A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
68 pág.
Monografia- A ATUAÇÃO DO ADVOGADO DIANTE OS MEIOS ADEQUADOS DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS

Pré-visualização | Página 6 de 19

Gustavo Gonet. 
Op. cit., p. 546. 
49 PANTOJA, Fernanda Medina; ALMEIDA, Rafael Alves de. Op. cit., p.55-69. 
50 Idem. 
15 
 
 
se processar ou mesmo evitar novas disputas, o método consiste em tratar as técnicas 
com amplas possibilidades de melhorar o acesso à justiça.51 
Neste sentido, CAPELLETTI esclarece que não são necessárias mudanças 
radicais, apenas que devem ir além da esfera da representação judicial, conforme: 
 
(...) esse enfoque reconhece a necessidade de correlacionar e adaptar o processo civil ao 
tipo de litígio. Existem muitas características que podem distinguir um litígio de outro. 
Conforme o caso, diferentes barreiras do acesso podem ser mais evidentes, e diferentes 
soluções, eficientes. Os litígios por exemplo diferem em sua complexidade. É geralmente 
mais fácil e menos custoso resolver uma questão simples de não pagamento, do que 
comprovar uma fraude. (...) Alguns problemas serão bem mais “resolvidos” se as partes 
simplesmente “evitares” uma à outra. A importância social aparente de certos tipos de 
requerimentos também será determinante para que sejam alocados recursos para a solução. 
Tal como foi enfatizado pelos modernos sociólogos, as partes que tendem a se envolver em 
determinado tipo de litígio também devem ser levadas em consideração. Elas podem ter um 
relacionamento prolongado e complexo, ou apenas contratos eventuais. Já foi sugerido que 
a mediação ou outros mecanismos de interferência apaziguadora são os métodos mais 
apropriados para preservar os relacionamentos. As partes ademais, podem diferir 
grandemente do poder de barganha, experiência ou outros fatores (...).52 
 
O acesso à justiça ultrapassa os limites do processo judicial, cabendo para 
cada caso concreto a utilização da via adequada, visando garantir não somente a 
eficiência da justiça prestada, assim como a eficácia da solução apresentada. 
O direito de acesso à justiça não deve ser apenas considerado como algo 
idêntico ao acesso aos tribunais, mas sim um direito de acesso ao Direito, 
comprometendo-se o Estado a resolver os conflitos através dos diversos sistemas de 
resolução disponíveis e não mais exclusivamente pela via dos tribunais,53 
Nestes termos, temos que os meios consensuais de resolução de 
controvérsias além de garantir o acesso à justiça, possuem um importante impacto no 
tempo de tramite processual, ou seja, uma grande ferramenta em auxílio da duração 
razoável do processo, que no Brasil tornou-se princípio constitucional através Emenda 
Constitucional n.º 45 (art. 5º, LXXVIII da Constituição Federal).54 
 
 
 
51 CAPPELLETTI, Mauro; BRYANT, Garth. Acesso à justiça. Tradução de Ellen Gracie 
Northfleet. Porto Alegre: Fabris, 1988. p. 67. 
52 Ibidem. p. 72. 
53 CABRAL, Marcelo Malizia. Os meios alternativos de resolução de conflitos: 
instrumentos de ampliação do acesso à justiça e de racionalização do acesso aos tribunais. 
Revista do Ministério Público do RS, Porto Alegre, n. 73, jan. 2013, p. 125-155, abr. 2013. p.129. 
54 GUERRERO, Fernando, L. Op. cit., p. 7. 
16 
 
