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secundárias são 
pais, constituídas pelos atos dos &g 
regulamento, resolução, portaria. D. 
te do Direito Financeiro. Os costu 
uadro das fontes. A doutrina já nã 
funde com o próprio Direito Finan 
como sistema subjetivo (vide p. 13) 
2. A SEPARAÇÃO DE PODERES 
A ideologia das fontes do Direit 
logia da separação de poderes finan 
REITO FINANCEIRO 
anceiro o conjunto de nor- 
o ordenamento positivo das 
s do Direito Financeiro é o 
m as seguintes particularida- 
em virtude do regime de 
os costumes têm diminutís- 
o é a Constituição Financei-
Poder Legislativo: a lei com-
edida provisória, os convê-
complementação das princi-
o Poder Executivo: decreto, 
vel se a jurisprudência é fon-
cundum legem completam o 
nsiderada fonte, pois se con-
, ern seu momento externo, 
anceiro se aproxima da ideo- 
s. As duas questões sempre 
caminharam jantas, correspondendo a teoria das fontes formais à ideia 
de separação rígida entre os poderes. 
Atualmente o problema da separação do poder financeiro ganha 
enorme relevância. Sendo dotado de extraordinária aptidão para des-
truir a liberdade individual, principalmente no que concerne aos as-
pectos tributários, deve ser repartido e pulverizado no regime demo- 
crático. que o poder financeiro é objeto de separação verti- 
S egue-se dai cal, distribuindo-se entre a União, os Estados e os Municípios: poder 
financeiro federal, estadual e municipal. 
Mas, dentro de cada esfera de Governo, torna-se objeto também 
de separação horizontal, em que é considerado em sua acepção for-
mal: o poder de legislar, d. e ad.ministrar e de julgar os litígios decorren-tes da atividade finance0. do Estado, cada qual corn suas formas pró-
prias de exptessão. . ; O p,oder financeiro, assim separado horizontal e verticalmente, 
equilibra-se em engenhoso sistema criado pela Constituição, em que 
as diversas fontes se relacionam vis-à-vis (ex. o poder federal de legis-
lar exercendo influência sobre o poder estadual de administrar ou de 
julgar). 
3. AS-FUNÇÕES DO ESTADO FINANCEIRO 
O problema das fontes/às vezes se traduz no das funções do Esta-
do. Os positivistas do início do século se esforçaram no sentido de 
desenvolver a teoria das funções. 
- 
O Estado exerce as suas atividades através de três funções: legis-
lativa, administrativa e jurisdicional Cada qual delas exibe os aspectos 
formal e material. A função, do ponto de vista formal, coincide com o 
poder ao qual pertence originariamente: a legislativa, ao Congresso 
Nacional; a administrativa, ao Executivo; a jurisdicional, ao Judiciário. 
Sob o aspecto material a função legislativa se esgota na edição de re-
gras gerais (régies de droit, Rechtsãtze) 
criadoras de direitos e obriga-
ções; a função administrativa é a de aplicar a regra geral a situacões 
particulares; e a jurisdição compreende a aplicação da regra geral ao 
caso litigioso. o arranjo entre as funções é e_xtremanente complexo, podendo o 
mesmo ato, como por exemplo o regulamento, ser formalmente admi-
nistrativo e materialmente legislativo. 
36 
É importante guardar na memória esses conceitos, nois no B,rasil 
ainda se discute muito sobre o âmbito material da lei ordinária e da lei 
complementar, até mesmo pela influência do positivismo. 
4. O PROCESSO DEMOCRÁTICO 
Mas a melhor abordagem do problema das fontes é a que as vin-
cula ao processo democrático. O ordenamento jurídico não é algo 
pronto e acabado, senão que existe in processu, renovando-se e refa-
zendo-se permanentemente. A própria Constituição eiciste também 
in fieri. A ordem jurídica, portanto, se atualiza pelo processo da nor-
matividade, isto é, adquire grau de maior concretude na medida em 
que pelo processo legislativo, adrninistrativo e judicial os princípios 
gerais e as normas constitucionais tornarn-se suscetíveis de se aplica-
rem aos casos individuais. 
