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Agentes alucinógenos - Farmacologia

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Agentes alucinógenos 
Agentes alucinógenos, psicomiméticos ou psicodélicos como 
LSD e maconha têm relação com a arte, tendo inúmeros 
relatos de seu uso para realização das obras, a fim de 
potencializar a criatividade. Atualmente tem-se uso quase 
exclusivo para uso recreativo e religioso. Tem-se perturbação 
da percepção, pensamento e humor. Em geral pode haver 
uma redução da estimulação motora e uma depressão, tendo 
potencial de dependência relativamente baixo, salvo 
exceções, além de poderem causar violência e agressão por 
alteração da percepção sensorial. Em contraposição, alguns 
efeitos alucinógenos podem ser explorados 
terapeuticamente, como canabinoides e quetamina. 
Agonistas diretos da serotonina 
1) LSD (dietilamina do ácido lisérgico) 
É um derivado sintético do ácido lisérgico produzido pelo 
fungo Claviceps purpurea com alta potência alucinógena 
(solução pingada na língua ou papel sublingual), sendo muito 
lipofílico em decorrência de sua estrutura, apresentando alto 
acúmulo gorduroso, se acumulando primeiramente no 
cérebro e depois no tecido adiposo. Em geral possui poucos 
efeitos fisiológicos gerais, não tendo alterações em funções 
orgânicas, salvo em doses maiores. 
 
2) Pscilocibina ou pscilocina 
É extraída de cogumelos alucinógenos e possuem 
semelhança estrutural com a serotonina, tendo efeitos 
miméticos a esse neurotransmissor, tendo ação direta em 
seus receptores. 
 