 
1.4 TEORIA DA EFICIÊNCIA X EFICÁCIA 
 
A eficiência consiste na melhor utilização dos recursos para atingir um 
objetivo, com coerência dos meios em relação aos fins objetivados, ou seja, a 
eficiência está relacionada prioritariamente a produtividade.55 
Para as organizações públicas, prevalecem o interesse ou as necessidades 
dos cidadãos, de modo que a eficiência deve ser entendida como o melhor uso de 
recursos para atender o interesse público.56 
No âmbito do processo judicial, deve se entender a eficiência, como a 
prestação jurisdicional, nos ditames dos princípios processuais e constitucionais, ou 
seja, atendendo os requisitos do devido processo legal, do contraditório e da ampla 
defesa além de entregar essa jurisdição dentro dos limites da razoável duração do 
processo. 
Eficácia é selecionar os objetivos adequados ou as alternativas mais 
acertadas, é o momento em que se alcança o objetivo estipulado. Para se avaliar a 
eficácia é preciso que seja definido claramente o objetivo a ser atingido. Deve se 
entender a eficácia como, o objetivo que o procedimento judicial deve representar para 
aqueles que dele o utilizam, ou seja, a solução para a lide. 57 
Na área do direito se utiliza a abordagem da eficácia da norma, principalmente 
eficácia jurídica e eficácia social. A eficácia jurídica compete à aplicabilidade, 
exigibilidade e executoriedade da norma. A eficiência é um princípio básico da 
atividade administrativa e a finalidade de maximizar os resultados de toda e qualquer 
ação dos serviços públicos.58 
No entanto a abordagem da eficácia da norma não atende plenamente a 
necessidade da eficácia do direito pleiteado através do processo judicial, o que se 
busca, na realidade é a eficácia obtida através da melhor solução realizada através 
do meio adequado de prestação jurisdicional, que consequentemente será a mais 
eficiente. 
 
55 ALCANTRA, Chistian Mendez. Os princípios constitucionais da eficiência e eficácia da 
administração pública: Estudo comparativo Brasil Espanha. In. ABD Const. Constituição, 
Economia e Desenvolvimento: Revista da Academia Brasileira de Direito Constitucional. Curitiba, 2009. 
n. 1., Ago- Dez. P. 24-40. 
56 Idem. 
57 Idem. 
58 Idem. 
17 
 
 
Nossa Constituição Federal, no artigo 37, caput, dispõe sobre os princípios da 
Administração pública, estabelecendo que: “A administração pública direta e indireta 
de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios 
obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e 
eficiência.” 
Para ALCANTRA, “Na teoria administrativa, eficácia e eficiência são 
consideradas fundamentais a qualquer organização pública ou privada. Ambas vitais 
para o planejamento: determinar os objetivos certos e em seguida escolher os meios 
certos de alcançar estes objetivos.” 59 
O questionamento com se perfaz no sentido de a prestação jurisdicional 
oferecida se fazer eficiente, nos termos da Constituição Federal, ou mesmo, se tida 
como eficiente, é eficaz perante aqueles que a utilizam? Ou seja, o direito material 
objeto da relação é de fato atingido? 
O tempo processual não é o mesmo da dinâmica social, pois no âmbito 
processual o tempo é diferente em razão da segurança jurídica, com esgotamento de 
todos os recursos, sendo necessário para atender a plena atividade jurisdicional, com 
garantia do contraditório e da ampla defesa e ainda, cumprir os requisitos da 
fundamentação das decisões judiciais 60 
No entanto, esse tempo processual resulta em uma resposta tardia para o 
conflito, o que pode gerar uma sensação de descaso, portanto, ineficácia da prestação 
jurisdicional, exatamente o que remonta a reflexão do ilustre jurista Rui Barbosa, 
“Justiça tardia nada mais é do que injustiça institucionalizada.” 
Neste sentido, PONCIANO esclarece que: “No âmbito do Direito também há 
o conceito de eficiência, que foi instituído como princípio na Constituição Federal de 
1988, visando romper com o sistema baseado na burocracia estatal e migrar para um 
sistema gerencial, nos mesmos moldes das organizações privadas.” 61 
Veja-se que a ideia de romper com um sistema baseado na burocracia 
migrando para um sistema gerencial tem mais pertinência com a junção dos termos 
 
59 Idem. 
60 PONCIANO, Vera Lucia Feil. O Controle da morosidade do Judiciário: Eficiência só 
não basta. Disponível em <http://www.tre-pr.jus.br/o-tre/escola-judiciaria-eleitoral/artigos/o-controle-
da-morosidade-do-judiciario-eficiencia-so-nao-basta>. acesso em 07/11/2018. 
61 Idem. 
http://www.tre-pr.jus.br/o-tre/escola-judiciaria-eleitoral/artigos/o-controle-da-morosidade-do-judiciario-eficiencia-so-nao-basta
http://www.tre-pr.jus.br/o-tre/escola-judiciaria-eleitoral/artigos/o-controle-da-morosidade-do-judiciario-eficiencia-so-nao-basta