Linguagem, funções executivas, motivação e emoção
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Linguagem, funções executivas, motivação e emoção


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DEFINIÇÃO
A importância da linguagem e os centros de controle da linguagem no cérebro humano.
Funções executivas clássicas; processamento encefálico de funções executivas; memória de
trabalho; controle inibitório; flexibilidade cognitiva e redes frontais executivas. Emoções
primárias, secundárias e de fundo; teorias da emoção; amígdala e medo; córtex pré-frontal e
processamento emocional da tomada de decisão.
PROPÓSITO
Perceber que a linguagem, os comportamentos motivados, nossas emoções e as funções
executivas são essenciais para respostas adequadas à vivência em sociedade como
conhecemos, compreendendo, dessa forma, que identificar as bases neurais de tais processos
é importante para que se entenda as diferentes respostas humanas, bem como suas
adaptações.
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OBJETIVOS
MÓDULO 1
 
Identificar os principais locais de processamento da linguagem no cérebro humano
MÓDULO 2
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Reconhecer as principais funções cognitivas processadas pelo controle executivo, discernindo
a relevância de tais processos na adequação de respostas ao ambiente
MÓDULO 3
 
Identificar a importância do processamento de emoções na tomada de decisões, a influência
dos estados motivacionais e os locais encefálicos relacionados aos sentimentos
INTRODUÇÃO
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IMAGINE A SEGUINTE SITUAÇÃO:
Um professor em uma sala de aula (virtual ou não). Ele precisa explicar conceitos específicos
sobre determinado assunto aos seus alunos. Para tal, ele organizou previamente um plano de
aula, no qual estruturou suas ideias principais e a ordem dos assuntos que serão abordados.
O professor inicia sua fala, e os alunos ouvem o discurso e fazem anotações em seus
cadernos, tablets e smartphones. A comunicação se estabeleceu e foi bem-sucedida. O
professor conseguiu com sucesso passar sua mensagem, que foi transmitida por meio do uso
da linguagem verbal e não verbal. Além de sua fala, o professor providenciou imagens sobre o
assunto em questão, que isso facilitou o entendimento da matéria.
Nesse processo, tanto o professor quanto os alunos realizaram diversas atividades, na sala ou
mesmo antes de chegar a ela; das mais simples (como amarrar o cadarço do tênis) às mais
complexas (como elaborar esquemas, gráficos e imagens que facilitem a compreensão de
determinado conteúdo).
 
Fonte: Shutterstock
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FUNÇÕES EXECUTIVAS
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AÇÕES E ATITUDES DIRETAMENTE
ASSOCIADAS A PARTES ESPECIFICAS DO
CÉREBRO
Por isso, todas essas atitudes são funções executivas, que estão diretamente ligadas a
partes específicas de nosso cérebro.
Ao mesmo tempo, não somos capazes de compreender como aconteceria a cena hipotética
que mencionamos sem imaginarmos se o professor chegou bem-humorado ou não, ou se
algum aluno sequer anotou uma frase, já que se recusava a dar atenção àquele que lhe deu
nota 2,0 na prova anterior.
 
Fonte: Shutterstock
Você já se deu conta de como seriam as relações humanas se elas fossem desprovidas de
emoção?
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TALVEZ NÃO, MAS A VERDADE É QUE AS
EMOÇÕES SÃO TÃO NECESSÁRIAS COMO
HABILIDADES ADAPTATIVAS QUANTO OS
MECANISMOS DE TOMADA DE DECISÃO.
DESSA FORMA, COMPREENDER COMO A
EMOÇÃO É PROCESSADA NO CÉREBRO PODE
TRAZER INFORMAÇÕES RELEVANTES SOBRE
O COMPORTAMENTO HUMANO EM DIFERENTES
SITUAÇÕES.
É EXATAMENTE ISSO QUE VAMOS ESTUDAR
AGORA!
MÓDULO 1
IDENTIFICAR OS PRINCIPAIS LOCAIS DE
PROCESSAMENTO DA LINGUAGEM NO CÉREBRO HUMANO
POR QUE ESTUDAR A LINGUAGEM?
Mas, o que é linguagem, afinal?
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Podemos defini-la como um sistema de comunicação com regras específicas para que um
emissor envie mensagens a um receptor, de maneira que a mensagem principal seja
compreendida.
 