3) Mescalina 
É extraída do cacto peiote e quimicamente relacionado às 
anfetaminas, tendo efeito principalmente alucinógeno como 
também psicoestimulante. 
Essas três substâncias são agonistas diretos da serotonina, 
com ativação de vários receptores (em especial 5HT2A), 
reduzindo a atividade de núcleo da rafe, que pode levar a uma 
redução de serotonina (mecanismo de autocontrole por 
entender que tem muita serotonina). Principalmente com o 
uso da mescalina promove também a inibição do transporte 
de monoaminas, geralmente não acontecendo com os 
demais alucinógenos. 
Irão promover perturbação sensoperceptiva (ilusão, distorção 
e alucinações), percepções sinestésicas (mesclas de 
modalidades de percepção), pensamento ilógico e 
desconexo, além de potencialização do humor. Como efeitos 
indesejados tem-se ‘bad trip’ (ansiedade, paranoia e delírio 
persecutório) e flashbacks que ocorrem dias, meses e até 
anos após o uso, que pode ser causado pelo alucinógeno (em 
especial o LSD) armazenado no tecido adiposo. Têm alta 
tolerância e baixa possibilidade de dependência, tendo 
relação de uso a eventos sociais. 
MDMA 
A 3,4-metilenodioximetanfetamina (ecstasy) é um derivado 
da anfetamina que possui efeitos estimulantes como efeito 
alucinógeno leve, garantindo euforia, agitação, alucinação e 
redução da inibição social. É uma droga de festa devido ao 
seu efeito empatógeno, que favorece a interação social. 
Mecanismo de ação: é misto, em que a porção anfetamínica 
age sobre dopamina e noradrenalina, aumentando a 
liberação desses neurotransmissores e garantindo o efeito 
psicoestimulante. Enquanto isso, o efeito psicomiméticos se 
dará pela inibição da ação da serotonina e redução da sua 
recaptação, a longo prazo aumentando a liberação de 
serotonina por depleção secundária. 
Tem baixo potencial de dependência e alto potencial de 
toxicidade. Devido a sua produção proibida está sujeita a 
contaminantes, de modo que os efeitos indesejados são 
imprevisíveis, esses que podem ser mais perigosos que a 
própria droga. 
Efeitos: reduz a fadiga e aumenta a disposição, por isso tem 
maior risco de lesão muscular (por escassez de fadiga) e 
insuficiência renal (perda de água e pouca reposição). Pode 
também ocorrer hipertermia aguda por aumento do 
metabolismo. O uso do ecstasy causa hiponatremia, colapso 
e coma, além de muita sede. Existem casos de morte súbita 
mesmo com doses baixas devido à falência cardíaca 
decorrente de falências renais e eletrolíticas. 
Como efeitos tardios tem-se depressão, ansiedade, irritação 
e agressividade. Além disso, o efeito crônico ao uso de 
ecstasy (mesmo que em dose baixa) provoca 
neurodegeneração evidente dos neurônios serotoninérgicos 
e dopaminérgicos. 
THC e canabinoides 
Tem-se mais de 100 canabinoides derivados de Cannabis 
spp., tendo uma composição heterogênea de linhagens da 
planta, variando conforme o tipo de plantação, clima, espécie, 
entre outros. O THC (tetrahidrocanabinol) fornece a porção 
alucinógena da maconha. 
Mecanismo de ação: o THC atua como um agonista dos 
receptores canabinoides CB1/CB2 com ação direta, que são 
receptores inibitórios acoplados a proteína G, presentes 
principalmente na pré-sinapse. Assim, seus efeitos podem 
variar conforme o neurônio e a via de transmissão modulada. 
O THC também inibe enzimas de degradação, além de agir e 
ativar outros receptores como de serotonina. 
Farmacocinética: é uma estrutura lipofílica (grupamento 
carbônico longo com poucos átomos carregados), podendo 
ser usada por via fumada ou por veículos oleosos. A absorção 
ocorre por várias vias, como via oral e aspiração. Raramente 
gera alucinação, exceto em maconha com altas quantidades 
de THC (depende também do indivíduo), sendo que pode 
gerar euforia em determinadas doses de maconha. 
Efeitos: causa sintomas e alterações psíquicas como 
aumento da ansiedade, sedação, redução da memória, 
tontura e tremor. Altera também funções vegetativas, 
reduzindo a temperatura, aumento da fome (inibição de 
mecanismos de supressão da fome), boca seca, 
broncoconstrição, redução da pressão arterial, taquicardia 
reflexa e diurese. Vários desses sintomas, apesar de serem 
indesejados, podem ter uso na clínica. 
O THC também pode servir como um gatilho para 
desenvolvimento de esquizofrenia (funcional). Tem baixo 
limiar de dependência, embora tenha efeitos reforçadores 
que possam promover uma busca e um retorno do uso da 
maconha. 
O processamento da maconha pode modificar a composição 
(natural, aquecida, seca), tendo predomínio de alguns 
canabinoides que irão causar efeitos adversos. Na maconha 
aquecida tem-se maior predomínio da formação de THC e 
aumento dos efeitos alucinógenos. Em contraposição, o uso 
por combustão propicia o acúmulo de canabidiol (CBD), com 
efeitos benéficos potenciais como antiproliferativo, 
analgésico e antieméticos. 
Como componentes da maconha tem-se cerca de 120 
canabinoides e cerca de outros 440 que não são 
canabinoides. Desses 120 tem-se algumas famílias 
específicas, em que 23 são da família do THC e 7 da família 
do canabidiol (CBD). Entre os componentes não 
canabinoides da maconha tem-se inúmeras substâncias com 
efeitos terapêuticos claros, como terpenos não-canabinoides 
(óleos essenciais) como linalol, limoneno e mirceno. 
 
Pensando em classificação de maconha tem-se três 
quimiotipos com conteúdo de canabinoides em variedades. 
 Quimiotipo I: níveis de THC muito maiores em 
comparação com os de CBD. 
 Quimiotipo II: possui níveis de THC menores que de 
CBD. 
 Quimiotipo III: possui níveis muito maiores de CBD se 
comparado com os de THC. 
Com base na quimiotaxonomia tem-se variantes químicas ou 
chemovar, como se fosse uma ‘digital’ das variantes de 
maconha, sabendo melhores tipos de maconha para fins 
medicinais. Pensando nos canabinoides, tem-se o THC com 
efeitos psicomiméticos, mas também com efeitos 
terapêuticos como no caso da esclerose múltipla. 
 
Outras plantas também produzem canabimiméticos (atuam 
em receptores canabinoides, apesar de não ter estrutura 
semelhante), como sálvia, cenoura, pimenta do reino, cacau 
e ginseng. Alguns fármacos tradicionais também possuem 
mecanismos canabinoides como paracetamol e dipirona. 
Quetamina e feniclidina 
São antagonistas glutamatérgicos de canais NMDA, podendo 
inibir também a recaptura de serotonina e produzir efeitos 
alucinógenos. De modo geral, possuem efeitos de euforia, 
alucinação e dissociação, sendo que são utilizados 
predominantemente para fins recreativos. 
Hioscina e hioscinamina