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Monografia- A ATUAÇÃO DO ADVOGADO DIANTE OS MEIOS ADEQUADOS DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS

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Arbitragem, 
Mediação e Negociação. V. 2. Brasília: Grupos de Pesquisa, 2003. p. 371. 
97 SALES, Carlos Alberto de; LORENCINI, Marco Antônio Garcia Lopes; SILVA, Paulo 
Eduardo Alves. Op. cit., 107. 
98 GUILHERME, Luiz Fernando do Vale de Almeida. Op. cit. p.44. 
99 SALES, Carlos Alberto de; LORENCINI, Marco Antônio Garcia Lopes; SILVA, Paulo 
Eduardo Alves. Op. cit. p., 104. 
100 BARBADO, Michelle Tonon. Op. cit., p. 372. 
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É um processo não vinculante, isso quer dizer que os litigantes podem 
continuar, suspender e retomar as negociações sem sofrer qualquer prejuízo. O 
mediador exerce certa influência sobre a forma de se conduzir o ato, as partes podem 
se comunicar diretamente, inclusive de forma estimulada pelo mediador que deve 
contribuir para a criação de opções ou discussão de assuntos que auxiliem na 
superação da questão disputada.101 
Ainda, a mediação de conflitos pressupõe confidencialidade, isso quer dizer 
que todas as informações, fatos, relatos e demais questões sobre os envolvidos serão 
sigilosos, jamais podendo ser revelados pelas pessoas estranhas daquela situação 
litigiosa, o mesmo ocorre em caso de reuniões separadas, que deverão ser 
preservadas. O sigilo é tamanho que o mediador jamais poderá ser arrolado como 
testemunha em caso de processo judicial envolvendo o mesmo litígio.102 
O mediador irá administrar o conflito baseado nos saberes das partes, que 
deverão ter a informação sobre o processo para eventuais tomadas de decisões, de 
modo que seu empoderamento é um elemento indispensável para a mediação.103 
A mediação é um instrumento da pacificação social, solução e prevenção de 
litígios, dividida em 4 modalidades: mediação judicial, que ocorre no curso processual; 
mediação extrajudicial, em que as partes elegem um terceiro para auxiliá-las; 
mediação prévia, que pode ocorrer antes de uma relação judicial ou mesmo 
extrajudicial; e mediação incidental que é obrigatória na hipótese de processo judicial 
de conhecimento, salvo exceções.104 
Como resultado, as pessoas que fazem uso da mediação acabam por 
aprender a administrar de forma positiva seus conflitos, com isso, capacitando para 
futuros conflitos, justamente pela característica didática desta prática, pois muitas 
vezes o mediador inicia um processo de solidariedade recíproca a partir da 
sensibilização das visões limitadas que as partes tinham sobre suas perspectivas da 
situação.105 
 
101 BRASIL. Conselho Nacional de Justiça 2015. Guia de Conciliação e Mediação Judicial: 
orientação para instalação e CEJUSC. Brasília/DF: Conselho Nacional de Justiça. p. 35. 
102 SALES, Carlos Alberto de; LORENCINI, Marco Antônio Garcia Lopes; SILVA, Paulo 
Eduardo Alves. Op. cit., p. 105. 
103 SALES, Carlos Alberto de; LORENCINI, Marco Antônio Garcia Lopes; SILVA, Paulo 
Eduardo Alves. Op. cit. p., 72. 
104 GUILHERME, Luiz Fernando do Vale de Almeida. Op. cit., p.75.79. 
105 SALES, Carlos Alberto de; LORENCINI, Marco Antônio Garcia Lopes; SILVA, Paulo 
Eduardo Alves. Op. cit., p. 106. 
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2.3 NEGOCIAÇÃO 
 
