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Monografia- A ATUAÇÃO DO ADVOGADO DIANTE OS MEIOS ADEQUADOS DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS

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visando à satisfação de ambas as partes, 
então a base para futuras relações mais cooperativas pode ser estabelecida e a probabilidade 
de recorrência é reduzida.22 
 
Os conflitos podem ser destrutivos ou construtivos, os primeiros têm uma 
tendência a se expandir, gerando insatisfação, fundado no modelo “ganha-perde”, 
para um ganhar o outro necessariamente precisa perder. Nos resultados construtivos, 
o resultado alcançado pelas partes é satisfatório, fundado na relação “ganha-ganha”, 
as partes cooperam para que ambos possam tirar proveito da solução.23 
Por ser inevitável nas relações humanas, o conflito nem sempre pode ser 
definido como algo positivo ou negativo, pois esse fato vai depender do resultado, que 
pode ser destrutivo ou construtivo, a depender da maneira como for tratado. Por isso 
é um processo dinâmico sujeito a permanente alteração de seus elementos, ou seja, 
 
21 Idem. 
22 Idem. 
23 Idem. 
9 
 
 
na medida em que se desenvolve, trocam-se as percepções e atitudes dos atores, 
que em consequência modifica suas condutas.24 
A intervenção no conflito deve ser feita de modo a buscar os resultados 
construtivos, visando garantir que a situação se resolva e evitando que se repita ou 
mesmo, ressurja evoluindo para consequências indesejadas. Normalmente o ser 
humano recorre a três formas diferentes de reação a situações conflitivas, como por 
exemplo, a evasão, a violência ou a busca pelo consenso através do diálogo. 25 
O diálogo quando utilizado para resolução da situação é capaz de promover 
mudanças efetivas e duradouras, ainda, a solução é reconhecida e aceita por todos 
como sendo legítimas, gerando um benefício mútuo, o legítimo modelo “ganha-
ganha”.26 
Para obter sucesso na efetiva solução do conflito é necessário proceder com 
a manipulação de todas as variáveis da interação conflitiva, seja através da 
comunicação com o intermédio de um terceiro neutro, em um ambiente adequado, 
transformando a situação de forma construtiva, que permita aos envolvidos a criação 
de novos padrões de relacionamento, satisfação e cooperação, gerando ganhos 
individuais cooperando com o adversário.27 
Dessa forma, é possível concluir que, se o conflito for conduzido 
adequadamente, com emprego de todas as técnicas adequadas, pode gerar efeitos 
positivos, conforme ALBUQUERQUE esclarece: 
“Não à toa, o ideograma chinês que representa conflito significa perigo (no 
sentido de impasse e que acaba retirando a energia individual das pessoas) e 
oportunidade (de considerar novas opções e abrir-se a novas possibilidades que 
permitirão novas relações entre os indivíduos)”. E acrescenta: “É um convite para que 
saiamos da zona de conforto.” 28 
 
 
 
24 ALBUQUERQUE, Dionara Oliver. O marco Legal da Mediação no Brasil e o mediador 
judicial, sua capacitação e formação continuada. O Exemplo do NUPEMEC- TJRS. In:_. Coleção 
mediação. v. 2. Porto Alegre: Tribunal de Justiça do estado do Rio Grande do Sul, Departamento de 
Suporte Operacional, Serviço de Impressão digital e Mídia Digital, 2017. p. 38. 
25 BIANCHI, Angela Andrade; JONATHAN, Eva; MEURER, Olivia Agnes. Teorias do Conflito. 
In: ALMEIDA, Tania; PELAJO, Samantha; JONATHAN, Eva (coords). Op cit., p.81 
26 Idem. 
27 ALBUQUERQUE, Dionara Oliver. Op.cit., p. 43. 
28 Idem. 
10 
 
