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Monografia- A ATUAÇÃO DO ADVOGADO DIANTE OS MEIOS ADEQUADOS DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS

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parcialmente no ciberespaço, ou seja, um espaço aberto pela comunicação mundial 
doa computadores incluindo todos os meios eletrônicos de comunicação, até mesmo 
incluindo as redes telefônicas clássicas.119 
Este método de solução de conflito pode ser utilizado tanto para conflitos que 
tiveram sua origem “online”, como aqueles que tiveram início em relações fora do 
ciberespaço, refletindo a amplitude de sua aplicabilidade.120 
No entanto a utilização de novas tecnologias impõem a transformação na 
forma como o Sistema de Justiça se desenvolve e como a lei se relaciona com o 
Ciberespaço, considerando o impacto na autoridade e poder do Estado enquanto 
responsável pela elaboração, execução e fiscalização das leis.121 
Quanto a aplicabilidade da ODR, LIMA e FEITOSA esclarecem que: 
 
“A resolução de conflitos em rede concretiza o conceito de virtualização do Poder Judiciário, 
uma vez que viabiliza que todo o procedimento ocorra de forma virtual e mesmo que em 
determinadas situações as partes acabem optando por dar continuidade ao procedimento de 
forma presencial.”122 
 
Apesar de se iniciar na forma virtual, o procedimento poderá ser continuado 
pela via judicial, ensejando que a resolução se inicia da forma compositiva, no entanto 
se não for possível a composição será direcionada para a via jurisdicional, conforme 
ocorre no sistema oferecido pelo PROCON/PR. 
 
118 VIEIRA, Laísa Fernanda Alves; DOI, Lina Tieco. Online Dispute Resolution (ODR) e 
regulamentação nos Tribunais brasileiros. Revista Jurídica da Escola Superior de Advocacia da 
OAB-PR; Escola Superior de Advocacia; coordenação: Fernando Previdi Motta, v.3, n.3 (dez. 2018) 
Curitiba: OABPR, 2018 p. 305. 
119 LIMA, Gabriela Vasconcelos; FEITOSA, Gustavo Raposo. Online Dispute Resolution 
(ODR): A Solução de Conflitos e as novas tecnologias. Revista do Direito. Santa Cruz do Sul, v. 3, 
n. 50, p.53-70, set./des. 2016. P. 61. 
120 Ibidem, p. 62 
121 Idem. 
122 Idem. 
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O PROCON/PR disponibilizou aos consumidores de todo o Brasil a plataforma 
“consumidor.gov.br”, que proporciona a comunicação direta com as empresas 
participantes do programa. 
De forma gratuita permite a interlocução entre consumidores e empresas para 
uma solução alternativa de conflitos de consumo pela internet, não se constituindo 
procedimento administrativo, ocorrendo sem prejuízo ao atendimento oferecido pelos 
canais tradicionais, com ênfase na interação entre as partes e na redução de conflitos 
de consumo. 123 
A finalidade da plataforma é: “ampliar o atendimento ao consumidor; incentivar 
a competitividade pela melhoria da qualidade de produtos, serviços e do 
relacionamento ente consumidores e empresas; aprimorar as políticas de prevenção 
de condutas que violem os direitos do consumidor; fortalecer a promoção da 
transparência nas relações de consumo.”124 
Os dados obtidos das reclamações registradas são publicados, divulgando as 
empresas que obtiveram o melhor índice de solução e satisfação no tratamento das 
reclamações, nenhuma providência é tomada contra a empresa que não responde a 
reclamação, mas os fatos poderão subsidiar a adoção em âmbito coletivo das medidas 
necessárias de prevenção e punição das empresas.125 
No que tangem as ferramentas utilizadas nos mecanismos de Resolução de 
conflitos “online”, LIMA E FEITOSA esclarecem: 
 
Mecanismos de resolução de conflitos online podem adotar ferramentas que variam da 
negociação à mediação, conforme já afirmado, em softwares projetados com diferentes níveis 
de automação. Sistemas baseados em negociação, por exemplo, não exigem qualquer tipo 
de intervenção humana e podem funcionar de forma totalmente automatizada, contando 
somente com a participação das partes diretamente envolvidas no conflito. Este modelo 
funciona por meio do envio de propostas ou contrapropostas por intermédio do próprio 
sistema de ODR. Esse padrão de sistema se mostra apropriado quando o conflito em questão 
é baseado tão somente na disputa de valores monetários e a obtenção de um acordo para o 
pagamento de determinado valor mostra-se o objetivo principal.126 
 
