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ATORES E FONTES DO DIREITO INTERNACIONAL DO MEIO AMBIENTE 
– DIMA – Direito Ambiental III – Unidade II 
1. Atores do DIMA 
Atores são os sujeitos que atuam, que participam dos processos de elaboração, 
interpretação e aplicação normativa. Nos direitos estatais (Direito interno), os principais 
atores são os cidadãos, particulares e o Estado, por seus agentes e órgãos da administração 
pública, poder legislativo e judiciário. Classicamente, entende-se que os atores ou 
sujeitos de direito internacional são os Estados, entendidos como entidades soberanas1 
que se sujeitam à normas pertencentes ao sistema internacional. Atualmente, porém, a 
concepção de soberania se relativizou, encarada atualmente a partir de movimentos de 
enfraquecimento e, ao mesmo tempo e paradoxalmente, fortalecimento desses mesmos 
sujeitos. 
Assim, o direito internacional do meio ambiente se destaca como um dos ramos 
do direito internacional de maior fluidez e evolução, sendo que nesse mesmo campo se 
destaca a atuação de novos atores – em especial as organizações intergovernamentais, 
das quais se destaca proeminentemente a Organização das Nações unidas – ONU e 
as Organizações Não Governamentais – ONGs. Assim, didaticamente, podemos 
dividir os sujeitos do direito internacional em duas categorias: 
1. Classicamente, os Estados, pois são os únicos que podem limitar sua própria 
soberania (autorregramento), em condição de igualdade a outros Estados. 
2. A concepção mais atual, de destacado relevo no tocante a temas ambientais: 
a. Os sujeitos clássicos, isto é, os Estados; 
b. As Organizações Internacionais (OIs), como a ONU e seus braços 
especializados (agências), como o Programa das Nações Unidas para 
o Meio Ambiente – PNUMA; 
 
1 A concepção clássica da Teoria do Estado compreende esta entidade a partir de três elementos: povo, 
território e soberania. A soberania é atributo exclusivo dos Estados, sendo compreendida em dois 
sentido: aspecto interno -pois o Estado possui autoridade exclusiva e suprema de decisão e aplicação 
dessas decisões em um território dado e externo – pois outros Estados possuem o dever de se abster de 
intervir em assuntos de outros Estados, entendidos como entidades juridicamente iguais, 
independentemente do tamanho de sua população e suas capacidades. 
Observe-se que a própria noção de soberania atualmente sofre modificações, na medida em que os 
Estados devem atender a demandas que atendem a princípios que se impõem mesmo acima dos Estados, 
em especial a dignidade humana, conceito em que se inclui as questões atinentes à proteção do meio 
ambiente. 
c. Pode-se incluir, ainda, as Organizações Não Governamentais (ONGs), 
entidades de caráter privado, podendo contar com participação de 
Organizações Internacionais e mesmo de Estados. A World Wide Fund 
for Nature – WWF é um exemplo emblemático, cujos fundos advém 
de diferentes origens, com relevante participação de pessoas 
individuais, mas também de organizações governamentais (como o 
Banco Mundial e agencias de desenvolvimento internacional dos 
Estados Unidos e Reino Unido) e empresas (como a Coca-Cola, a 
IKEA e outras grandes empresas). 
1.1 Os Estados e o Direito Internacional do Meio Ambiente 
As preocupações ambientais tem relevância na forma como os Estados se colocam 
no plano internacional. Desde o surgimento e consolidação do direito internacional do 
meio ambiente, em especial após a realização da Conferência de Estocolmo, em 1972, 
pode-se observar um movimento de fortalecimento e enfraquecimento dos Estados. 
