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Pochmann - o-mito-da-grande-classe-media

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Sobre o autor
Marcio Pochmann é professor titular do Instituto de Economia da
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisador do Centro de
Estudos Sindicais e de Economia da mesma instituição. Consultor de várias
entidades internacionais e nacionais, pesquisador visitante em universidades
europeias, foi secretário do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade de São
Paulo (2001-2004) e presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(2007-2012). Pela Boitempo, publicou O emprego na globalização: a nova divisão
internacional do trabalho e os caminhos que o Brasil escolheu (2001), O emprego no
desenvolvimento da nação (2008) e Nova classe média?: o trabalho na base da
pirâmide social brasileira (2012).
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Copyright © Boitempo Editorial, 2014
Copyright © Marcio Pochmann, 2014
 
Coordenação editorial
Ivana Jinkings
Editoras-adjuntas
Bibiana Leme e Isabella Marcatti
Assistência editorial
Thaisa Burani
Preparação
Sara Grünhagen
Revisão
Luciana Lima
Diagramação
Antonio Kehl
Capa
David Amiel
sobre foto de Daniel Oines, 2007
Produção
Adriana Zerbinati
Diagramação
Schäffer Editorial
 
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
P793m
Pochmann, Marcio, 1962-
O mito da grande classe média [recurso eletrônico] : capitalismo e estrutura social / Marcio Pochmann. -
1. ed. - São Paulo : Boitempo, 2015.
recurso digital
 
Formato: ePub
Requisitos do sistema: adobe digital editions
Modo de acesso: World Wide Web
ISBN 978-85-7559-386-8 (recurso eletrônico)
1. Classe média - Brasil. 2. Estrutura social - Brasil. 3. Brasil - Condições sociais. 4. Brasil - Condições
econômicas. 5. Desenvolvimento econômico - Brasil. 6. Livros eletrônicos. I. Título. II. Série.
 
14-12525
CDD: 305.550981
CDU: 316.342.2
 
É vedada a reprodução de qualquer
parte deste livro sem a expressa autorização da editora.
 
Este livro atende às normas do acordo ortográfico em vigor desde janeiro de 2009.
 
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a
 edição: abril de 2014
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SUMÁRIO
Prefácio - Marilena Chaui
Apresentação
1. Classe média em quatro tempos
1.1. No capitalismo da livre concorrência
1.2. No capitalismo oligopolista
1.3. No capitalismo pós-industrial
1.4. No capitalismo monopolista transnacional
1.4.1.Padrões de mobilidade e classe média
1.4.2. Deslocamento da riqueza e geografia do crescimento
1.4.3. Redivisão internacional da classe média
1.4.4. Experiência brasileira recente
Considerações finais
2. Classe média: fatos e interpretações no Brasil
2.1. Padrão de crescimento econômico e estrutura social no capitalismo
avançado do segundo pós-guerra
2.2. Industrialização tardia e subconsumo da classe trabalhadora brasileira
2.3. Ascensão dos trabalhadores pobres e projeto social-desenvolvimentista
Considerações finais
3. Cadeias globais de produção e ciclos de modernização no padrão de consumo
brasileiro
3.1. Cadeias produtivas globais e massificação do consumo de baixo custo
3.1.1. Novo paradigma de produção
3.1.2. Sociedade low cost
3.2. Ciclos de modernização do padrão de consumo no Brasil
3.2.1. Alteração na estrutura dos preços relativos
3.2.2. Efeitos da renda e a massificação do consumo popular
3.2.3. Impacto da tributação sobre a renda das famílias
3.2.4. Alteração na composição do padrão de consumo por nível de renda
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Considerações finais
4. Trajetórias distributivas no Brasil
4.1. Sentido geral da mobilidade social
4.2. Transformações na estrutura ocupacional
4.3. Mudanças na distribuição de renda
4.3.1. Renda familiar
4.3.2. Renda individual
4.3.3. Renda dos ocupados
Considerações finais
Referências bibliográficas
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Como a tradição autoritária da sociedade brasileira não pode admitir a existência de
uma classe trabalhadora que não seja constituída pelos miseráveis deserdados da terra,
os pobres desnutridos, analfabetos e incompetentes, imediatamente passou-se a afirmar
que surgiu uma nova classe média, pois isso é menos perigoso para a ordem
estabelecida do que uma classe trabalhadora protagonista social e política.
(Marilena Chaui, Uma nova classe trabalhadora)
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2. CLASSE MÉDIA: FATOS E INTERPRETAÇÕES NO
BRASIL
O movimento de transformação da estrutura social brasileira a partir da virada
para o século XXI se apresenta como um fato praticamente inquestionável. O
mesmo não pode ser dito em relação às interpretações sobre o sentido geral dessas
mudanças no conjunto da sociedade.
Inicialmente, a hipótese da alteração na estrutura da sociedade expressa pela
identificação de uma nova classe média se estabeleceu rapidamente com
dominância explicativa. Gradualmente, contudo, outras interpretações mais
profundas a respeito do curso das transformações no capitalismo contemporâneo
e de seus efeitos condicionantes no interior da estrutura social brasileira foram
surgindo, capazes de questionar a versão da nova classe média por conta de sua
fragilidade e de seu simplismo, e por ser tal hipótese desprovida de maior rigor
acadêmico.
É nesse contexto que o presente capítulo analisa o movimento recente da
incorporação de parcela importante dos trabalhadores de baixa renda no padrão
tardio de consumo fordista, equivocadamente associado à ascensão social de
classe média. Para isso, busca-se recuperar brevemente as bases por meio das
quais a expansão capitalista do segundo pós-guerra do século passado produziu
estruturas sociais diferenciadas entre os países.
De um lado, veem-se as economias desenvolvidas que conformaram as
estruturas sociais com algum grau de relativa identidade em função do padrão de
crescimento urbano e industrial e da ação do Estado de bem-estar social. Em
decorrência disso, houve a generalização da posse dos bens de consumo duráveis,
inclusive daqueles de maior valor unitário, como automóvel e casa própria, o que
simbolizou um ciclo de expansão econômica associado a certa desconcentração
de renda. Inegavelmente, a pressão organizada dos trabalhadores contribuiu por
meio das entidades sindicais para a elevação do salário real em conformidade com
os ganhos de produtividade e para a redução da jornada de trabalho. Através dos
partidos políticos, a agenda dos trabalhadores foi transformada em políticas
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públicas, e isso por meio da consolidação e da ascensão do Estado de bem-estar
social.
De outro lado, há os demais países capitalistas que, sem registrar a difusão
integral do padrão fordista do crescimento urbano e industrial, terminaram por
constituir estruturas sociais diferenciadas. O processo de periferização do
fordismo levou ao subconsumo dos trabalhadores em relação ao padrão de acesso
aos bens duráveis como automóvel e moradia própria. Contribuiu para isso a
ausência tanto do Estado de bem-estar social quanto de acordos políticos
comprometidos com a redução da desigualdade na distribuição dos frutos da
expansão econômica. Um bom exemplo disso foi o Brasil, cuja prioridade dada
ao crescimento econômico foi acompanhada por uma brutal concentração da
renda. Ao final do século XX, o Brasil situava-se entre os três países do mundo
com maior desigualdade de renda.
Somente na década de 2000 o país encontrou importante inflexão na
trajetória da desigualdade distributiva, com a inversão da antiga prioridade
nacional, isto é, com a opção pelo estabelecimento da repartição da renda como
um dos principais fatores determinantes para a promoção

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