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LÍNGUA PORTUGUESA 
 
Texto para as questões de 1 a 10. 
 
 
DAR UM JEITINHO 
 
Dar um jeito é um talento brasileiro, coisa que a pessoa de fora não pode entender ou praticar, a não ser 
depois de viver dez anos entre nós, bebendo cachaça conosco, adorando feijoada e jogando no bicho. É preciso ser 
bem brasileiro para se ter o ânimo e a graça de dar um jeitinho numa situação invejável. Em vez de cantar o Hino 
Nacional, a meu ver, o candidato à naturalização deveria passar por uma única prova: dar o jeitinho numa 
situação moderadamente enrolada. 
Mas chegou a minha vez de dar um jeito nesta crônica: há vários anos andou por aqui uma repórter 
alemã que tive o prazer de conhecer. Tendo de realizar algumas incursões jornalísticas pelo país, a moça 
freqüentemente expunha problemas de ordem prática a confrades brasileiros. Reparou logo, espantada, que os 
nossos jornalistas reagiam sempre do mesmo modo aos galhos que ela apresentava: vamos dar um jeito. E o 
sujeito pegava o telefone, falava com uma porção de gente, e dava um jeito. Sempre dava um jeito. Mas, afinal, que 
era dar um jeito? Na Alemanha não tem disso não; lá a coisa pode ser ou não pode ser. 
Tentei explicar-lhe, sem sucesso, a teoria fundamental de dar um jeito, ciência que, se difundida a tempo 
na Europa, teria evitado umas duas guerras carniceiras. A jovem alemã começou a fazer tantas perguntas 
esclarecedoras, que resolvi passar à aula prática. Entramos na casa comercial dum amigo meu, comerciante cem 
por cento, relacionado apenas com seus negócios e fregueses, homem de passar o dia todo e as primeiras horas da 
noite dentro da loja. Pessoa inadequada, portanto, para resolver a questão que forjei no momento de parceria com 
a jornalista. 
Apresentei ele a ela e fui desembrulhando a mentira: o pai da moça morava na Alemanha Oriental; tinha 
fugido para a Alemanha Ocidental; pretendia no momento retornar à Alemanha Oriental, mas temia ser preso; era 
preciso evitar que o pai da moça fosse preso. Que se podia fazer? 
Meu amigo comerciante ouviu atento, sem o menor sinal de surpresa, metido logo no seu papel de 
mediador, como se fosse o próprio secretário das Nações Unidas. Qual! O próprio secretário das Nações Unidas 
não teria escutado a conversa com tão extraordinária naturalidade. A par do estranho problema, meu amigo deu 
um olhar compreensivo para a jornalista, olhou para mim, depois para o teto, tirou uma fumaça no cigarro e disse 
gravemente: "O negócio é meio difícil... é ... esta é meio complicada... Mas vamos ver se a gente dá um jeito". 
Puxou uma caderneta do bolso, percorreu-lhe as páginas, e murmurou com a mais comovente seriedade: 
"Deixa-me ver antes de tudo quem eu conheço que se dê com o Ministro das Relações Exteriores". 
A jornalista alemã ficou boquiaberta. 
 
CAMPOS, Paulo Mendes. Colunista do morro. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1965. p. 90-92. 
 
 
Questão 1 
 
De acordo com o texto, a capacidade de “dar um jeito” é um talento brasileiro porque 
 
a) o brasileiro age por instinto ao fazer isso. 
b) o brasileiro é mais inteligente que os estrangeiros. 
c) essa é uma habilidade exclusiva dos brasileiros. 
d) os brasileiros são mais malandros que os estrangeiros. 
 
Questão 2 
 
Em relação ao modo como a alemã reage diante do talento brasileiro de “dar um jeito”, pode-se afirmar que 
ela 
 
a) não consegue compreender essa capacidade de dar um jeito. 
b) adere à habilidade do brasileiro. 
c) reprova essa capacidade. 
d) entende essa capacidade e questiona a sua legitimidade. 
 
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Questão 3 
 
Ao propor-se a “dar um jeito” em seu texto, o cronista 
 
a) ressalta que a característica de “dar um jeito” do brasileiro é muito conhecida no exterior. 
b) mostra o repúdio dos estrangeiros em relação a essa característica. 
c) utiliza o exemplo para evidenciar uma característica do brasileiro. 
d) compara a característica do brasileiro com a de outros povos. 
 