Os Estados se fortalecem por três principais fatores: 
a) Consolidação das fronteiras: isso decorre, de um lado, do fim das grandes 
guerras, após 1945 e, ainda, após o desmantelamento do bloco soviético, em 
1991; 
b) A expansão dos limites geográficos desses Estados, com a definição do 
conceito de Zonas Econômicas Exclusivas - ZEE2; 
c) A expansão do conceito de soberania: tal fato relaciona-se ao fim dos 
processos de exploração colonial, que ao mesmo tempo fortalecem o 
reconhecimento da independência política das antigas colônias da Ásia e 
África, mas também a soberania dos Estados sobre os recursos naturais em 
seus territórios, reconhecida no preâmbulo da Convenção sobre 
 
2 A Zona Econômica Exclusiva (ZEE) é uma faixa situada para além das águas territoriais, sobre a qual cada 
país costeiro tem prioridade para a utilização dos recursos naturais do mar, tanto vivos como não-vivos, 
e responsabilidade na sua gestão ambiental. Estabelecida pela Convenção das Nações Unidas sobre o 
Direito do Mar (CNUDM), também conhecida como Convenção de Montego Bay, a Zona Econômica 
Exclusiva se estende por até 200 milhas marinhas (ou náuticas) – o equivalente à 370 km. 
 
Diversidade Biológica – CDB, de 1992 (Decreto n. 2.519, de16 de março 
de 1998). 
Ao contrário, os Estados também se enfraquecem, considerando outros três 
fatores, que resultam em menor autonomia no exercício da soberania: 
a) os Estados não podem explorar os recursos naturais sem ter 
em conta seus vizinhos. [caso da fundição trail, princípio 3 
da Declaração do Rio] 
b) os Estados assumem cada vez mais responsabilidade de se 
conformar a certas normas, especialmente as ambientais: “os 
Estados são responsáveis pela conservação de sua 
diversidade biológica, e pela utilização durável de seus 
recursos biológicos” [CDB]. 
c) A ideia de patrimônio Comum da Humanidade (Convenção 
do Mar, 1982) 
1.2 As Organizações Internacionais 
Organizações internacionais são associações entre Estados, dotadas de 
autonomia para a persecução de fins comuns. Sua criação resulta, comumente, de tratados 
celebrados entre Estados, mas também de resoluções tomadas no âmbito de outras 
organizações, em especial, as Resoluções da ONU. 
A primeira organização internacional reconhecida como tal é a Comissão Central 
do Reno, criada em 1815, ainda existente. Sua função é estimular a prosperidade 
europeia, garantindo um elevado nível de segurança para a navegação do Reno e 
arredores. A mais importante, sem dúvidas, é a Organização das Nações Unidas – ONU, 
criada em 1948, ao lado de outras, como o Banco Mundial. Ao longo do século XX, 
observou-se uma multiplicação de tais organismos, sendo possível verificar a existência 
de mais de 400 organizações após os anos 2000. 
Há dois grandes sistemas de Âmbito global (OGIs de âmbito global ou universais) 
 
a) Sistema Brenton-Woods, voltado ao gerenciamento econômico 
internacional, formado pelas seguintes grupos: 
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEC%202.519-1998?OpenDocument
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEC%202.519-1998?OpenDocument
https://pt.qwe.wiki/wiki/Rhine
• Fundo Monetário Internacional - FMI (1944) – promover a 
estabilidade monetária internacional; 
• Banco Mundial, subdividido em dois principais braços: 
i. Bird (1946) – Banco Internacional para Reconstrução e 
Desenvolvimento – que fornece empréstimos a países em 
desenvolvimento. 
ii. AID (1960) – Agência Internacional para o Desenvolvimento 
– que fornece subsídios para países pobres. 
b) Sistema ONU, voltado a questões internacionais diversas, sendo possível 
identificar em seu âmbito grande variedade de agências: 
• Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura 
(FAO, 1945) 
• Organização Mundial da Saúde (OMS, 1948) 
• Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos 
(OCDE, 1964) 
• Organização Mundial do Comércio (OMC, 1995) 
• Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura 
(Unesco, 1945) 
i. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD, 
1965), que, entre outras incumbências, volta-se a promoção do 
desenvolvimento e erradicação da pobreza, em especial com 
elaboração do Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, 
como forma de substituir o PIB como critério mais apurado de 
bem-estar e desenvolvimento dasnações, mas também o 
acompanhamento dos Objetivos do Desenvolvimento 
Sustentável até 2015 e a Implementação da agenda 2030. 