 
1.2 BREVE EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS MEIOS DE SOLUÇÃO DE 
CONFLITOS 
 
Nas sociedades primitivas os litígios eram solucionados mediante o uso de 
força física, ou seja, resolviam pela autotutela. Muitas vezes os litigantes realizavam 
acordos com o sacrifício total ou parcial de seus interesses, se perfazia a 
autocomposição. Ou ainda, buscavam um terceiro de mútua confiança que 
geralmente era um sacerdote ou ancião, que julgava o conflito, ocorria a 
heterocomposição ou arbitragem.29 
Na autotutela, a parte mais forte impunha o resultado àquela mais fraca, 
conhecida como a “justiça pelas próprias mãos”, vista como um método primitivo 
remetendo a ideia de solução violenta pois não garante a forma mais justa, apenas a 
vitória sobre a parte mais fraca.30 
Esta solução trazia uma série de inconvenientes, além de ter ocorrido uma 
possível injustiça, a outra parte que ficara insatisfeita, por certas vezes buscava 
retomar aquilo que lhe foi tirado de uma forma ainda mais violenta. Ou seja, o conflito 
que de início havia sido solucionado, poderia vir a comprometer de forma irremediável 
a pacífica convivência social.31 
A autocomposição em que nesta forma de solução, as partes abriam mão de 
seu interesse para permitir que se encontrasse um resultado que pudesse ser 
satisfatório para ambos, que poderia ser buscada por três formas: (a) A renúncia por 
aquele que formúla a pretensão; (b) submissão por aquele que resistia a pretensão; 
(c) transação, em que ambas as partes chegam a um acordo abrindo mão de parte de 
seu interesse.32 
Os inconvenientes possíveis consistiam no fato de muitas vezes a parte ser 
coagida a realizar a autocomposição, no receio de o objeto de seu interesse ser 
tomado de forma violenta pelo adversário, ou seja, temor de a consequência do não 
acordo ser o exercício da autotutela.33 
A arbitragem envolvia um terceiro que não compunha o conflito, meio de 
heterocomposição. O terceiro, chamado de árbitro, de confiança das partes resolveria 
 
29 PANTOJA, Fernanda Medina; ALMEIDA, Rafael Alves de. Op. cit. p.55-69. 
30 DELLORE, Luis; SOUZA, André Pagani de; CARACIOLA, Andrea Boari. Op. cit., p.8. 
31 Idem. 
32 Idem. 
33 Idem. 
11 
 
 
o conflito. Nas sociedades primitivas era muito utilizada, normalmente seria alguém 
dotado de particular respeito pelos membros da comunidade, que poderia ser um líder 
religioso ou um ancião.34 
A arbitragem era facultativa e não existiam garantias do cumprimento da 
decisão, mas ao longo da história, a arbitragem foi evoluindo e passou a ser 
obrigatória, tomando o Estado à posição do terceiro imparcial o que passou a ser o 
que hoje chamamos de jurisdição.35 
A criação da figura do Estado que ficou incumbido de administrar, legislar e 
julgar, com o dever exclusivo de prestar a jurisdição, ofertou uma atividade 
jurisdicional promovida por meio de processo judicial, composta na intervenção de um 
juiz que impõe uma decisão dos termos da lei imposta pelo Estado.36 
Ao longo do tempo, a heterocomposição e a autocomposição passaram a ser 
consideradas instrumentos próprios das sociedades primitivas, enquanto o processo 
jurisdicional passou representar a insuperável conquista da civilização. No entanto, na 
atualidade ressurge o interesse pelas vias alternativas ao processo, por serem 
capazes de abreviá-lo ou até mesmo excluí-lo da situação.37 
Ocorre que, mesmo após a jurisdição assumir o papel para a resolução de 
conflitos, os meios anteriormente mencionados passaram a ser de suma importância 
para a situação contemporânea do direito, nas palavras de DELLORE: 
 
Na verdade, todos esses meios de solução mencionados no item anterior possuem algum 
papel na sociedade contemporânea. Até mesmo a autotutela, por mais que possa parecer 
estranho, à primeira vista, tem seu espaço, ainda que diminuto. Esse ponto, aliás, há que ser 
realçado, para não incidirmos em equívoco. Se é correto afirmar que os sistemas modernos 
vedam, em regra, a autotutela, não é certo, de outra parte, dizer que tal forma de solução de 
conflitos é completamente proibida pelos sistemas contemporâneos. (...) Aliás, atualmente 
verifica-se um verdadeiro redimensionamento do papel da jurisdição estatal, com a 
revalorização da autocomposição e da arbitragem. Isso em função não só do acúmulo de 
processos no Judiciário, o que faz procurar alternativas para desafogá-lo, mas, também, pela 
consciência de que nem sempre a via judicial é a mais indicada.38 
 
 
34 Idem. 
35