Fonte: Shutterstock
Os sistemas de comunicação abrangem algumas especificações. São elas:
\uf0a7 Clique nos itens a seguir.
SISTEMA DE COMUNICAÇÃO PRÓPRIO
AVANÇO TECNOLÓGICO
EVOLUÇÃO HUMANA
Embora alguns animais, incluindo primatas não humanos, possuam sistemas de
comunicação próprios, a linguagem humana, sem dúvidas, é a mais complexa. Basta
observarmos como a língua de determinado local sofre mudanças com o tempo: recebe novas
palavras, criam-se neologismos, termos, gírias.
Com o avanço da tecnologia e das realizações humanas em todas as áreas, novas palavras e
novos vocabulários são criados a fim de acompanharem o desenvolvimento da sociedade. Sem
contar as palavras que são absorvidas das mais diversas línguas e modificadas para se
ajustarem às regras gramaticais de outra localidade. Com certeza, nossas tataravós não
saberiam dizer o que é um drone ou um smartphone. Entretanto, ambos fazem parte de nossa
vida no presente e sabemos seus significados e suas funções.
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A linguagem, portanto, é uma adaptação fundamental na evolução dos seres humanos, e
não é formada apenas de sons específicos, mas envolve ainda gestos e expressões faciais,
que trazem emoção ao discurso.
Durante muito tempo, o estudo da linguagem humana limitou-se a ensaios e testes com
pacientes com lesões cerebrais, cujos danos restringiram aspectos da linguagem. Porém, com
o avanço da tecnologia de imagens, foi possível inserir a Neurociência no processo de
investigação das áreas cerebrais voltadas à linguagem, o que possibilitou uma compreensão
maior do fenômeno.
ALGUNS ASPECTOS DA LINGUAGEM
A linguagem pode ser desmembrada em componentes mais específicos; por exemplo, a
linguagem verbal inclui a vocalização de sons e a compreensão dos mesmos via sistema
auditivo. Dessa maneira, dependendo do tipo de linguagem utilizada, haverá um pareamento
de sistemas para a compreensão da mensagem.
Quando a linguagem utilizada for escrita, o sistema visual será encarregado de receber tais
estímulos.
Se a linguagem utilizada for o braille, por exemplo, o sistema somestésico será o primeiro a
receber as informações necessárias para que a comunicação ocorra.
Linguagem verbal
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Fonte: Shutterstock
BRAILLE
Sistema de escrita com pontos em relevo que as pessoas privadas da visão podem ler
pelo tato e que lhes permite também escrever; anagliptografia.
SISTEMA SOMESTÉSICO
O sistema somestésico está ligado à percepção tátil.
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Fonte: Shutterstock
Quando comparamos a linguagem verbal falada com a linguagem escrita, por exemplo,
entendemos que a primeira possui fortes bases neurais, uma vez que, nos primeiros meses de
vida, os seres humanos já são capazes de iniciar processos de aprendizagem neste campo.
Ao passo que a escrita ocorre em etapas posteriores da vida e depende de uma educação
formal, o que nem sempre ocorre. No entanto, a linguagem deve ser considerada universal, no
sentido de que todas as sociedades apresentam sistemas bem definidos de regras e se
comunicam, ao menos, verbalmente.
A universalidade da linguagem nos traz a ideia de que tal fenômeno é inato ao ser humano e
que, provavelmente, existam áreas específicas no cérebro para o processamento desses
dados.
Linguagem universal
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Fonte: Shutterstock
Seguem, então, alguns conceitos comuns utilizados na área de linguagem:
FONEMA
São unidades formadoras das palavras. São sons distintos, cuja junção resulta em palavras e
frases.
SINTAXE
Estrutura de regras gramaticais para associação de palavras em frases.
SEMÂNTICA
Trata-se da compreensão do significado das palavras.
PROSÓDIA
São inflexões, entonações de voz, gestos e expressões faciais que acompanham a fala.
ÁREAS ENCEFÁLICAS ENVOLVIDAS NA
FALA
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Você já se deu conta que a associação entre regiões cerebrais e a fala é uma descoberta
relativamente recente?
EXATAMENTE! DURANTE MUITO TEMPO,
ACREDITOU-SE QUE TODOS OS PROCESSOS
DE REGULAÇÃO DA FALA SE DAVAM APENAS
EM NÍVEIS INFERIORES, MAIS
ESPECIFICAMENTE OS MÚSCULOS DA BOCA,
LÍNGUA E LARINGE.
A partir de 1770, vieram os primeiros indícios de que áreas encefálicas estariam associadas a
problemas na fala. Porém, em 1863, o neurologista francês Paul Broca publicou um artigo
relatando vários casos de indivíduos com lesões nos lobos frontais, especificamente no
hemisfério esquerdo, nos quais a linguagem estava