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Monografia- A ATUAÇÃO DO ADVOGADO DIANTE OS MEIOS ADEQUADOS DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS

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Ibidem, p.9. 
36 PANTOJA, Fernanda Medina; ALMEIDA, Rafael Alves de.. Op. Cit., p.55-69. 
37 Ada GRINOVER, Ada Pellegrini; WATANABE, Kazuo; LAGRASTA NETO, Caetano. 
Mediação e gerenciamento do processo - Revolução na prestação jurisdicional: guia prático para 
a instalação do setor de conciliação e mediação. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2013. p. 1. 
38 DELLORE, Luis; SOUZA, André Pagani de; CARACIOLA, Andrea Boari. Op. Cit., p.9. 
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A problemática passou a ser a morosidade dos processos, que associados ao 
alto custo e burocratização, acumuladas das deficiências do patrocínio gratuito, além 
do distanciamento do judiciário aos seus usuários. Ainda, temos o elevado grau de 
litigiosidade, advindo da modernidade que atribuiu esforços em busca da 
universalidade da jurisdição, algo que possibilitou o acesso a um número maior de 
pessoas e ampliação de causas que ascendem ao judiciário. Todos estes fatores 
acarretaram uma sobrecarga do aparelho judiciário, o que resultou na “Crise da 
justiça”: 
 
A crise da justiça, representada principalmente por sua inacessibilidade, morosidade e custo, 
põe imediatamente em realce o primeiro fundamento das vias conciliativas: o fundamento 
funcional. Trata-se de buscar a racionalização da distribuição da Justiça, com a subsequente 
desobstrução dos tribunais, pela atribuição da solução de certas controvérsias a instrumentos 
institucionalizados que buscam a autocomposição. E trata-se ainda da recuperação de certas 
controvérsias, que permaneciam sem solução na sociedade contemporânea, perante a 
inadequação da técnica processual para a solução de questões que envolvem por exemplo, 
relações comunitárias ou de vizinhança, a tutela do consumidor, os acidentes de trânsito, etc. 
Os juizados especiais ocupam-se dessas controvérsias, mas eles também estão 
sobrecarregados, por força da competência muito alargada que lhes atribuiu a lei.39 
 
A crise vivenciada pela jurisdição tornou necessário repensar na forma como 
os conflitos podem ser solucionados, inclusive trazendo de volta os modelos já 
utilizados pelas sociedades primitivas, de modo a garantir a todos o devido acesso à 
justiça, com a eficiência e efetiva solução para cada situação enfrentada. 
Há mais de 20 anos o Brasil vem implementando a discussão e aprofundando 
a utilização de outras formas de solução de controvérsias, com medidas práticas 
sendo adotadas no sentido de facilitar a aplicação de métodos de solução de 
controvérsias através da lei, surgindo a Lei Brasileira de Arbitragem em 1996 e o 
projeto de Lei de Mediação em 1998.40 
 
1.3 O ACESSO À JUSTIÇA 
 
O acesso à justiça pode ser compreendido como o mais básico dos direitos 
humanos, é um requisito fundamental que deve ser garantido por um sistema jurídico 
 
39 Ibidem, p.9. 
40 GUERRERO, Fernando, L. Os Métodos de Solução de Conflitos e o Processo 
Civil .:Coleção Atlas de Processo Civil. (Coord). CARMONA, Carlos Alberto. São Paulo: Atlas, 2015. 
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que se considere moderno e igualitário, que possui como pretensão garantir, e não 
somente proclamar os direitos de todos.41 
No Brasil, após a Constituição de 1988, o processo judicial assume o papel 
de instituição, denominada de modelo constitucional do processo, regido pelo conjunto 
de princípios que compõem o devido processo legal, entendido como o “princípio 
síntese” do processo, justamente por representar todos os demais princípios 
processuais.42 
Nossa Constituição Federal estabeleceu um sistema de tutela constitucional 
em relação ao processo, dessa forma assegurou o acesso à justiça e a 
inafastabilidade do controle jurisdicional, previstos no seu artigo 5.º, XXXV. 
O devido processo legal nos remete a ideia de um sistema caracterizado pela 
ordenação e pela unidade, para que seja possível uma inter-relação dinâmica e 
harmoniosa entre os envolvidos no processo, para que se possibilite atingir o fim 
pretendido. 43 
No entanto, o judiciário passou a ser incapaz de solucionar satisfatoriamente 
todo o volume de demandas, consequentemente os Tribunais não garantem decisões 
rápidas, definitivas e eficazes, resultando na chamada “Crise da Justiça”. As causas 
dessas deficiências apontadas pelos pesquisadores são divididas em três grupos: 
econômico, organizacional e processual.44 
DELLORE, nos leva a refletir sobre a efetividade do acesso à justiça prevista 
na nossa Constituição Federal: 
 
