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direito_de_propriedade_2015-1

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DA DISCIPLINA
Obrigatória
CÓDIGO:
GRDDIROBG036
DIREITO DE PROPRIEDADE
FGV DIREITO RIO 6
CARGA HORÁRIA
60 horas
EMENTA
Posse e propriedade. Função social da propriedade. Tutela jurídica da pos-
se: tutela possessória e petitória. Registro. Usucapião. Estatuto da cidade. 
Direito de vizinhança. Direito de construir. Negócios imobiliários. Incorpo-
rações imobiliárias. Direitos reais. Condomínio. Financiamento imobiliário. 
Alienação fiduciária. Hipoteca e penhor. Superfície. Usufruto e servidão.
OBJETIVOS
Objetiva-se que o aluno desenvolva as seguintes competências e habilidades: 
i) enfrentamento das questões relativas aos imóveis e à compreensão da vida 
do homem nas cidades; ii) desenvolvimento da compreensão do individual e 
do coletivo na propriedade, e de que modo essa ligação ocorre; iii) análise de 
julgados; e iv) compreensão e sistematização de conceitos.
METODOLOGIA
A metodologia de ensino é participativa, com ênfase no estudo da legis-
lação, da doutrina e da análise da jurisprudência. Haverá, ainda, exercícios 
práticos a serem realizados pelos alunos. Para esse fim, a leitura prévia obriga-
tória mostra-se fundamental.
BIBLIOGRAFIA OBRIGATÓRIA
CARDOSO, Adalto Lúcio. Reforma Urbana e planos diretores: avaliação da 
experiência recente. Rio de Janeiro: Cadernos IPPUR, 1997
CHALHOUB, Melhim. Da incorporação imobiliária. 3ª ed. São Paulo: Re-
novar, 2010, pp. 9-34.
DANTAS JR., Aldemiro Rezende. O direito de vizinhança. Rio de Janeiro: 
Forense, 2003.
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FIGUEIREDO, Lucia Valle Figueiredo. Disciplina urbanística da proprieda-
de. São Paulo: Malheiros, 2005.
GOMES, Orlando. Direitos reais. 21ª edição. Forense: São Paulo, 2012.
LIMA, Henrique Viegas de. O direito de superfície como instrumento de orde-
nação urbanística, conclusões. São Paulo, Renovar, 2005.
LIMA, Ricardo C. Pereira. O regime de superfície no Novo Código Civil. In: 
Aspectos Polêmicos do Novo Código Civil. São Paulo, Re vista dos Tribunais, 
2003.
LORENZETTI, Ricardo. Fundamentos de Direito Privado. São Paulo: Revis-
ta dos Tribunais, 1998.
MORAES, Maria Celina Bodin de (org). Princípios de direito civil contempo-
râneo: o princípio da tipicidade dos direitos reais, por Gustavo Kloh Muller 
Neves. Rio de Janeiro: Renovar, 2006.
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Rio de janeiro: Forense, 2009.
SAULE JR., Nelson. Novas perspectivas do direito urbanístico brasileiro. Porto 
Alegre: Sérgio Antônio Fabris, 1997.
SOTO, Hernando de. O Mistério do Capital. Rio de Janeiro: Record, 2001.
TEPPEDINO, Gustavo. Contornos constitucionais da propriedade privada. 
In: Temas de Direito Civil. Rio de Janeiro: Renovar, 1999.
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Lumen Juris, 2006.
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Acesso em: 28/09/2008.
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BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
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modalidades de acessão. In: Dilemas urbanos: novas abordagens sobre a cida-
de. São Paulo: Contexto, 2003.
CARNEIRO, Dionísio Dias. Financiamento à habitação e instabilidade eco-
nômica: experiências passadas, desafios e propostas para a ação futura. Rio de 
Janeiro: FGV, 2003.
CASTRO, Tupinambá. Posse e Propriedade. Porto Alegre, Livraria do Advo-
gado, 2003.
COMPARATO, Fábio Konder. Função social dos bens de produção. In: Re-
vista de Direito Mercantil, n. 63, jul/set. São Paulo. 1986.
