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PATOLOGIA DA AMAMENTAÇÃO

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Andressa Marques – medicina UFR 
PATOLOGIA DA AMAMENTAÇÃO/LACTAÇÃO 
A amamentação, além de atender às necessidades nutricionais do bebê, também confere proteção imunológica 
ao lactante. 
O leite materno possui proteínas, lipídios, carboidratos, minerais, vitaminas anticorpos, água. 
OMS, UNICEF, MS, SBP → todas essas entidades concordam em: 6 meses de amamentação exclusiva e 
depois complementada por mais 2 anos. 
O incentivo à amamentação deve se iniciar ainda no pré-natal e ser contínuo. 
A unidades de saúde devem possuir programas de promoção, proteção e apoio à amamentação. 
 
 
 AFECÇÕES DA MAMA 
 INGURGITAMENTO MAMÁRIO 
Decorre da congestão vascular e da quantidade de leite retido na 
glândula mamária; 
As mamas aumentam de volume, ficam quentes, dolorosas, 
brilhantes, tensas e pode ocorrer febre; 
A aréola e mamilo tornam-se menores dificultando a pega; 
 
RECOMENDAÇÕES: 
Realizar massagem e ordenha sempre que as mamas ficarem 
túrgidas; 
Fazer compressas frias no intervalo entre as mamadas, para diminuir 
a produção láctea; 
Começar a mamada pelo seio mais túrgido, pois o bebê com fome 
suga mais forte, ajudando a esvaziar melhor o seio que está mais 
cheio; 
Recomendar o uso de sutiã adequado (alças largas para melhor sustento das mamas); 
Esvaziar manualmente o seio antes de oferecê-lo à criança para facilitar a “pega” de toda a aréola; 
Não interromper a amamentação; 
OBS: Orientar sobre o fato de que a ansiedade é um fator que pode inibir a saída do leite, podendo ocasionar o 
ingurgitamento mamário. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Andressa Marques – medicina UFR 
 FISSURAS MAMILARES 
São decorrentes da má posição da criança ao mamar (pega 
incorreta), da higiene desnecessária da aréola, do oferecimento das 
mamas ingurgitadas e, principalmente, da técnica de sucção. 
 
RECOMENDAÇÕES 
A prevenção das fissuras deve ser realizada através de uma boa 
pega e posicionamento ao seio, exposição dos mamilos ao sol 
(queratinizando a pele e deixando-a mais resistente), evitando-se a 
maceração por umidade, aumentando a frequência das mamadas e 
usando a técnica correta para interromper a amamentação. 
 
Quando os mamilos já estão rachados, recomenda-se passar o 
próprio leite materno, deixá-los um pouco ao ar livre ou fazer banho 
de luz com uma lâmpada comum de 40 watts, colocada a uma 
distância de um palmo do seio, 10 minutos de cada lado e uma vez 
ao dia. 
 
Deve-se orientar a pega correta da aréola e a posição adequada 
do bebê durante a mamada. Manter a amamentação com 
intervalos mais frequentes e a mamada de menor duração, iniciando 
com o seio menos dolorido. 
Ordenhar a mama antes da mamada para que o reflexo da ejeção 
já esteja presente quando o bebê iniciar a sucção, fazendo com que 
ele necessite de menos força para sugar. 
Não usar sutiã muito apertado que impeça o arejamento do mamilo. 
Não usar pomadas ou antiacépticos, pois podem dificultar a cicatrização. 
Dar de mamar em outras posições não habituais. 
 MASTITE 
O acúmulo de leite sem a ordenha pode facilitar a mastite – infecção do tecido celular subcutâneo mamário. 
As mamas ficam quentes, doloridas e ocorre febre; 
É mais frequente na segunda e terceira semana após o parto; 
O agente infeccioso mais comumente envolvido é o Staphylococcus aureus; 
O seio ingurgitado ou com rachaduras pode inflamar e infeccionar surgindo a mastite. 
 
CONDUTA 
A mãe deve continuar cumprindo as mesmas orientações destinadas ao ingurgitamento mamário, a ordenha da 
mama reduz a pressão sobre o tecido conjuntivo e apressa a cicatrização; 
Deve ser medicada com analgésicos, antitérmicos e antibióticos sistêmicos (cefalexina) e não tópicos. 
Jamais contraindicar a amamentação. 
 GALACTOCELE 
Cistos presentes em meio ao tecido mamário, onde há grande produção de leite. 
O diagnóstico é feito através do exame clínico e ultrassonografia mamária. 
O tratamento consiste em excisão cirúrgica devido a sua tendência à recidiva. 
 ABCESSO MAMÁRIO 
Pode ser complicação da mastite ou resultar de seu tratamento ineficiente. 
Caracteriza-se por intensa dor, formação de nódulo palpável e febre; 
A drenagem pode ocorre por algum ducto ou para o exterior; 
O diagnóstico é sugerido pelo exame clínico e por ultrassonografia da mama (comprova a presença de 
cavitação) 
 
CONDUTA 
É necessário realizar a internação, drenagem cirúrgica, administrar antibióticos e esvaziar regularmente a mama. 
Se o dreno ou a incisão cirúrgica estiver longe da aréola a mãe não precisará necessariamente interromper a 
amamentação na mama afetada. 
 
