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socialismo etc.), de prin-
cípios políticos, de política constitucional e de teorias. A interpretação 
do Direito Tributário também sofre a influência desses aspectos polí-
ticos, desde as posiçOes básicas em torno do liberalismo ou do socialis-
mo até os problemas dos princípios vinculados ao federalismo, à de-
mocracia ou à república. 
As normas sobre a interpretação jurídica, por seu turno, denotam 
forte influência das ideologias políticas. A Lei de Adaptação Tributária 
da Aleman_ha, cie 1934, recomendava, no art. 12, I, que as leis fiscais 
fossem interpretadas de acordo com a visão do mundo nacional-socia-
lista. As estampadas no CTN vieram a lume no início do regáne auto-
ritário de 1964 e visavam a conservar e manter na via interpretativa a_ 
orientação política então inaugurada. 
Só com o pluralismo político desaparece a banalidade ideológica 
na interpretação e, por consequência, a própria necessidade de nor-
mas sobre a interpretação e a integração. 
A interpretação do Direito é um 
tica não elimine os aspectos técnicos e 
de do intérprete. 
O Direito também possui carac 
como poiesis, ou ars inveniencii, o que 
cão, para alcançar a plena normatividai 
tico e "astucioso", no sentido hegelian 
Os segredos da arte da interpreta 
tem nem se comunicam. Como dizia 
arte da interpretação, como todas as 
regras''. 
, embora a dimensão artis-
tíficos presentes na ativida- 
cas de arte, aparecendo 
exigir que a sua interpreta-
desenvolva de modo artís-
termo. 
do Direito não se transmi- 
y (op. cit., v. 1, p. 206) "a 
as artes, não se ensina com 
7. VALORES 
A interpretação jurídica está inte 
aos princípios gerais do Direito e, ao 
nhos para a concretização desses valoi 
A legitimidade da interpretação, 
valores jurídicos, equilíbrio esse que 
de do Direito, mercê do paralelismo' 
ontologia jurídica. 
Mas nem sempre a harmonia entr 
O primado da segurança jurídica — e 
defendido pelo positivismo cientificis 
pandetismo e, no direito tributário, P 
do de 1955 a 1965 e pelos brasileiro 
mente, data da aposentadoria de Mio 
nência da justiça e da utilidade é tese 
do sociologismo e do vitalismo, que a 
mente, como emanação do fato ou da 
valores tem sido observada_ 
scurso do legislador — foi 
ela Escola da Exegese, pelo 
tribunais alemães no perío-
artir de 1975, aproximada-
Baleeiro no STF. A preemi-
positivismos reducionistas, 
ocuram mágica e casuistica-
a em si. 
ente vinculada aos valores e 
o tempo, é urn dos cami- 
nde do equilíbrio entre os 
enta a própria legitimida- 
ente entre hermenêutica e 
8. PRINCÍPIOS GERAIS DO DIRÉ 
Os Princípios Gerais do Direito s 
entre os valores jurídicos abstratos e 
vo, pouco importando que sejam esc 
ami na região intermediária 
gras do ordenamento positi-
ou irnplícitos, positivos ou 
/47 146 
suprapositivos, podendo ser apreendidos pela doutrina, pelo legisla-
dor e pela jurisprudência, por indução ou dedução a partir da natureza 
das coisas ou dl ideia do direito (vide p. 90). Inforrnam a interpreta-
ção, a integração e a correção do Direito Financeiro. 
9.INTERPRETAÇÃO E COMPLEMENTAÇÃO 
A atividade hermenêutica ou interpretativa abrange a interpreta-
ção jurídica, propriamente dita, e a sua complementação (Rechtsfort-
bildung para os alemães), que se faz através da integração (= preen-
chimento de lacunas) e da correção (= superação das antinornias). É, 
todavia, extremamente difícil estabelecer o exato limite entre cada 
qual daquelas atividadesbcomo se verá oportunamente (p. 164). 
10.CONCRETIZAÇÃO 
°Direito se concretiza pela sua aplicação, que postula a interpre-
tação e a complernentação, tendo em vista que a concretização é a 
própria realização ou normatividade do direito, obtida-pela dialética 
entre a norma e o fato, a legislação e a jurisprudência, o ser e o dever-
ser, a jurisprudência dos conceitos e a jurisprudência dos interesses, o 
direito e a realidade, os valores e o processo, á forma e o conteúdo, o 
geral e o concreto. 
