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FICHAMENTO ETICA 01

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o conhecedor das leis, técnico e bom interpretador de normas; deve o candidato ao cargo demonstrar bom senso, equilíbrio e idealismo. Assim como não se concebe decisão judicial desmotivada, a manifestação ministerial há de ser consistente. A elaboração do relatório imprime certeza de que os autos foram efetivamente examinados e o profissional fez a apreensão de todos os elementos essenciais ao conhecimento da demanda.
Do mesmo modo, em que o juiz por muitas vezes torna-se o reflexo de sua formação e de suas ideologias, os promotores, defensores públicos, advogados, procuradores, entre outros, acabam não buscando noutros horizontes o conhecimento sociológico, político, econômico, filosófico, pois os problemas do dia-a-dia não são somente de ordem jurídica. A diferença é que os demais não são investidos do princípio da imparcialidade ou neutralidade, pelo contrário, suas funções são parciais. O advogado, por exemplo, deve lutar em favor de seu cliente ou do ente público que esteja representando, enquanto o membro do Ministério Público deve em muitas vezes lutar em desfavor da outra parte, ainda que tenha como função constitucional defesa da ordem jurídica e do Estado Democrático de Direito, como preceitua o art. 127 da Constituição Federal de 1988.
Capítulo 10 – ÉTICA DO JUIZ
Sabe-se que, por meio da Ética, o homem usa a sua consciência para servir de apoio e direcionar suas ações. E, por meio do Direito, lhe é imposto normas de conduta e comportamento. A razão de nossa reflexão, fundamentada na Ética e no Direito, faz-se necessária para salientar a relação de complementariedade entre estes institutos, ressaltando a importância da observância destes, não apenas no meio profissional, mas também, pessoal. Cumpre salientar que, tanto a Moral como o Direito baseiam-se em regras, que visam estabelecer determinada previsibilidade para as ações humanas.
 No entanto, a Moral estabelece regras, que são assumidas, como uma forma de garantir o bem-viver e que garantem uma identidade entre as pessoas, que a utilizam como um referencial comum, independente de fronteiras geográficas. Já o Direito, busca estabelecer o regramento de uma sociedade, mas delimitado por fronteiras geográficas. Quanto à Ética, esta é uma reflexão sobre a ação humana, sendo que, um dos seus objetivos, é a busca de justificativas para as regras propostas tanto pela Moral, quanto pelo Direito. Portanto, a Ética é diferente da Moral e do Direito, pelo fato de não estabelecer regras. E, tal abordagem torna-se imprescindível, diante do contexto do mundo em que vivemos, em que há um desvirtuamento da conduta humana, refletido nas atitudes cotidianas que presenciamos, assentando-se na constante perda de valores.
 Diante do exposto, estes serão os parâmetros, esses que devem ser observados pelos juízes, esse que ocupa a atenção de todos os brasileiros nestes últimos tempos. 	
O julgador passou a merecer críticas diárias da mídia, bem como a ter a sua conduta esmiuçada em todas as redes sociais, e adquiriu um protagonismo que a história do sistema justiça nunca dantes registrou. Vários fatores interferiram no excessivo protagonismo do juiz. O enfrentamento de questões polêmicas por um Supremo Tribunal Federal que teve de suprir a omissão legislativa. O uso da TV Justiça para retransmitir sessões em que os assuntos que atraem a atenção da cidadania são exaustivamente debatidos, com a adoção de certa teatralidade sedutora de plateias interessadas. O ativismo do Judiciário, que resolveu assumir uma postura de intensa interferência em todas as políticas públicas e assumiu o papel de guardião da moralidade pátria.	Embora o juiz possua seu próprio código de ética ao fundamentar toda e qualquer decisão, o juiz estará a “prestar contas” à sociedade que o remunera, quanto aos fatores que formaram o seu convencimento. Permitirá a qualquer pessoa acompanhar seu raciocínio, aferir se ele se fundamenta no ordenamento e se não conflita com a intuição do justo que é imanente à comunidade nacional.	Essa é uma efetiva forma de legitimação. Mas, ao cumprir sua missão com observância de todos os deveres impostos a uma prestação estatal revestida de simbolismo e de sensível expectativa de conduta, o juiz também auferirá o consentimento da comunidade a que serve. Todavia, se o CNJ não tivesse editado o Código de Ética, nem por isso estariam os juízes liberados de uma conduta pautada por preceitos deontológicos. Existem normas éticas positivadas na Constituição da República. O constituinte emitiu comandos destinados ao juiz, dos quais sempre se pode extrair o lineamento básico de seu comportamento moral profissional.
A exatidão exigida ao juiz novamente o remete ao dever de estudo continuado. Somente o juiz tecnicamente preparado, conhecedor da lei, da doutrina e da orientação pretoriana, poderá tentar exercer sua função de maneira exata. Tudo isso sem perder contato com a vida real. Essa exatidão é exigida para o cumprimento da lei e, também, para a observância dos chamados atos de ofício. Depois, o juiz deve ser pessoa sensata.						
 A circunstância de atender a quem o procura não acarreta a perda da independência do julgador. Presume-se que o juiz revista a condição de ser humano qualificado que, depois de vencer concurso severo, reveste condições técnicas e de experiência da vida para afastar contatos que influenciem negativamente seu julgamento. Raras as vezes em que isso ocorre com um juiz de bem. Um profissional equilibrado, sereno e confiante em seus atributos de conhecedor do direito e da natureza humana. O interesse do particular, como regra, é obter informação que o juiz pode fornecer sem comprometimento da equidistância. A Justiça não precisa continuar a ser o território indevassável, a Arca da Aliança, o Sacrário ou o Santo dos Santos que faça perecer quem se aproxime de seus sumos sacerdotes.				A Justiça é uma necessidade humana, propiciada por seres humanos, para reduzir a aflição dos aflitos. Não há temer o contato com o desvalido. Afaste-se o perigo de contágio com as partes. Todos são feitos do mesmo material: a fragilidade da condição humana. O juiz só tem maiores responsabilidades. Mas não pode ser inacessível, menos ainda intocável.
Já se assinalou que, no processo, o juiz deve procurar manter a imparcialidade, empenhar-se na busca da verdade real, zelar pelo efetivo cumprimento dos prazos e atuar, enfim, com devotamento.A imparcialidade consiste em postar-se o juiz em situação de equidistância das partes. Mas é mais do que isso. Imparcial é o juiz que procura compensar a debilidade de uma das partes, para garantir o equilíbrio de oportunidades a cada qual conferidas. Imparcial é o juiz que se sensibiliza com o hipossuficiente, perante cuja fragilidade o atuar equidistante é sinônimo de injustiça. Imparcial é o juiz que não teme reconhecer ao poderoso a sua razão, quando ela é evidentemente superior à do mais fraco, contudo para quem acha que o juiz não pode ser punido, vejamos: 									O juiz pode ser punido com advertência, censura, remoção compulsória, disponibilidade com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço, aposentadoria compulsória com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço e demissão. A aplicação dessas penas dependerá da gravidade da infração cometida. 
Por esperamos juízes que atuem no universo que lhe foi reservado, que trabalhe no limite de suas atribuições e capacidade. Não esmorecer. Acreditar na justiça. Acreditar-se capaz de transformar a vida e o futuro das pessoas.