ii. Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA, 
1972), agência com viés ambiental, orientada à implementação 
e controle de programas relacionados a: 
• Mudanças climáticas 
• desastres e conflitos 
• manejo de ecossistemas 
• Governança ambiental 
• substâncias químicas e resíduos 
• eficiência no uso dos recursos 
1.3 As ONGs 
As Organizações não-governamentais definem-se pela independência e 
autonomia em relação aos governos, sendo entidades de caráter privado, ainda que 
atualmente tenham relevante participação no sistema internacional, nos mais diversos 
ramos de interesse. É possível identificar, assim, três tipos de ONGs 
• De indivíduos: sua atuação se restringe ao âmbito nacional do 
país onde foram criadas, na forma de seu direito interno; 
• Ongs internacionais: possuem atuação mais ampl, abrangendo 
os espaços territoriais de mais de um país, como o Greenpeace, 
a WWF, a União Internacional para a Conservação da 
Natureza – IUCN, entre muitas outras; 
• Fundada em 1948, a UICN reúne mais de 1.250 
organizações, incluindo 84 governos nacionais, 112 
agências de governo e um grande número de organizações 
não-governamentais (ONG) nacionais e internacionais, e 
cerca de dez mil membros individuais, que são cientistas e 
especialistas divididos em seis comissões. 
• a Declaração de Estocolmo e a Convenção sobre 
Diversidade Biológica (1992) se originaram nos textos 
apresentados pela UICN. 
• Organizações orientadas para a pesquisa e consultoria política, 
como o World Resources Institute - WRI, o International 
Institute for - Environment and Development - IIED, o World 
Watch Institute- WWI. 
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/1948
https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_n%C3%A3o_governamental
https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_n%C3%A3o_governamental
https://www.iied.org/
https://www.iied.org/
2. Fontes do Direito Internacional do Meio Ambiente 
2.1 Características e peculiaridades do Direito Internacional do Meio 
Ambiente 
O Direito Internacional do Meio Ambiente – DIMA se forma a partir das últimas 
décadas, tendo como marco a Conferência de Estocolmo de 1972 (Conferência das 
Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano), destacando-se como um ramo recente 
no âmbito do direito internacional. Trata-se de um novo campo do Direito, sendo sua 
construção elaborada a partir dos novos questionamentos em torno da questão ambiental, 
que toma cada vez maior espaço na pauta dos Estados e organizações internacionais. 
Cabe observar que o DIMA é caracterizado por aspectos peculiares, mesmo no 
campo do direito internacional. Sua fase de desenvolvimento atual, segundo alguns 
autores (Cretella, 2012, Direito Ambiental Internacional) se aproxima a do próprio 
Direito Internacional em suas fases iniciais – destacando-se, aqui e ali, o papel da doutrina 
e outras fontes não convencionais em sua elaboração. 
Pode-se afirmar que em nenhum outro campo do Direito, a Ciência e a Tecnologia 
influenciam tanto a produção normativa e os bens e valores protegidos. O DIMA é 
marcado também por uma mais acentuada mutação, acompanhando a evolução das 
ciências que estudam o meio ambiente. Uma e outra característica estão interligadas, 
sendo que uma e outra características se aproximam na medida em que há um acelerado 
desenvolvimento de novas tecnologias, exigindo-lhe técnicas de criação normativa mais 
céleres. 
Outrossim, o DIMA também se destaca por se apresentar, em grande parte, por 
normas de soft law ̧ isto é, normas de caráter não-obrigatório, constituindo-se de 
declarações, recomendações, planos de ações, conferências etc. Isso porque, em 
primeiro, há uma grande dificuldade em estabelecer-se consensos entre os sujeitos 
participantes do Direito Internacional do Meio Ambiente, de maneira que é mais fácil 
obter a adesão através deste tipo de instrumentos; em segundo, que as espécies de sanções 
previstas ao descumprimento das obrigações são diferentes, pois a reciprocidade não 
tem sentido em questões ambientais. 
Portanto, se por um lado o princípio da reciprocidade faz sentido e é instrumento 
de grande valia nas relações internacionais em geral – por exemplo, direito de Guerra e 
Direito Comercial e Tarifário – por outro lado, no direito ambiental, em razão mesmo da 
natureza dos bens objetos de sua tutela, o meio ambiente, sua proteção exige atenção geral 
e ininterrupta, através da cooperação e adesão voluntária por todos os Estados e agentes. 
Resumindo: se no direito internacional em geral o direito de reciprocidade tem 
grande valia, no direito internacional do meio ambiente, não faz nenhum sentido, 
dando maior relevância à ideia de cooperação e adesão voluntária aos parâmetros 
de proteção ambiental. 
