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Aposentadoria especial: evolução histórica e perca de direitos

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Universidade de Ribeirão Preto
Faculdade de Direito Laudo de Camargo
Curso de Direito
Da evolução histórica da aposentadoria especial e, as perdas de direitos nos últimos trinta anos 
MARIA EDUARDA CASTRO CORRÊA
RIBEIRÃO PRETO
Maio/2020
DA EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA APOSENTADORIA ESPECIAL E, AS PERDAS DE DIREITOS NOS ÚLTIMOS TRINTA ANOS 
RESUMO
O presente trabalho acadêmico tem como finalidade abordar o tema da aposentadoria especial, fazendo uma breve alusão a sua evolução histórica e suas perdas de direitos nos últimos trinta anos. Para tanto serão utilizadas leis, doutrinas e jurisprudências que fundamentem os argumentos a seguir dispostos.
1 INTRODUÇÃO
Aposentadoria Especial trata-se de um benefício concedido às pessoas que contribuem no Regime Geral de Previdência Social. O requisito principal dessa aposentadoria é que os trabalhadores precisam estar expostos a agentes nocivos químicos, físicos ou biológicos de forma habitual e permanente. É considerado uma espécie de aposentadoria por tempo de contribuição, contudo possui esse tempo de contribuição reduzido em razão da exposição aos agentes nocivos. 
Com o passar do tempo este benefício passou por diversas alterações, sobretudo com a atual reforma previdenciária, que estabeleceu idade mínima para quem iniciou as atividades após EC 103 de 12/11/2019, e regras de transição para quem iniciou antes, mas não possui o tempo exigido em lei, passou a não se admitir mais a conversão de tempo especial para comum, dentre outras alterações que causaram a perda de diversos direitos dos segurados desta categoria. 
2 DESENVOLVIMENTO
2.1 Breve histórico 
Conforme dispõe LANDENTHIN (2014, p. 123), a legislação previdenciária, no que tange a aposentadoria especial, é extensa e complexa. Foi instituída no nosso ordenamento jurídico em 1960, com a publicação da Lei Orgânica da Previdência Social (L.O.P.S), neste período o benefício era concedido se preenchido quatro requisitos, quais sejam: a idade de cinquenta anos, carência de quinze anos, e o enquadramento da atividade exercida em condição insalubre, penosa ou perigosa. [footnoteRef:1] [1: Landenthin, Adriane Bramante de Castro. Aposentadoria especial: teoria e prática. 2ª edição. Curitiba: Juruá, 2014. 
] 
Em seguida, consoante SANTOS (2016, p. 302), ocorreu a edição do Decreto 53.831/64, que resultou uma nova regulamentação e adicionou um quadro elencando os agentes nocivos e as atividades profissionais das quais seu exercício lhe dá direito a concessão do benefício da aposentadoria especial. [footnoteRef:2] [2: Santos, Marisa Ferreira dos. Direito previdenciário esquematizado; coord. Pedro Lenza. 6ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2016.] 
 Instituída a lei 5.440/68 alterou-se o artigo 31 da LOPS, sendo excluído o requisito da idade mínima. Logo depois, a Lei 5.890/73 gerou diversas alterações com relação a aposentadoria especial, dentre elas a redução da carência de 180 contribuições para 60 contribuições mensais. 
Posteriormente, com o advento da Lei 6887/80, ocorreu a modificação do artigo 9° da Lei 5890/73, responsável por introduzir ao Direito Previdenciário a possibilidade de conversão do tempo especial para comum. Também autorizou que fossem computados com peso maior os períodos tidos como especiais, obtido através da aplicação de um fator de conversão, um multiplicador. 
Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, a aposentadoria especial passou a ter um status constitucional, a sua redação original localiza-se no artigo 202, inciso II. 
A Lei 9.032/95 é considerada um grande marco das alterações na aposentadoria especial, pois a partir dela o segurado teria que comprovar, não apenas a atividade especial em si, como também a prática contínua dessa atividade, não podendo ser de forma eventual ou intermitente, além do mais deveria ser provado o tempo trabalhado e a exposição aos agentes nocivos, por tempo correspondente ao exigido em lei para concessão da aposentadoria especial. 