Questão 4 
 
O sentido de desembrulhar, usado metaforicamente em “fui desembrulhando a mentira”, equivale a 
 
a) desdobrar. 
b) complicar. 
c) desenrolar. 
d) expor. 
 
Questão 5 
 
A passagem “Apresentei ele a ela” contém um desvio da norma padrão. De acordo com a gramática 
normativa, a forma mais adequada seria: 
 
a) Apresentei-a a ele. 
b) Apresentei-lhe a ela. 
c) Apresentei-o a ela. 
d) Apresentei a alemã ao comerciante. 
 
Questão 6 
 
Na passagem “Entramos na casa comercial dum amigo meu, comerciante cem por cento, relacionado apenas 
com seus negócios e fregueses...”, a expressão “comerciante cem por cento” indica que o amigo do cronista 
 
a) era um comerciante dedicado às relações internacionais. 
b) dedicava-se exclusivamente ao comércio. 
c) era a pessoa ideal para resolver a questão apresentada. 
d) era um brasileiro exímio no talento de “dar um jeito”. 
 
Questão 7 
 
Na passagem “esta é meio complicada”, o termo esta apresenta como referente 
 
a) negócio. 
b) problema. 
c) situação. 
d) conversa. 
 
Questão 8 
 
Nos parágrafos 5 e 6, aparecem duas ocorrências de aspas. A função das aspas nesses dois casos é de 
 
a) separar a voz do comerciante da voz do narrador. 
b) dar ênfase à reação do comerciante diante do problema. 
c) realçar a disponibilidade do comerciante para resolver o problema. 
d) mostrar como o comerciante titubeou para resolver o problema. 
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Questão 9 
 
A leitura global do texto permite dizer que, na conclusão, o autor apresenta a 
 
a) exemplificação de que o brasileiro tem um talento nato para “dar um jeito”. 
b) comprovação de que “dar um jeito” é uma constante do povo brasileiro. 
c) comparação entre o talento do brasileiro e o talento do estrangeiro. 
d) exposição de um caso a uma pessoa inadequada para resolvê-lo. 
 
Questão 10 
 
Considere os seguintes trechos do texto: 
 
“...lá a coisa pode ser ou não pode ser”; 
“...ciência que, se difundida a tempo na Europa”; 
“Pessoa inadequada, portanto, para resolver a questão que forjei...”. 
 
As palavras em destaque expressam, respectivamente, a idéia de 
 
a) alternância, reflexibilidade, finalidade. 
b) possibilidade, possibilidade, conclusão. 
c) conclusão, passividade, conclusão. 
d) alternância, condição, conclusão. 
 
 
Leia o texto a seguir. As questões 11 e 12 baseiam-se nele. 
 
 
MENTE CANSADA, CORPO CANSADO 
 
A origem do cansaço físico parece estar no cérebro. Quando os músculos começam a apresentar fadiga em 
função de uso intenso, ocorre a liberação de uma molécula sinalizadora do corpo chamada interleucina-6 (IL-6). 
Essa molécula avisa o cérebro para produzir a sensação de cansaço e assim impedir danos aos músculos, devido 
a uma sobrecarga de trabalho. A novidade é que a sensação de cansaço parte do cérebro, e não dos músculos, 
como se acreditava até então. O estudo, publicado na revista New Scientist, foi realizado por pesquisadores da 
Universidade do Cabo, na África do Sul. 
 VIVER MENTE&CÉREBRO, n. 142, nov. 2004, p. 19. 
 
Questão 11 
 
Assinale a alternativa em que se evidencia o caráter de possibilidade expressado no texto. 
 
a) “Quando os músculos começam a apresentar fadiga ocorre a liberação de uma molécula sinalizadora.” 
b) “A origem do cansaço físico parece estar no cérebro.” 
c) “Essa molécula avisa o cérebro para produzir a sensação de cansaço e assim impedir danos aos 
músculos.” 
d) “A novidade é que a sensação de cansaço parte do cérebro e não dos músculos, como se acreditava até 
então.” 
 
Questão 12 
 
No trecho “Essa molécula avisa o cérebro para produzir a sensação de cansaço e assim impedir danos aos 
músculos, devido a uma sobrecarga de trabalho”, a palavra em destaque indica o resultado de 
 
a) impedimento de danos aos músculos. 
b) aviso ao cérebro da origem do cansaço físico. 
c) fadiga em função de uso muito intenso. 
d) produção da sensação de cansaço.