COUTO E SILVA, Clóvis do. Hipoteca no direito comparado. In: FRADE-
RA, Vera Jacob (Org.). O direito privado no pensamento de Clóvis do Couto e 
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FACHIN, Luis Edson. Estatuto Jurídico do Patrimônio Mínimo. Rio de Janei-
ro: Renovar, 2001.
IHERING, Rudolf von. Posse e Interditos Possessórios. Salvador: Progresso, 1959.
LEAL, Rogério Gesta. Função Social da Propriedade e da Cidade. Porto Ale-
gre: Livraria do Advogado, 1998.
PIPES, Richard. Propriedade e Liberdade. Rio de Janeiro: Record, 2001.
RAMOS, Maria Helena de (Org.). Metamorfoses sociais e políticas urbanas. 
Rio de Janeiro: DP&A, 2002.
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ro, Lumen Juris, 2006.
VARELA, Laura Beck. Das Sesmarias à Propriedade Moderna. Rio de Janeiro, 
Renovar, 2005.
DIREITO DE PROPRIEDADE
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UNIDADE I: POSSE E PROPRIEDADE
AULA 1: O QUE É SER DONO?
I. TEMA
Noções acerca da tradicional visão de propriedade.
II. ASSUNTO
Análise dos aspectos iniciais a respeito da visão tradicional da propriedade, 
desta vista pela sociedade e dos poderes proprietários.
III. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
O objetivo desta primeira aula consiste em: i) compreender a propriedade 
em sua visão tradicional; ii) sistematizar os poderes proprietários; e iii) enten-
der como a propriedade é vista dentro da sociedade.
IV. DESENVOLVIMENTO METODOLÓGICO
1 A propriedade em sua visão tradicional
Desde o direito romano, a questão da propriedade se põe diante dos es-
tudiosos do direito como das mais tormentosas, sem que se possa desde logo 
definir lineamentos imutáveis ou axiomas quaisquer.
Em primeiro lugar, vale referir que não apenas no Direito, como também 
na economia, na ciência política e na sociologia, as discussões em torno da 
função e do conceito de propriedade sempre tiveram maior vulto, havendo 
mesmo quem desejasse explicar a evolução histórico-econômica da sociedade 
humana como se fosse uma história da propriedade sobre os bens de capital.
Ao largo desta circunstância passaremos, pois não é objetivo deste co-
mentário descortinar maiores indagações sobre questões desta profundidade. 
Vamos nos deter sobre o que é exarado do dispositivo acima, portanto.
Na consolidação de Teixeira de Freitas já se lia no art. 884: “Consiste o 
domínio na livre faculdade de usar e dispor, das cousas e de as demandar por 
acções reaes”. Ou seja, a fórmula do artigo acima apenas consagra a conjuga-
ção de poderes já prevista nas Ordenações, e que se mantém até hoje. Ocorre 
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1 WOLFF, Martin. Derecho das Cosas. 
Vol. 1°. 3ª ed, Barcelona: Bosch, 1971, 
p. 326.
2 Bevilacqua, Código Civil dos EUB, vol. 
III, 11ª ed, Rio de Janeiro, Francisco 
Alves, 1958, p. 45.
que este desfiar sintético de poderes, conquanto verdade, não encerra a com-
preensão jurídica da propriedade nos dias atuais.
Inicialmente, podemos afirmar que a propriedade consiste no mais extenso 
direito real que um determinado ordenamento jurídico confere a um titular. 1 
Gostamos desta definição não porque ela é em especial boa, mas porque reconhe-
ce como toda e qualquer uma há de ser ruim, ou seja, é impossível formular um 
conceito uno e a-histórico de propriedade. De qualquer sorte, todo direito sub-
jetivo que consistir, em uma dada ordem, no direito mais amplo que se dá a um 
titular sobre uma coisa, será esta a propriedade, pois é esta a função que ocupa, 
a de ser meio de exercício de poder econômico e de atribuição de titularidades.
Consideramos também importante referir outro aspecto: o titular da pro-
priedade possui, em relação à coisa, um poder interno e outro externo; in-
terfere no destino da coisa, e impede que terceiros o façam, ou só o façam de 
acordo com seus desígnios. 2 Portanto, a distribuição das titularidades e da 
riqueza efetivamente passa pela normativização da propriedade na sociedade.
2 Poderes proprietários
O art. 1.228 do Código Civil encerra

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