção ele deve ser mantido por três semana e então removido por 
uma semana, quando um novo anel deve ser colocado (se a paciente 
não quiser menstruar, não precisa realizar essa pausa, apenas faz a 
troca do anel); 
• Efeitos colaterais menos intensos pois não tem a passagem hepática. 
o Nuvaring® – Etonogestrel e EE. 
 
▪ Adesivo Transdérmico: 
• Deve ser colado sob a pele, nos braços, nas costas ou na região 
abdominopélvico anterior ou posterior. Cada adesivo permanece 
colado na pele por 7 dias, totalizando 21 dias de uso, seguidos de 7 
dias de pausa (se a paciente não quiser menstruar, não precisa 
realizar essa pausa, apenas faz a troca do adesivo); 
• Também não tem a passagem hepática; 
• Maior custo; 
• Método não foi bem aceito no Brasil. 
o Evra® – Norelgestromina e EE