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PATOLOGIAS DO INTESTINO NÃO NEOPLÁSICAS

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lesões 
salteadas; 
(b) inflamação transmural que se estende por todas as camadas da parede intestinal, 
resultando em fissuras, fístulas e abscessos. Granulomas epitelioides, sem necrose caseosa, são 
identificados em cerca de 35% dos casos. 
Cicatrização das lesões inflamatórias resulta em estreitamento da luz intestinal, que se manifesta 
clinicamente com obstrução intestinal. 
Na macroscopia são áreas múltiplas bem delineadas e separadas por mucosa normal (“salteadas”) 
características da Dç de Crohn. A lesão inicial é chamada de úlcera aftosa (rasa e bem delimitada) 
pode progredir e se transformar nessas lesões múltiplas que se fundem (confluência) e formam 
úlceras alongadas e irregulares – serpentiformes no maior eixo do intestino (úlcera longitudinal). 
 
Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
Edema e perda de textura normal da mucosa são comuns. A parede intestinal fica emborrachada 
e fibrótica (espessada). 
As úlceras são profundas e estreitas, coalescem e formam fissuras lineares, tortuosas, dispostas ao 
longo do eixo do intestino, muitas vezes atingindo a serosa. As lesões são intercaladas com áreas 
de mucosa preservada, que mostra hiperplasia de células caliciformes, hiperprodução de muco e 
alteração da arquitetura vilositária, conferindo aspecto característico de pedra de calçada. 
A doença evolui com fibrose, que é máxima na submucosa, tornando o segmento comprometido 
estreito e rígido. Os estreitamentos luminais do intestino são comuns nessa doença e não se 
desenvolvem na RCUI. 
As fissuras (ulceras profundas) desenvolvem-se entre as 
dobras da mucosa e podem estender-se profundamente e 
formar fístulas e perfuração. 
Em caso de doença transmural extensa a gordura 
mesentérica fica totalmente ao redor da serosa (“gordura 
trepadeira”). 
Nos casos de longa duração, a mucosa apresenta 
alterações na arquitetura das vilosidades do intestino 
delgado ou das criptas colônicas, que se tornam curtas, 
irregulares, ramificadas e atróficas. Pode haver 
metaplasia pilórica ou de células de Paneth e displasia, 
que é o marcador de risco para desenvolvimento de 
câncer, uma das complicações mais graves da doença. 
Microscopia: vemos muitos neutrófilos que infiltram e 
lesionam o epitélio das criptas intestinais. A presença de 
neutrófilos permeando e destruindo as criptas é chamada 
de Criptite (sinal de atividade da doença). Quando eles se 
acumulam na cripta chamamos de microabscessos em 
cripta (sinal de atividade). 
A ulceração também é muito frequente. 
Ciclos repetidos de destruição e regeneração das criptas causam destruição, tortuosidade e 
ramificação anômala das criptas > sinais arquiteturais indicativos de cronicidade. Normalmente são 
retas e paralelas. 
Granulomas mal formados e não caseosos estão presentes em 35% dos casos nas áreas de 
doença ativa e são bem característicos da Dç de Crohn. Também podem estar nos linfonodos 
mesentéricos e pele do paciente. A presença desses granulomas fecha o diagnóstico de Dç de Crohn 
e exclui RCUI, mas a ausência desses granulomas não exclui a Dç de Crohn. 
Quadro clínico: muito variável, geralmente há ataques intermitentes de diarreia, febre e dor 
abdominal. Em 20% dos casos tem clínica parecida com apendicite aguda ou perfuração intestinal. 
Há alternância desses sintomas com períodos assintomáticos (fase de remissão). 
A reativação está associada com estresse físico ou emocional, alguns alimentos e tabagismo 
(fator de risco muito importante no Crohn). A interrupção do tabagismo não regride a doença quando 
já iniciada. 
A doença extensa do intestino delgado pode causar perda de proteínas séricas e hipoalbuminemia, 
má absorção de nutrientes/vita B12/sais biliares. 
Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
São comuns estreitamentos fibrosantes e é indicativo de cirurgia. As fistulas envolvem os intestinos 
e podem se estender para a bexiga, pele abdominal ou perianal. As perfurações e abscessos 
peritoneais são comuns. 
A doença de Crohn também pode causar manifestações extraintestinais, como: uveíte, poliartrite 
migratória, sacroileíte, espondilite anquilosante, eritema nodoso e baqueteamento das pontas dos 
dedos, pericolangite e a colangite esclerosante primária (mais comuns na colite ulcerativa). 
• COLITE ULCERATIVA IDIOPÁTICA 
É limitada ao cólon e reto, geralmente se iniciando no reto e pode se estender às porções mais 
proximais do intestino grosso (retocolite ulcerativa). Atinge apenas a mucosa e submucosa intestinal 
(mais superficial que a Dç de Crohn). 
As manifestações extraintestinais são como as de Crohn: poliartrite migratória, sacroileíte, espondilite 
anquilosante, uveíte e lesões na pele. 2,5 – 7,5 % dos pacientes com RCUI tem colangite 
esclerosante primária. 
A doença do cólon inteiro é chamada de pan-colite. Quando não se estende além do cólon transverso 
chamamos de doença do cólon esquerdo. Quando limitada distalmente pode ser chamada de proctite 
ulcerativa ou proctossigmoidite ulcerativa. 
Lesões no íleo terminal podem estar associadas a 
casos difusos de RCUI (ileíte por refluxo). 
Na macroscopia vemos focos de inflamação, mucosa 
avermelhada/granular ou úlceras de base larga 
(longitudinais). Pode haver transição abrupta entre a 
mucosa normal e a acometida pela RCUI. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pseudopólipos (aumento da espessura da mucosa por regeneração) e pontes (fusão dos 
pseudopólipos) são comuns. 
A doença crônica pode causar atrofia da mucosa, superfície fica achatada e lisa. O espessamento 
mural não ocorre, a superfície serosa é normal e não tem estenoses. 
A inflamação pode danificar a camada muscular própria e alterar a função neuromuscular do cólon e 
causar dilatação (megacólon tóxico). Isso aumenta muito o risco de perfuração intestinal. 
Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
Microscopia: as alterações da mucosa são parecidas com a Dç de Crohn, como infiltrado 
inflamatório na LP, abscessos e distorções das criptas, metaplasias epiteliais. Contudo, o 
processo inflamatório é difuso, mas limitado à mucosa e submucosa. 
Em casos graves pode ter úlceras até a submucosa, sem comprometimento da camada muscular. 
Não há granulomas. 
Podemos ter diferentes fases da doença no mesmo segmento intestinal. As lesões não são 
saltatórias. 
 