O Decreto 3.048/99, regulamentou as Leis 8.212/91 e 8.213/91, revogou o Decreto 2.172/97, reiterou a lista de agentes agressivos, o Anexo IV, que se encontra em vigência, a aposentadoria especial é tratada nos artigos 64 a 70 do referido Decreto.
Atualmente a aposentadoria especial sofreu uma mudança brusca devido a Emenda Constitucional 103/2019, chamada reforma da previdência. Salva os segurados que possuem direito adquirido, a nova legislação estabelece uma regra de transição para os segurados que trabalhavam antes da reforma, mas não chegaram a alcançar o tempo estipulado de atividade especial; e idade mínima para quem começou a trabalhar posterior a reforma, além do tempo de atividade especial. Ademais não se admite mais a conversão de tempo especial para comum. Estas e outras mudanças e peculiaridades serão tratadas a seguir. 
2.3 Aposentadoria Especial na EC nº 103
Foi possível observar inúmeras mudanças que a aposentadoria especial vem sofrendo durante os anos, em especial os últimos trinta anos. 
Cabe agora, indicar a configuração atual da aposentadoria especial. Anterior a reforma para se ter direito ao benefício era necessário: 15 anos de contribuição para trabalhadores de minas subterrâneas; 20 anos de contribuição aos trabalhados expostos ao amianto ou que exerçam trabalho em minas na superfície e 25 anos de contribuição para trabalhos com exposição a agentes nocivos à saúde. Atualmente, com a reforma da previdência, essa aposentadoria sofreu diversas alterações, uma delas é ter que cumprir idade mínima e tempo mínimo de exposição a agentes nocivos, ficando da seguinte forma: idade mínima de 55 anos de idade e 15 anos de contribuição para trabalhos exercidos em minas subterrâneas; 58 anos de idade e 20 anos de contribuição no caso de trabalhos com amianto ou realizados em minas na superfície; e 60 anos de idade e 25 anos de contribuição para os demais agentes prejudiciais à saúde. Importante salientar que a periculosidade continua sendo considerada atividade especial.
Uma outra mudança da reforma foi o valor da aposentadoria especial, nessa nova fórmula de cálculo é realizada a média de todos os salários, a contar de julho de 1994 ou de quando iniciou-se a contribuição; desta média o segurado receberá 60% + 2% por cada ano excedente aos 20 anos de atividade especial para os homens e excedente a 15 anos de atividade especial para as mulheres. Aos que trabalham em minas subterrâneas, acrescenta-se 2% ao ano de atividade especial acima de 15 anos de atividade especial para os homens e mulheres.
Para aqueles que preencheram as exigências antes da Reforma, o valor da aposentadoria é integral. Ou seja, o segurado recebe 100% da média dos 80% maiores salários de 07/1994 até o mês anterior a aposentadoria. 
Também foram estipuladas regras de transição para aqueles que trabalhavam antes da reforma, mas não tinham acumulado o tempo necessário de atividade especial para se aposentar. Para as atividades especiais de menor risco os requisitos são, 25 anos de atividade especial e 86 pontos; já para quem exerce atividade de médio risco é necessário cumprir 20 anos de atividade especial e 76 pontos; e para atividade especial de maior risco o trabalhados precisa ter 15 anos de atividade especial e 66 pontos. Os pontos são a somatória da idade, o tempo de atividade especial e o tempo de contribuição, contendo meses e dias. 
A partir da reforma previdenciária não é mais permitido a conversão do tempo dessas atividades especiais para outros benefícios. Isso era muito utilizado nos casos em que o segurado não conseguia atingir o tempo mínimo exigido de atividade especial, tendo a opção de usar o período de atividade especial para adiantar sua aposentadoria por tempo de contribuição. Antes da reforma esse período especial teria um acréscimo de 40% para os homens e 20% para as mulheres. 
Agora esse acréscimo foi extinto, só é possível que ocorra essa conversão para atividades especiais realizadas antes da EC 103/2019 ter entrado em vigor. 
Apesar de tantas mudanças, a reforma manteve alguns aspectos da
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