Por fim, cabe observar que o Direito Internacional do Meio Ambiente é marcado 
por um processo contínuo de elaboração normativa. Isso decorre também do acelerado 
desenvolvimento tecnológico e científico, mas também porque sua construção se dá a 
partir de múltiplos pontos, em que os Estados e demais sujeitos participam, ao 
mesmo tempo, de diversas convenções ou tratados que versam, ao mesmo tempo, 
sobre um mesmo objeto. 
2.2 Fontes do Direito internacional do Meio Ambiente 
Em relação às suas fontes, devemos observar que o artigo 38 do Estatuto da 
Corte Internacional de Justiça elenca as fontes de Direito Internacional que serão 
observadas pela Corte em suas decisões. Este rol é considerado importante no 
reconhecimento das fontes deste ramo do Direito, sendo consideradas as fontes formais 
do Direito Internacional. 
 
Artigo 38 
1. A Corte, cuja função é decidir de acordo com o direito internacional as controvérsias 
que lhe forem submetidas, aplicará: 
a. as convenções internacionais, quer gerais, quer especiais, que estabeleçam regras 
expressamente reconhecidas pelos Estados litigantes; 
b. o costume internacional, como prova de uma prática geral aceita como sendo o 
direito; 
c. os princípios gerais de direito, reconhecidos pelas nações civilizadas; 
d. sob ressalva da disposição do Artigo 59, as decisões judiciárias e a doutrina dos 
juristas mais qualificados das diferentes nações, como meio auxiliar para a 
determinação das regras de direito. 
2. A presente disposição não prejudicará a faculdade da Corte de decidir uma questão 
ex aequo et bono, se as partes com isto concordarem. 
 
2.2.1 Tratados ou Convenções 
Os Tratados ou Convenções internacionais são espécies de contratos, firmados 
entre Estados, entre Estados e Organizações Internacionais ou entre Organizações 
Internacionais (OIs), trazendo, via de regra, obrigatoriedade no cumprimento de suas 
normas. 
Os tratados podem ser multilaterais ou bilaterais, no que diz respeito ao número 
de participantes. Podem também ser universais ou regionais, quanto ao âmbito de 
abrangência. 
Nesta engenharia normativa, em especial no campo do Direito Ambiental, 
destacam-se dois tipos de tratados: as Convenções-Quadro e os Umbrella Treaties. 
2.2.1.1 Convenções-Quadro 
As Convenções-Quadros são tratados de Espectro amplo e conteúdo definido, 
utilizados como base para complementação, através dos órgãos legisladores instituídos 
pela Convenção. Estabelecem obrigações gerais e para que protocolos posteriores adotem 
obrigações específicas 
Isso significa que as Convenções-Quadro não pretendem regulamentar 
completamente o seu objeto, mas permite algum espaço para complementação posterior, 
através de novos tratados – geralmente Protocolos. 
Outra característica mencionada é que as Convenções-quadro costumam criar, em 
seu âmbito, órgãos legisladores, que serão responsáveis pela adoção de sobreditas 
normas. São as Conferências das Partes (CoP), além de órgãos de Secretariado e 
Assessoramento científico, como órgãos auxiliares para implementaçãoda Convenção e 
realização de estudos pertinentes. 
2.2.1.2 Umbrella Treaties 
Já os umbrela treaties ou Tratados “guarda-chuva”, estes se caracterizam por 
possibilitar sua complementação pelos próprios Estados-partes, autonomamente. Isto é, 
não dependem de órgãos intermediários (CoPs) para criaçã legislativa. Isso possibilita, 
também, que Estados que não participaram das negociações do umbrela possam criar 
normas específicas sobre a matéria, baseando-se nas conclusões e normas deste tratado. 
Costumam dedicar-se à extenso domínio material, em torno do qual gravitam acordos que 
as complementam –dispensando as solenidades habituais para serem concluídos. 
