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livro -Questão Social e Serviço Social - pdf

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caráter caritativo e assistencialista, 
práticas severamente combatidas na atualidade.
RESUMO DO TÓPICO 1
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1 Conforme o estudo desta primeira unidade, descreva como foram 
desenvolvidas na Antiguidade as práticas de assistência ao outro.
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2 Que influência teve a religião na consolidação da prática da assistência no 
contexto social, especificamente na Europa e América Latina?
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AUTOATIVIDADE
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TÓPICO 2
SURGIMENTO DA QUESTÃO SOCIAL E SEU CONTEXTO 
HISTÓRICO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Iremos aprofundar nesta unidade os fatores históricos econômicos, 
políticos, sociais e culturais que contribuíram para o surgimento da questão 
social, especificamente, durante o período de transição da Idade Média para a 
Idade Moderna, tais como, movimentos intelectuais como o Renascimento e o 
Iluminismo, que contribuíram para a concretização da Revolução Francesa.
Abordaremos também o surgimento e desenvolvimento do capitalismo, 
bem como os significados do liberalismo e do neoliberalismo enquanto doutrinas 
de política econômica a favor das ideias e avanços industriais e capitalistas.
2 FATORES HISTÓRICOS ECONÔMICOS, POLÍTICOS, 
SOCIAIS E CULTURAIS QUE CONTRIBUÍRAM PARA O 
SURGIMENTO DA QUESTÃO SOCIAL
A questão social está intrinsecamente vinculada com a história do surgimento 
e desenvolvimento do capitalismo, visto o desenrolar dos acontecimentos que 
mudaram o curso da história da humanidade. Por isso precisamos conhecer o 
passado para compreender e refletir sobre aspectos do cenário contemporâneo 
mundial e da nossa própria realidade. 
A transição da Idade Média para a Idade Moderna foi um período muito 
conturbado e difícil em todos os sentidos, pois foi um período de transição entre 
a mentalidade medieval para a mentalidade moderna racional, com profundas 
transformações sob o ponto de vista histórico econômico, político, social e cultural. 
Ao invés de termos o mundo explicado pela fé (por verdades reveladas), 
passa-se a ter um mundo explicado pela razão, pela ciência experimental; do 
teocentrismo passa-se para a perspectiva do antropocentrismo, focando não mais 
na fundamentação da teologia e do poder do absolutismo, mas essencialmente na 
racionalidade científica, onde o homem dotado de certeza e razão torna-se o centro 
do mundo.
UNIDADE 1 | A GÊNESE DA ASSISTÊNCIA E DA QUESTÃO SOCIAL
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Nesse período de transição obtivemos a primeira noção de movimento 
social, o RENASCIMENTO – desenvolvimento do Humanismo nos séculos XV e 
XVI, que foi caracterizado como um movimento intelectual de desenvolvimento 
artístico, literário e científico. Desse modo, renasce novamente a filosofia e há um 
grande passo às pesquisas científicas, até então proibidas na Idade Média. As 
manifestações deste movimento tiveram maior repercussão na França, contra as 
injustiças sociais, intolerância religiosa e privilégios do absolutismo.
FIGURA 4 – REPRESENTAÇÃO DO PERÍODO MODERNO
FONTE: Disponível em: <https://www.google.com.br/search?q=antropocentrismo&bi 
w=>. Acesso em: 5 jan. 2015.
 Assim também surgiu o ILUMINISMO, que significou uma corrente 
de pensamento dominante no período aproximado de 1700 a 1800, período 
caracterizado como Século das Luzes. Era um movimento que representava uma 
visão de mundo da burguesia intelectual da época na Europa, que estimulava a 
luta da razão e do progresso contra a superstição e a teologia. Essa corrente de 
pensamento inspirou os ideais da Revolução Francesa em 1789, que teve como 
lema: Liberdade, Fraternidade e Igualdade, pois denunciava erros e vícios do 
Antigo Regime feudal e absoluto, efetivando a derrubada da monarquia absoluta.
UNI
O teocentrismo é uma concepção que enfatiza Deus no centro de todas as 
coisas, desse modo, o homem e o que deve fazer definem-se essencialmente em 
relação a Deus (VÁZQUEZ, 2000).
TÓPICO 2 | SURGIMENTO DA QUESTÃO SOCIAL E SEU CONTEXTO HISTÓRICO
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Hampson (1996, p. 375) descreve que:
Mais que um movimento, o Iluminismo foi um modo de pensar. Falando 
de maneira geral, foi uma consequência da “revolução científica” no final 
do século XVII, que havia transformado a concepção que a maior parte 
das pessoas instruídas tinha a respeito do mundo por elas habitado. [...] 
A compreensão, pelo Homem, de si mesmo e da sociedade só podia 
ser alcançada pelos métodos científicos da observação e dedução, que 
lhe permitiam captar princípios que governavam o comportamento da 
matéria. 
O francês Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) tornou-se o iluminista mais 
radical, precursor do socialismo, defendia um Estado democrático, voltado para o 
bem comum e a vontade geral. 
Surge na época uma doutrina política e econômica designada como 
Liberalismo. Seu principal teórico foi o economista escocês Adam Smith (1723-
1790), que criticava a intervenção estatal na economia e idealizava uma economia 
dirigida pelo jogo livre da oferta e da procura, chamado de laissez-faire (deixai fazer), 
como se existisse algo invisível que iria conduzir da melhor forma a economia e a 
sociedade. O trabalho nesta concepção era considerado como a verdadeira riqueza 
das nações e o sistema econômico deveria ser dirigido pela livre iniciativa dos 
empreendedores, burgueses, capitalistas.
A ação racional, portanto, significava conformidade a um sistema que era 
moralmente autolegitimado. A “mão invisível” da Providência garantia 
que a busca individual de um autointeresse iluminista conduziria 
sempre ao bem-estar da sociedade como um todo. [...] Durante a 
segunda metade do século XVIII, o Iluminismo foi contestado por uma 
repulsa ao que era visto como uma concepção mecanicista do universo, 
uma negação das verdades da percepção e da emoção e uma fuga ao 
conflito entre inclinação e dever. Jean-Jacques Rousseau, em particular, 
embora partilhasse alguns dos pressupostos do Iluminismo, baseou 
sua teoria na soberania popular e um conceito de regeneração moral do 
indivíduo pela sociedade que tirava o seu dinamismo da consciência e 
de uma moralidade intuitiva. [...] Os homens que se viram no controle 
da França em 1789, em sua esmagadora maioria, partilhavam dos seus 
pressupostos (HAMPSON, 1996, p. 376).
Interessante ressaltar que a sociedade racional dos iluministas revelou na 
sociedade burguesa uma profunda irracionalidade, pois começava a germinar 
um tipo de dominação e exploração por parte dos burgos da época. Assim, foi 
UNI
Surge na época uma sociedade racional, porém com uma sociedade burguesa 
ambiciosa, onde a exploração e dominação eram cada vez mais evidentes, 
transparecendo novamente a desigualdade e a exclusão social. Assim, com o novo sistema 
econômico desenvolveu-se também uma nova sociedade, urbana e industrial, com suas 
consequências inevitáveis.
UNIDADE 1 | A GÊNESE DA ASSISTÊNCIA E DA QUESTÃO SOCIAL
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se consolidando e crescendo um tipo de grupo social que estava enriquecendo, 
a burguesia, grupo