Andressa Marques – medicina UFR 
USO DE MEDICAMENTOS DURANTE A AMAMENTAÇÃO 
 DROGAS COMPATÍVEIS COM A AMAMENTAÇÃO DE ACORDO COM A OMS 
 ANESTÉSICOS GERAIS – éter, alotano, quetamina, tiopental, óxido nitroso. 
ANESTÉSICOS LOCAIS – lidocaína, bupivacaína 
MEDICAÇÃO PRÉ-OPERATÓRIA – diazepan (compatível em dose única) e monitorar o bebê para sonolência; 
morfina (compatível em dose única; efeitos colaterais: apneia e bradicardia); prometazina (compatível em dose 
única e monitorar para sonolência). 
ANALGÉSICOS NÃO OPIÁCEOS – ibuprofeno e paracetamol; AAS (compatível em doses ocasionais, monitorar 
o bebê para anemia hemolítica, sangramento prolongado e acidose metabólica). 
ANALGÉSICOS OPIÁCEOS – são compatíveis em doses ocasionais. No caso de codeína, morfina e petididina é 
necessário monitorar o bebê para apneia, bradicardia e cianose. 
ANTI-HELMINTÍCO – Albendazol, levamisol, mebendazol, niclosamida, piperazina, praziquantel, pirantel. 
 *ANTI-ESQUISTOSSOMOSE – metrifonate, oxamiquine, praziquantel. 
ANTIBACTERIANOS – penicilinas (geralmente é seguro amamentar, porém, pode ocorrer reação alérgica no 
lactente; caso ocorra, a droga deve ser suspensa e a mãe deve ser avisada de que o bebê não deverá receber tal 
medicamento no futuro). 
DROGAS ANTI-FÚNGICAS – nistatina 
 SITUAÇÃO EM QUE A MÃE NÃO DEVE AMAMENTAR 
AIDS – transmissão do vírus HIV através do leite materno comprovada por diversos estudos e presenta 
contraindicação à amamentação. 
OBS: em alguns países em desenvolvimento o aleitamento materno pode ser vital para o lactente, tornando, 
segundo a OMS, aceitável o risco da transmissão do HIV, mesmo na presença de alta taxa de infecção endêmica. 
Nestes países, os riscos da não amamentação ou mesmo da alimentação artificial, seriam piores que os de 
transmissão da doença. 
 MÃES COM LIMITAÇÕES TEMPORÁRIAS, EMOCIONAIS OU FÍSICAS 
Casos graves de psicose puerperal, eclâmpsia ou choque. 
Em casos de lesões ativas na mama ou mamilo provocados por Herpes, as mães não poderão amamentar 
durante o período ativo da doença. 
OBS: uma vez tratada a patologia, a amamentação poderá ser reiniciada. 
PROBLEMAS ANATÔMICOS DA MAMA – MÃES SUBMETIDAS À CIRURGIAS 
PLÁSTICAS 
Orientar que as glândulas mamarias são preservadas na cirurgia, não interferindo na amamentação. 
 DOENÇAS INFECCIOSOAS 
 CANDIDÍASE 
Suspeita-se quando a dor é associada à ardor e fissuras durante a amamentação. 
Geralmente há monilíase oral no lactente, monilíase vaginal na mãe e assadura perineal associada. 
Pode surgir após a utilização de antibióticos por parte da mãe. 
NÃO se suspende a amamentação. 
 
CONDUTA COM A MÃE 
Aplicar nistatina solução nos mamilos após cada mamada, durante 14 dias. 
Não é necessário lavar o seio antes da mamada para retirar o medicamento. 
Deixar os mamilos em contato com o ar para secar a medicação e expô-lo ao sol a cada mamada. 
Tratar a infecção vaginal (parceiro tbm precisa tratar) 
 
CONDUTA COM O BEBÊ 
Aplicar nistatina solução oral durante 10-14 dias. 
Tratar a dermatite da genitália com nistatina creme. 
 
 
 
Andressa Marques – medicina UFR 
 CITOMEGALIA – CMV (CITOMEGALOVÍRUS) 
O CMV passa através do leite materno e pode infectar o lactente, entretanto, como o risco

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