2.2.2 Costumes internacionais 
Os costumes são considerados, na doutrina internacionalista, como práticas 
reiteradas, pressupondo, pela norma do artigo 38 da CIJ, um elemento subjetivo – 
prática “aceita como sendo o direito”. Cabe observar, porém, que na Era contemporânea, 
a das técnicas altamente desenvolvidas de comunicação e de transmissão de dados, a 
formação de um costume por intermédio de organizações internacionais encontra-se 
bastante facilitada e acelerada (costume instantâneo). 
2.2.3 Princípios Gerais de Direito 
Princípios gerais de direito são considerados fontes formais de direito 
internacional, funcionando como fonte primária na fundamentação das decisões da corte. 
Têm função de integração do direito, evitando o non liquet e a recorrência à equidade. 
Note-se que o Direito Internacional do Meio Ambiente, apesar de poder se valer 
dos princípios gerais, possui especificidades que comportam uma adequação de 
princípios usualmente utilizados no âmbito do Direito Internacional. Assim, não se fala 
em princípio da reciprocidade, conquanto se utilizem com frequência outros princípios, 
como o princípio da cooperação entre os povos e o princípio da responsabilidade comum, 
mas diferenciada. 
Além disso, o direito ambiental já comporta boa sistematização dos princípios, 
conforme visto: 
• Princípio do usuário-pagador (art. 4º, VII, da lei n. 6.938/1981). 
• Princípio do poluidor-pagador (Princípio 16 da Declaração do Rio/art. 
14, I, PNMA/art. 12, lei n. 9.605) 
• Princípios da prevenção e precaução, encontrado, por exemplo, nas 
Conferências Internacional sobre a Proteção do Mar do Norte - Princípio 15 da 
Declaração do Rio. 
• Princípio da avaliação do impacto ambiental das intervenções 
humanas (Princípio 17 da Declaração do Rio; art. 225, §1º, CF; art. 9º, III, da lei n. 
6.938/81) 
• Princípio do direito a uma vida saudável – Princípio I da Declaração de 
Estocolmo e do Rio 
• Princípio da vedação do uso da força para resolução de litígios em 
matéria ambiental, encontrado em: 
▪ Carta das Nações Unidas (DIP) 
▪ Princípio 26, Estocolmo – armas nucleares 
▪ Princípio 25 da Declaração do Rio 
o Princípio da intervenção estatal obrigatória na defesa do meio 
ambiente (Princípio 11 e 16 da Declaração do Rio e art. 225, §1º, CF) 
• Princípio da cooperação internacional, que pode ser extraído de 
versos diplomas normativos, tais como: 
▪ Art. 55 da Carta das Nações Unidas 
▪ Princípios 7, 8, 9, 12, 13, 24 e 27 da Declaração do Rio 
▪ Acordo-Quadro sobre Meio Ambiente (MERCOSUL), 2001 
▪ Lei n. 9.605/1998 
• Princípio da informação, que pode ser verificado em diversas normas: 
▪ Convenção sobre Pronta Notificação de Acidentes Nucleares de 
1986 
▪ Convenção sobre Movimentos Transfronteiriços de Resíduos 
Perigosose seu Depósito, Basileia, 1989 
▪ Princípio 10 da Declaração do Rio – participação-informação 
▪ Convenção sobre Acesso à Informação, Participação do Público no 
Processo de Tomada de Decisão e Acesso à Justiça em Matéria de 
Meio Ambiente (Aarhur, 1998) 
• Princípio da responsabilidade comum, mas diferenciada (Princípio 7 
da Convenção do Rio) 
a) Decisões das Cortes, Doutrina e Equidade 
As Decisões das Cortes e a doutrina funcionam como fonte auxiliar no Direito 
Internacional. No Direito Internacional do Meio Ambiente, por se tratar de ramo jurídico 
relativamente recente, ganham maior relevância na construção de princípios e 
sistematização de suas normas. A equidade, por sua vez, raramente é invocada, mas 
poderá ser utilizada como forma de suprimento de lacunas ou conflito de normas. 
2.2.4 Atos Unilaterais de OI 
Atualmente, não se questiona a relevância do papel de algumas Organizações 
Internacionais na construção do Direito Internacional. Conquanto não formalmente 
reconhecidos como fontes de Direito Internacional, os atos unilaterais destas 
organizações constituem importantes instrumentos para criação normativa do DIMA, 
no reconhecimento de costume e estabelecimento de diretrizes para criação dos direitos 
[internos.

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