As vantagens da utilização das ODR compreendem a economia financeira e 
de tempo, conveniência do procedimento com acesso em qualquer lugar pelo usuário 
 
123 CONSUMIDOR. GOV. disponível em 
<https://www.consumidor.gov.br/pages/conteudo/publico/1> acesso em 23 mar 2019. 
124 Idem. 
125 Idem. 
126 LIMA, Gabriela Vasconcelos; FEITOSA, Gustavo Raposo. Op. cit., p. 64. 
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reduzindo custos em viagens, controles das partes sobre o resultado, não depender 
dos horários do judiciário, a troca de mensagens pode ser assíncrona possibilitando 
uma manifestação mais cuidadosa do texto enviado ao interlocutor, mas quanto as 
dificuldades, tem se a ausência de previsão legislativa regulando as soluções em 
ODR. 127 
Os Tribunais de Justiça do Brasil passaram admitir o cadastramento de 
Câmaras Privadas para atender os métodos eletrônicos de solução de conflitos, mas 
o Poder Judiciário de cada estado deverá elaborar seus respectivos provimentos, com 
todas as regulamentações, sendo que o TJ/SP foi o primeiro a dispor sobre a 
mediação e conciliação à distância.128 
O Tribunal de Justiça de São Paulo, considerando a validade dos acordos 
realizados à distância, dentre os quais devem ser preservados os princípios 
regimentais da conciliação e mediação, expediu um provimento de n.º 2.289/2015 
dispondo sobre o assunto, com exigências sobre a gravação do conteúdo das 
reclamações, promoção da atividade e disponibilização da cópia do material para as 
partes, além de resguardar a autonomia da vontade das partes.129 
A iniciativa do tribunal de justiça de São Paulo pode servir de parâmetro para 
vislumbrar a aplicabilidade e efetividade dos meios compositivos online, algo que logo 
será difundido por todo o território nacional. 
Para o poder judiciário, essas soluções podem eliminar o número elevado de 
potenciais processos, antes mesmo de seu nascimento, economizando na 
movimentação da máquina estatal, diminuindo inclusive as audiências de 
conciliação.130 
Para os advogados, a plataforma de ODR pode representar total 
independência das partes, afastando qualquer necessidade de apoio jurídico, no 
entanto, inúmeros escritórios estão se capacitando em plataformas ODR buscando 
oferecer serviços voltados às empresas, acompanhando a tendência tecnológica. 
Ainda, os operadores do direito devem estar atentos a qualquer possibilidade 
de resolução de conflitos, poderão inclusive utilizar destes mecanismos a favor de 
 
127 Ibidem, p. 65. 
128 VIEIRA, Laísa Fernanda Alves; DOI, Lina Tieco. Op. cit., p. 305. 
129 VIEIRA, Laísa Fernanda Alves; DOI, Lina Tieco. Op. cit., p. 305. 
130 LIMA, Gabriela Vasconcelos; FEITOSA, Gustavo Raposo. Op. cit. p. 64. 
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seus intetesses, poderá proceder com a reclamação ou prestar consultoria jurídica 
orientando quanto ao procedimento. 
 
2.5 ARBITRAGEM 
 
A arbitragem é disciplinada pela Lei 9.307/1996, com previsão legal no art. 3º, 
§ 1º do CPC, que permite a arbitragem na forma de lei específica. O CPC elenca em 
diversos artigos garantindo efetividade desta modalidade, a exemplo, a garantia da 
competência do juízo atribuída pela convenção arbitral (em seu art. 337, X), bem 
como, atribui à sentença natureza de título executivo judicial, nos termos do art. 515, 
VII. 
Consiste na atuação de um terceiro, capacitado tecnicamente, que, eleito 
pelas partes irá dirimir o conflito estabelecendo o que será mais justo naquele caso 
concreto, a capacitação do terceiro faz que este seja abastecido de expertise para 
apreciar aquela situação, o que garante maior segurança e confiabilidade às partes.131 
Conforme já mencionado, o art. 1º da Lei 9.307/1996, prevê que as partes 
poderão utilizar da arbitragem quando