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10 - Visão Geral dos Remédios Constitucionais

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10 - Visão Geral dos Remédios Constitucionais

Visão Geral dos Remédios Constitucionais
1. Introdução
O Título II da Constituição é denominado “Dos Direitos e Garantias Fundamentais”. Os Direitos
normalmente têm conteúdo declaratório, dando um sentido legal à existência da vida, liberdade,
segurança; enquanto as Garantias são medidas assecuratórias de proteção com conteúdo mais
processual. 
Os direitos são protegidos pelas garantias, e a separação entre estas categorias não é feita
de maneira exata.
2. Garantias
Segundo José Afonso da Silva, as Garantias são divididas em gerais e específicas. 
As gerais são formadas pelos princípios de natureza mais processual, que se encontram
expressos e implícitos, como a vedação ao juízo de exceção, a ampla defesa, o acesso à justiça,
entre outros.
As garantias fundamentais específicas são formadas pelos remédios constitucionais, que são
separados em administrativos e judiciais. Os primeiros são formados pelo direito de petição e de
obtenção de certidões, garantidos no art. 5º, XXXIV. É a partir da petição formal e escrita, sem
pagamento de taxas ou necessidade de advogado, que se exerce o direito de receber
informações e pedir ação da Administração Pública.
Também com base neste artigo pode-se pedir certidões de órgãos públicos, formalizando um
ato, fato ou situação. Sendo o direito de certidão denegado, será utilizado o remédio constitucional
do mandado de segurança.
Art. 5º
XXXIV são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:–
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso 
de poder;
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento 
de situações de interesse pessoal;
3. Remédios Constitucionais
Os remédios constitucionais judiciais estão contidos entre os incisos LXVIII e LXXIII do art. 5º.:
Habeas corpus, habeas data, ação popular, mandado de injunção e mandado de segurança, que
possui as modalidades individual e coletiva.
Dentre eles, as ações mais recentes do constitucionalismo brasileiro são o habeas data, o
mandado de injunção e o mandado de segurança coletiva, surgindo todos em 1988.
Cada um deles possui uma finalidade:
• Habeas Corpus : Defende a liberdade de ir e vir que esteja ameaçada ou já sofreu lesão
• Habeas Data : Proposta para conhecer, retificar ou complementar dados pessoais
• Ação Popular : Defende os direitos difusos, que pertencem a coletividades indeterminadas
• Mandado de Injunção : Tutela os direitos fundamentais da CF pendentes de regulamentação
• Mandado de Segurança : Função residual, usado se não há remédio cabível
3..1. Habeas Corpus
Previsto no art. 5º, LXVIII, o habeas corpus é o remédio constitucional mais informal,
podendo ser impetrado por qualquer pessoa natural ou jurídica, nacional ou estrangeira, sendo
o único que não precisa de advogado. 
É o remédio constitucional mais antigo de todos, surgindo na Constituição de 1891. A
liberdade de locomoção, direito que esse remédio defende, está prevista no art. 5º, XV, da
CRFB/88.
É uma ação gratuita para todas as pessoas, conforme o art. 5º, LXXVII, e também a de
procedimento mais rápido, preferência de julgamento em relação às demais ações.
Existe nas modalidades individual e coletiva. Esta última é fruto da jurisprudência e pode
ser impetrada pelos legitimados ativos do art. 12 da Lei 13.300/2016 (Lei do Mandado de
Injunção).
Quando preventivo, o habeas corpus cuidará de ameaça à liberdade de locomoção e o
pedido a ser feito será o de salvo-conduto. Por outro lado, o HC repressivo ou liberatório tem
como pedido o alvará de soltura.
Art. 5º
LXXVII são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da lei, os atos –
necessários ao exercício da cidadania.
3..2. Habeas Data
O habeas data, segundo o art. 5º, LXXII, permite que se conheça ou retifique dados
pessoais, em nome da intimidade e da vida privada. O art. 7º, III, da Lei 9.507/97 adiciona mais
uma possibilidade de seu uso, podendo complementar dados pessoais. 