 
Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
Importante verificar se tem atividade da doença na microscopia ou não – verificar eficácia do 
tratamento. A atividade é diagnosticada como criptite (neutrófilos permeando a cripta) e/ou 
microabscessos (grau de atividade maior). 
 
 
Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
 
Pseudopólipos se fundindo e formando as pontes. Abaixo dele tem extensa destruição da submucosa 
com microabscessos. Camada muscular preservada. 
Clinicamente, a retocolite ulcerativa é recorrente: crises de diarreia sanguinolenta com muco 
viscoso, dor abdominal inferior e cólicas (quando defeca melhora um pouco). Podem persistir por 
dias, semanas ou meses. 
A maioria dos casos são leves (mais da metade), mas tem quadros graves emergenciais. 30% dos 
pacientes precisam de colectomia nos 3 primeiros anos da doença por ter sintomas incontroláveis 
com tratamento farmacológico. 
A colectomia cura a doença intestinal na colite ulcerativa, mas as manifestações extraintestinais 
podem persistir. 
A enterite infecciosa pode preceder a RCUI. O primeiro ataque pode ser precedido de estresse 
psicológico. 
Na RCUI o tabagismo protege contra a ativação da RCUI – não ativa a doença como na Dç de Crohn! 
 
➢ Colite indeterminada 
Como são muito parecidas a RCUI e a Dç de Crohn, não conseguimos sempre diferenciar o que 
é, mas sabemos que é uma ‘colite indeterminada’. Esse diagnóstico certeiro não é feito em 10% dos 
pacientes. Com o avançar da doença os achados típicos de cada doença se manifesta e 
conseguimos definir qual será. 
Não envolvem o ID,