O processo legislativo, administrativo e judicial, em seus aspectos 
formais e materiais, estes últimos ligados a valores como os da igualda-
de, liberdade e generalidade, é que legitirna a própria ordem democrá- 
tica. A Constituição de 1988 aderiu; pelo menos em parte, a esse en- 
foque, com regular o processo legislativo nos arts. 59 a 69. 
II. A CONSTITUIÇÃO FINANCEIRA 
5. CONCEITO MATERIAL E FORMAL 
O Direito Financeiro brasileiro tem a particularidade de encon-
trar na Constituição Financeira a sua fonte por excelência, tão minu-
ciosa e casuística é a disciplina por ela estabelecida. Cabe às fontes 
legislativas, administrativas e jurisdicionais explicitar o que já se con-
tém, em parcela substancial, no texto básico. 
A Constituição Financeira é simultaneamente formal e material. 
Os dois aspectos estão indissoluvelmente ligados, formando o concei- 
to ontológico, porquanto se trata da própria Constituição (constiturio) 
do Estado Social Fiscal, ou seja, do ato pelo qual o Estado se constitui 
financeirarnente sub specie impositionis. 
O Estado Social de Direito é 
impensável sem a Constituição Tributária, subsistema da Constituição 
Financeira, posto que a sua essência repousa na definição constitucio- 
37 
nal das brniracões do DOCICF tributário frente às liberdades individuais 
é à propriedade privada_ 
Do ponto de_ vista foi-mal a Constituição Financeira compreendei 
as normas e os princípios, gerais explicitamente inscritos no texto fun- 
damental. Situa-se, basicamente, no Título VI (Da Tributação e do 
Orçamento), que compreende 2: capítulos (Dó Sistema Tributário Na- 
cional; Das Finanças Públicas), que vão do art. 145 até o art. 169. Mas 
cornpõe ainda a Constituição Financeira as norrnas dos arts. 70 a 75, 
agrupadas sob a denominação Da Fiscalização Conta'bil, Financeira e Orçamentária, em rná hora levadas para o capítulo do Poder Legislati-
-vo, bem como inúmeras outras espalhadas pela Declaração de Direitos 
(imunidades do mínimo existencial) e por outros capítulos (art. 173, 
parágrafo 2'2, art. 195 — contribuições sociais, arts. 206, 208 etc.). A 
Constituição Financeira brasileira, portanto, vista sob o aspecto for-
mal, não se contém em brilhes -meramente topográficos, mas abrange 
todas as nortnas e princípios que tenham relação com o fenômeno 
financeiro/independentemente do lugar que ocupem no documento 
fundamental. A Constituição da Alemanha também é explícita no re-
guiar a matéria financeira, possuindo um capítulo, o de número X, 
intitulado O Regime Financeiro (Das Finanzwesen), o que lhe justifica o apelido de Constituição Financeira (Finanzverfassung), dado pela 
doutrina. A Constituição americana possui poucas normas, valendo 
ressaltar a que atribui ao Congresso o poder de instituir tributos e o de 
gastar, a que veda a cobrança de impostos sobre a exportação (art. II, 
Seção 10) e a que permite a cobrança do imposto de renda (I 62Emen-
da). As outras Constituiçõdimportantes (Itália, Bélgica, França, Ar-
gentina) também são sucintas no dispor sobre finanças públicas. 
Mas a Constituição Financeira não se exaure nas normas e dispo-
sitivos formalmente inscritos no texto supremo. Há certos princípios 
que, embora não explícitos, têm natureza constitucional. Toda a maté-
ria das limitações ao poder tributário,'Por exemplo é materialmente 
constitucional. O poder de tributar já nasce limitado, de modo que à 
Constituição compete apenas, em forma declarativa, expressar essa 
realidade. Ainda que a Constituição não traga dispositivos expressos 
sobre as garantias da liberdade frente à tributação, mesmo assirn o 
legislador ordinário estará vinculado pelos princípios gerais que a asse-
guram. A disciplina das imunidades tributárias no direito constitucio-
nal americano foi muito mais obra da Corte Suprema, com base ern 
princípios constitucionais implícitos, do que produto da atividade do 
constituinte. A mesma coisa ocorre com o princípio da legalidade: 
ainda que inexpresso, tem