Segundo entendimento majoritário, não se permite pedido cumulativo no HD, portanto, ele
só serve para executar uma das ações acima por vez.
Os dados pessoais são relativos à própria pessoa do impetrante, como o nome, a
escolaridade, saúde, entre outros. Esta é uma ação de natureza personalíssima, não sendo
cabível para descobrir informações sobre terceiros, exceto no caso em que herdeiro do de
cujus o utilize.
O HD é uma ação que exige um condicionamento administrativo, a tentativa de acesso ao
dado no plano administrativo, conforme a súmula 2 do STJ, sendo este negado. Segundo o art.
8º da Lei 9.507/97, o decurso do tempo faz prova da recusa do dado. Destaque-se que não
é necessário o esgotamento da instância administrativa.
Esta também é uma ação gratuita para todas as pessoas, na forma do art. 5º, LXXVII.
3.3. Ação Popular
A ação popular, prevista no art. 5º, LXXIII, da CRFB/88, é a ação da cidadania, que só
pode ser proposta pelo cidadão, ou seja, o eleitor, brasileiro nato ou naturalizado que esteja no
gozo dos seus direitos políticos, tanto que deve ser instruída com cópia do título de eleitor,
conforme o art. 1º, §3º da Lei 4.717/65. Pode ser proposta por um ou mais de um cidadão.
Art. 5º
LXXII conceder-se-á habeas data:–
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, 
constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter 
público;
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial 
ou administrativo;
Art. 7º
III para a anotação nos assentamentos do interessado, de contestação ou explicação –
sobre dado verdadeiro mas justificável e que esteja sob pendência judicial ou amigável.
Como consequência, pessoa jurídica não pode ingressar com ação popular, já que não é
eleitora, é este o conteúdo da Súmula 365 do STF.
Surgiu na Constituição de 1934, deixou de fazer parte do ordenamento jurídico em 1937
e retornou com a Constituição de 1946.
Seu objetivo é defender direitos difusos, que pertencem a coletividades indeterminadas,
como o meio ambiente, o patrimônio histórico e cultural, a moralidade administrativa. Visa
combater atos ou contratos ilegais que estejam causando ou já tenham causado lesão ao bem
comum, permitindo a fiscalização dos governantes.
Se proposta de boa-fé, a ação popular será gratuita, caso contrário, será onerosa. Tal
qualificação independe do êxito da ação.
Tal remédio constitucional assume a forma preventiva e a repressiva. A primeira pode
ser utilizada quando houver ameaça de lesão ao bem comum, enquanto a última será proposta
para combater a lesão que já ocorreu e tem um prazo de 5 anos para a sua propositura. 
A ação popular não possui prerrogativa de foro funcional, ou seja, via de regra é
proposta perante a justiça de 1º grau estadual ou federal, segundo o art. 5º da Lei 4.717/65.
Existem 2 hipóteses em que a ação começa a tramitar perante o STF, previstas no Art.
102, I, “f” e “n”. No primeiro, há um conflito federativo, litígio entre a União e Estado-membro,
e no segundo não existe nenhum magistrado imparcial para realizar o julgamento.
3.4. Mandado de Injunção
O mandado de injunção é o remédio que defende direitos fundamentais que estejam
previstos na Constituição mas que necessitam de regulamentação, ou seja, defende a plena
efetividade de normas de eficácia limitada que são definidoras de direitos fundamentais. É
exemplo o art. 37, VII, que garante o direito de greve dos servidores, desde que exista lei
regulamentadora específica. 
Está regularizada no art. 5º, LXXI, da CF e, no plano infraconstitucional, foi criada a Lei
13.300/2016.
Art. 5º Conforme a origem do ato impugnado, é competente para conhecer da ação, 
processá-la e julgá-la o juiz que, de acordo com a organização judiciária de cada Estado, o 
for para as causas que interessem à União, ao Distrito Federal, ao Estado ou ao Município.
Art. 5º 
LXXI comceder-se-á