Até que ponto o acesso à Justiça, compreendido em seu sentido pleno, é assegurado em sua 
acepção real? Indagação esta que se faz notadamente face ao NCPC, uma vez que 
necessárias a busca e a criação de novas técnicas processuais que viabilizem, assegurem e 
facilitem o exercício do direito de ação, no menor prazo, com o menor custo, com a prática do 
menor número de atos processuais e com a melhor qualidade possível, com vistas à obtenção 
de uma tutela justa, adequada ao conflito subjacente de direito material e efetiva.45 
 
A razoável duração do processo judicial é contemplada na nossa Constituição 
Federal, no art. 5º, LXXVIII, introduzida pela Emenda Constitucional 45/2004. A 
 
41 Ibidem, p.69. 
42 Ibidem, p.63. 
43 Idem. 
44 PANTOJA, Fernanda Medina; ALMEIDA, Rafael Alves de. Op. cit., p.55-69 
45 DELLORE, Luis; SOUZA, André Pagani de; CARACIOLA, Andrea Boari. Teoria Geral do 
Processo Contemporâneo. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2018. p. 71. 
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Emenda positivou em nosso direito constitucional a orientação advinda das 
convenções internacionais de direitos humanos, não estando além do âmbito da 
proteção judicial efetiva, devendo esta, ser entendida como a proteção judicial 
assegurada em tempo adequado.46 
Neste sentido, GONÇALVES acrescenta: 
 
O dispositivo revela a preocupação geral do legislador como um dos entraves mais 
problemáticos do acesso a justiça: a demora no julgamento dos processos. (...) Esse princípio 
é dirigido em primeiro lugar ao legislador, que deve editar leis que acelerem e não 
atravanquem o tempo do processo. Em segundo lugar ao administrador, que terá que zelar 
pela manutenção adequada dos órgãos judiciários, aparelhando-os e dar efetividade a norma 
constitucional. E, por fim, aos juízes, que devem diligenciar para que o processo caminhe 
para uma solução rápida.47 
 
O reconhecimento ao processo célere impõe a adoção de medidas para 
atingir este objetivo, com a utilização de políticas públicas de prestação jurisdicional, 
como por exemplo a modernização e simplificação do sistema processual, além de 
número adequado de órgãos jurisdicionais.48 
Diante dessa necessidade, PANTOJA e ALMEIDA destacam que 
pesquisadores propuseram as chamadas “ondas renovatórias” do processo, para 
orientar todas as mudanças necessárias, quais sejam: “(i) assistência jurídica integral 
e gratuita aos necessitados; (ii) tutela dos interesses metaindividuais; (iii) 
aperfeiçoamento dos instrumentos processuais, com a utilização de novos 
mecanismos, dentro e fora da jurisdição”.49 
O foco do presente estudo se dará na terceira onda, em que se pode citar 
como exemplos a simplificação dos procedimentos jurisdicionais, enxugamento das 
vias recursais, desenvolvimento das tutelas de urgência, ou mesmo fora dos limites 
do processo judicial com o emprego de formas alternativas de resolução de conflitos, 
como a negociação, mediação e arbitragem.50 
A terceira onda inclui a advocacia judicial e extrajudicial, orientada pelo 
conjunto geral de instituições e mecanismos, pessoas e procedimentos utilizados para 
 
46 MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocêncio Mártires; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. 
Curso de Direito Constitucional. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 545 
47 GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito processual Civil Esquematizado. São Paulo: 
Saraiva, 2016, p. 71. 
48 MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocêncio Mártires; BRANCO, Paulo