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ITU por CÂNDIDA

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ITU por CÂNDIDA 
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA, ANIBAL MESCUA CARDOSO, MEDICINA, 2020. 
 
Infecção do trato urinário por Candida spp. É comum em pacientes hospitalizados e geralmente de 
forma benigna. A infecção invasiva dos rins (pielonefrite) não é comum e difícil de tratar. A grande 
maioria das infecções decorre da infecção endógena por Candida albicans, e os mecanismos podem 
ser de forma ascendente ou por via hematogênica (candidíase disseminada). 
 
APRESENTAÇÃO CLÍNICA 
ANAMNESE 
 
A maioria das candidúrias é assintomática, e a presença de leveduras pode representar apenas 
colonização. A evolução para infeção ascendente dos rins, o desenvolvimento de candidemia e a 
possibilidade de candidúria no contexto de candidíase disseminada são quadros possíveis que se 
manifestam com sintomas diversos e requerem devido tratamento com antifúngicos. 
 
Os sintomas comuns de infecção em trato urinário incluem: 
1. Disúria; 
2. Dor abdominal ou em flancos; 
3. Sinal de Giordano positivo (pielonefrite); 
4. Febre (pielonefrite). 
Fatores de risco: Uso de sonda vesical, terapia antimicrobiana prévia, diabetes, alteração anatômica 
ou doença do trato urinário, litíase de vias urinárias, cirurgias de vias urinárias, hipertrofia 
prostática, prótese peniana, bexiga neurogênica, nefrostomia, malignidade, idade avançada, 
internação hospitalar prolongada, ventilação mecânica, nutrição parenteral. 
Complicações: Pielonefrite, pielonefrite enfisematosa, necrose papilar, obstrução de vias 
urinárias, abscesso perinéfrico, bola fúngica, disfunção renal, candidemia, endocardite, sepse. 
 
 
ABORDAGEM DIAGNÓSTICA 
 
A urinocultura e o teste de susceptibilidade a antimicrobianos são essenciais para a determinação 
da etiologia. O número de leveduras na urinocultura não distingue colonização de infecção. O EAS 
é auxiliar na diferenciação de colonização e infecção. Os exames radiológicos são complementares. 
Os pacientes com candidúria com sinais sistêmicos devem ser avaliados para infecção disseminada. 
 
ACOMPANHAMENTO 
O tratamento inicial com antimicrobianos que necessite do uso endovenoso de antifúngicos, ou 
quadro clínico-epidemiológico que apresente maiores cuidados e vigilância quanto à adesão 
adequada ao tratamento, requerem internação hospitalar. 
 
ABORDAGEM TERAPÊUTICA 
A candidúria assintomática raramente requer terapia antifúngica, exceto em ocasiões de alto risco 
de disseminação como neutropenia, baixo peso ao nascimento (< 1500 g) ou manipulação do trato 
urinário. Quando indicado o tratamento, os antimicrobianos usuais envolvem equinocandinas, azóis 
ou anfotericina B, dependendo da necessidade de tratamento empírico ou direcionado. Para bola 
fúngica, a remoção cirúrgica é obrigatória. 
Observação: Anfotericina B complexo lipídico ou lipossomal não adquirem concentração urinária 
adequada e não devem ser usados como substitutos de Anfotericina B convencional (Deoxicolato). 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
1. FISHER JF, Kavanagh K, Sobel JD, et al. Candida urinary tract infection: pathogenesis. Clin 
Infect Dis 2011; 52 Suppl 6:S437. 
2. COBS DM, Dilworth TJ, Beyda ND, et al. Overtreatment of Asymptomatic Candiduria among 
Hospitalized Patients: a Multi-institutional Study. Antimicrob Agents Chemother 2018; 62. 
3. KAUFFMAN CA. Diagnosis and management of fungal urinary tract infection. Infect Dis Clin 
North Am 2014; 28:61. 
4. PAPPAS PG, Kauffman CA, Andes DR, et al. Clinical Practice Guideline for the Management 
of Candidiasis: 2016 Update by the Infectious Diseases Society of America. Clin Infect Dis 
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5. SOBEL JD, Fisher JF, Kauffman CA, Newman CA. Candida urinary tract infections-
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