Na negociação os litigantes se encontram para resolver à disputa ou planejar 
uma transação, não conta necessariamente com a presença de um terceiro, as partes 
discutem e argumentam negociando seus próprios conflitos.106 
Trata-se de um processo de comunicação, com o objetivo de conseguir uma 
decisão conjunta entre as partes, que controlam a conformação e o desenvolvimento 
do modo pelo qual obterão o acordo, com foco na matéria que deu origem ao conflito 
partindo para a negociação.107 
A primeira reflexão a ser feita no âmbito da negociação é: Para quais questões 
da vida pode ser aplicada? Com um leque bem amplo, justamente por ser uma 
atividade constante na interação humana.108 
Sendo um meio para a criação de novos negócios, quando utilizado na 
resolução de controvérsias possui um aspecto negativo que acaba por dividir as partes 
gerando certa animosidade e corte de comunicação, portanto deve ser abordada com 
a propensão a vislumbrar um futuro de oportunidades possibilitando ainda ganhos 
mútuos no futuro.109 
Definida como uma comunicação voltada à persuasão, quando exercida na 
modalidade simples ou direta, as partes tem controle direto e total sobre o 
procedimento, inclusive quanto ao resultado, podem escolher o tempo e local, como 
será realizada, poderão definir a ordem da discussão e o momento de apresentação 
das propostas, a qualquer tempo é possível continuar, abandonar, suspender ou 
recomeçar as negociações.110 
Ocorre que a possibilidade de um longo e desgastante processo, bem como 
a incerteza sobre o resultado, pode gerar entre as partes a busca por um interesse 
comum.111 
 
106 GUILHERME, Luiz Fernando do Vale de Almeida. Op. cit., p.43. 
107 GUERRERO, Fernando, L. Op. cit., p.15. 
108 SALES, Carlos Alberto de; LORENCINI, Marco Antônio Garcia Lopes; SILVA, Paulo 
Eduardo Alves. Op. cit., p. 87. 
109 SALES, Carlos Alberto de; LORENCINI, Marco Antônio Garcia Lopes; SILVA, Paulo 
Eduardo Alves. Op. cit., p. 88. 
110 BRASIL. Conselho Nacional de Justiça 2015. Guia de Conciliação e Mediação Judicial: 
orientação para instalação e CEJUSC. Brasília/DF: Conselho Nacional de Justiça. p. 34. 
111 SALES, Carlos Alberto de; LORENCINI, Marco Antônio Garcia Lopes; SILVA, Paulo 
Eduardo Alves. Op. cit., p. 72. 
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Esclarece GUILHERME que: “O que se tem a incursão de um conjunto de 
técnicas praticadas pelas próprias partes que se obstinam a remediar a situação de 
crise e oferecer a melhor resposta para o caso.” 112 
As técnicas negociais são utilizadas na mediação e conciliação já que os 
meios extrajudiciais de resolução de conflitos devem utilizar de instrumentos 
multidisciplinares que possibilitam sua eficácia.113 
O processo de negociação se dá com o cumprimento das seguintes etapas 
elencadas por GUILHERME114: (i) Criação de uma atmosfera efetiva; (ii) 
esclarecimento das percepções das partes; (iii) foco nas necessidades individuais e 
compartilhadas; (iv) construção de um poder positivo e compartilhado; (v) atenção ao 
futuro e em seguida reflexão sobre o passado; (vi) geração de opções; (vii) 
desenvolvimento do caminho; e (viii) estabelecimento de acordos mútuos. 
Quando se está a negociar é necessário recuperar o equilíbrio mental e 
manter a concentração em busca do fim almejado, algo que deverá ser ensinado a 
parte contrária visando acabar com emoções negativas como o medo, a desconfiança, 
visando desarmar o litigante. 115 
O intuito do processo de negociação será fazer com que seu oponente deixe 
de regatear posições e compreenda que deverá existir uma forma de satisfazer as 
duas partes. A parte contrária deverá ser envolvida a buscar um acordo mutuamente 
satisfatório, compreendendo que uma negociação justa deve espalhar a conquista 
para ambos os lados e não uma vitória unilateral.116 
Por isso a negociação não será vista como um jogo “perde e ganha”, em que 
uma das partes obtém vantagem em detrimento de outra, mas será vista como um 
método que permite a criação de soluções, resultados mais duradouros, pois as partes 
se comprometem com o objetivo de finalizar a disputa.117 
 
 
 
 
112 GUILHERME, Luiz Fernando do Vale de Almeida. Op. cit., p.49. 
113 Ibidem, p.51 
114 Idem. 
115 Idem. 
116 GUILHERME, Luiz Fernando do Vale de Almeida. Op. cit., p.51. 
117 GUILHERME, Luiz Fernando do Vale de Almeida. Op. cit., p43. 
31 
 
 
 
2.4 ONLINE DISPUTE RESOLUTION (ODR) 
 
Os métodos “online” de resolução de disputas oportunizam ao Estado 
revitalizar a promessa da 3ª onda de acesso à justiça, que dedica a cada tipo de 
controvérsia um meio adequado para a solução.118 
A Online Dispute Resolution, que em português quer dizer: “Resolução de 
Conflitos em Rede”, é uma forma de solução de conflitos, que pode ocorrer total ou