A atividade é de criação, que se não confunde com o direito livre. 
Há criação porque o Direito se completa através da atividade que si-
multaneamente é arte e ciência, conhecirnento e valoração. 
Enfim, concretiza-se o Direito pela procura ou descoberta secun-
duni, praeter ou contra legem. 
11.NORMAS DE INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DO 
DIREITO FINANCEIRO 
Õ CTNIdedita um capítulo inteiro às normas de interpretação e 
integração da legislação tributária. Outras codificações procedem da 
mesma forma. O Código alemão de 1919, com as adaptações de 1934, 
continha diversas regras para a interpretação, que muito influencia-
ram o nosso CTN; o Código de 1977, entretanto, revogou quase total- 
rriente aquelas normas, conservando apenas a que proíbe o abuso da 
forma jurídica (art. 42). A Ley General Tributaria da Espanha (2003) 
possui também diversos dispositivos (arts. 12 a 16). O Código Tribu-
tário da Áustria (art. 21, 1) e as legislações da Itália e da Argentina 
contêm algumas regras. 
Já virnos que as normas de interpretação e integração possuem pro-
funda conotação ideológica. Procuram cristalizar certas orientações dou-
trinárias radicais ou determinadas posições politicas, quase sempre au-
toritárias. Subvertem processo democrático, pois pretendem privile-
giar um dos poderes do Estado — não raro o Executivo — minimizando 
a importância dos demais. Introduzem a desarrnonia no sistema de valo-
res, dando preeminência ora à justiça, com a sinalização para a procura 
casuística do justo, ora à segurança, com a exacerbação do formalismo e 
do legalismo. Por tudo isso tais nomms se tornam ilegítimas e não conse-
guem prodwir os efeitos pretendidos pelos seus autores. 
Demais disso, as norrnas de interpretação e integração do Direito 
Tributário necessitarn elas próprias de interpretação, como veremos 
adiante. São ambíguas, contraditórias e insuficientes, trazendo mais 
perplexidade ao intérprete do que orientação para resolver os casos 
concretos. Mesmo a escolha de métodos de interpretação ou de racio-
cínios de integração se mostra arbitrária, eis que na doutrina predomi-
na a divergência sobre o seu conteúdo e alcance. 
II. INTERPRETAÇÃO 
12. CONCEITO 
A interpretação busca a compreensão e o alcance do sentido do 
texto normativo. Na formulação brilhante de Larenz (op. cit., p. 330) 
a fronteira da interpretação está na capacidade expressiva da lingua-
gem ou rio sentido possível da letra da lei ("mügliche Wortsinn"). 
O objetivo básico da interpretação é garantir a unidade do Direi-
to, mercê da harmonia entre os seus princípios, categorias e palavras. 
13. PROCESSO 
A interpretação do Direito Financeiro se faz através do processo 
formal, que se desenvolve perante os órgãos do Estado, ou do processo 
informal. 
148 149 
da interpretação, que se 
porque estes em parte 
afastam porque têm um 
não extrapola para a fase 
citados: a) oprincípio 
car sempre a harmonia, 
princíPios jurídicos; b) 
tuição, que nada mais é 
lei ordinária, a que deve 
brocardo in claris cessat 
de princípio de interpre-
eu prestigio, coincidindo 
urídicas, a ser observado 
de da necessidade de 
as os princípios in dubio 
am outrora algum prestí-
do Direito Financeiro. 
Pi problemática da interpretação jurídica está intirnamente ligada 
à da separação de poderes da Estado, das fontes do Direito ou dos 
processos — legislativo, administrativo e judicial. O ideal seria a har-
monia entre os diversos processos. O Direito Tributário, que se estru-
tura sobretudo a partir do discurso do legislador, necessita da comple-
mentação harmoniosa do trabalho da interpretação administrativa ou 
São formais as interpretações autêntica, judicial e adrninistrativa. 
Autêntica é a levada a efeito pelo próprio legislador, e que, como vimos (p. 
137), tem eficácia retroativa. A interpretação