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Monografia- A ATUAÇÃO DO ADVOGADO DIANTE OS MEIOS ADEQUADOS DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS

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“Eficiência” e “eficácia, que resulta em “efetividade”, todos conceitos advindos da 
ciência da administração.62 
Nossa Constituição Federal, respaldada pela cláusula do acesso à justiça e 
do devido processo legal garante muito mais do que o direito de acesso à jurisdição, 
garante o direito a uma tutela justa, que seja adequada ao direito material e efetiva de 
fato.63 
O acesso à jurisdição se faz pelo direito processual, que tem como função 
instrumentalizar o direito material, através de princípios que disciplinam a solução de 
conflitos, que é disponibilizado pelo Estado para que os envolvidos na relação de litígio 
solucionem suas crises.64 Concluindo-se que, “o direito processual é um instrumento 
a serviço do direito material.” 65 
A justiça conciliativa atende às necessidades de funcionalidade e eficiência 
do aparelho judiciário de modo que diminui a sobrecarga dos tribunais e solucionar as 
controvérsias que muitas vezes nem precisam ser apreciadas pelo judiciário, 
basicamente inspiradas em motivações eficientistas.66 
Através da percepção eficientista GRINOVER compatibiliza as vias 
alternativas ao processo com a prestação jurisdicional, concluindo pela prestação da 
sua função teleológica, conforme: 
 
Assim como a jurisdição não tem apenas escopo jurídico (o de atuação do direito objetivo), 
mas, mas também escopos sociais (como a pacificação) e políticos (como a participação)., 
assim também outros fundamentos podem ser vistos na adoção das vias conciliativas, 
alternativas ao processo: até porque a mediação e a conciliação, como visto, se inserem no 
plano da política judiciária e podem ser enquadradas numa acepção mais ampla de jurisdição 
vista numa perspectiva funcional teleológica.67 
 
A eficácia é uma busca dos resultados, enquanto eficiência é a utilização da 
melhor forma pela qual as coisas devem ser executadas, afim de que os recursos 
sejam mais bem aproveitados. Quando um administrador se preocupa em fazer as 
 
62 Idem. 
63 DELLORE, Luis; SOUZA, André Pagani de; CARACIOLA, Andrea Boari. Teoria Geral do 
Processo Contemporâneo. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2018. p.71. 
64 Ibidem. p 27. 
65 Idem. 
66 GRINOVER, Ada Pellegrini; WATANABE, Kazuo; LAGRASTA NETO, Caetano. Op. cit.,p. 
3. 
67 Idem. 
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coisas de forma correta, está preocupado com a eficiência, entretanto, quando utiliza 
dos meios buscando o alcance de resultados ele está voltado para a eficácia. 
Aquele que busca auxílio para resolver sua situação conflituosa espera a 
melhor solução com o emprego de menos recursos possíveis, sem deixar de lado 
todas as garantias prestacionais, ou seja, espera por um processo eficiente e por uma 
solução eficaz. 
Portanto, sendo o direito processual o instrumento a serviço do direito 
material, deve ser buscada sua eficiência, que seja feito o melhor uso de recursos 
para atender a finalidade do processo que é a entrega da prestação jurisdicional, para 
que sua solução seja eficaz ao plano do direito material pleiteado. 
Dessa forma, muitas vezes o emprego dos meios adequados para a solução 
do conflito possibilita o emprego da eficiência e eficácia sem renunciar ao devido 
processo legal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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2 MECANISMOS PARA A RESOLUÇÃO DO CONFLITO E O SISTEMA 
MULTIPORTAS 
 
Quanto aos mecanismos de resolução de conflitos temos os jurisdicionais e 
os não jurisdicionais. CABRAL, os distingue como: 
 
Os meios jurisdicionais envolvem a intervenção de tribunais na resolução do litígio e a 
respectiva decisão tem força de caso julgado, sendo esta modalidade integrada por tribunais 
judiciais e tribunais arbitrais. 
Os meios não jurisdicionais não envolvem a intervenção de tribunais e não gozam da 
estabilidade das sentenças, podendo consistir em negociações diretas, bons ofícios, 
mediação e conciliação.68 
 
No tocante a terminologia dos mecanismos para resolução de conflitos 
CABRAL esclarece que Petrônio Calmon sugere a adoção do termo “Meios 
Adequados de Pacificação Social”, considerando um sistema multiportas, em que a 
jurisdição estatal é apenas uma das possibilidades para as partes.69 
Neste sentido, SALES explica o sistema multiportas como uma das vias para 
solucionar o conflito, conforme: 
 
Pode-se pensar que uma pessoa, diante de um conflito, tem à sua disposição várias 
alternativas para tentar solucioná-lo. Pode procurar diretamente a outra parte envolvida e 
tentar negociar o impasse sem a interferência de ninguém. Mas pode também procurar um 
terceiro e este propor diferentes métodos de solução existentes (mediação, arbitragem, entre 
outros). Pode ainda procurar um ente estatal que, dependendo do conflito, ainda que não seja 
o Poder Judiciário, tente intermediar o impasse. Pode, ainda, procurar o Estado-Juiz para 
ajuizar uma demanda. Cada uma das alternativas corresponde a uma porta que a pessoa se 
dispõe a abrir, descortinando-se a partir daí um caminho proposto pelo método escolhido. 
Neste cenário, o envolvimento do Estado é uma eventualidade, pois provocar o Estado-Juiz 
ou a Administração, é abrir uma das portas. A pessoa disposta a resolver o conflito pode fazer 
a escolha sem a ajuda de um terceiro, mas pode também procurar um técnico, como é o caso 
de um advogado, que poderá orientá- -la. O Estado, além de por à disposição uma porta ou 
várias portas, pode também influir neste cenário disciplinando por lei aspectos básicos desses 
métodos privados e regras de conduta dos envolvidos (Código de Ética para mediadores, 
árbitros e terceiros neutros em geral). Uma norma disciplinando a mediação e a arbitragem 
privada, isto é, aquela que ocorre longe dos olhos do Estado, teria sentido neste cenário, mas 
com o cuidado de não penetrar ou interferir indevidamente na liberdade das partes. Além de 
disciplinar pode o Estado também por à disposição pessoas e órgãos da Administração 
encarregados de orientar sobre as portas existentes, como escolhê-las, além de, como já dito, 
por à disposição uma porta como caminho que tentará resolver o impasse da vida. 70 
 
 
68 CABRAL, Marcelo Malizia. Op. cit., p.138 
69 Ibidem, p.139. 
70 SALES, Carlos Alberto de; LORENCINI, Marco Antônio Garcia Lopes; SILVA, Paulo 
Eduardo Alves. Negociação, mediação e arbitragem: curso básico para programas de graduação 
em Direito. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2012. p. 72. 
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Dessa forma SALLES acrescenta que quando uma pessoa, ao bater na porta 
do judiciário possa se deparar com um leque de opções, seria como se a porta do 
judiciário levasse a uma antessala em que novas portas estariam à disposição, cada 
uma representando um método diferente e incluindo a porta do próprio Poder 
Judiciário que poderá solucionar o conflito através da sentença.71 
Os meios consensuais de resolução de conflitos são aqueles que as partes 
têm maior controle sobre o resultado e termos do processo, o terceiro neutro será 
aquele que pode auxiliá-las na decisão, mas não terá poderes para proferir uma 
decisão vinculativa. Funciona como uma alternativa à litigação judicial, que não deixa 
de ser uma via para a relação conflituosa.72 
Para trabalhar o método mais adequado para resolução de conflitos, deve se 
focar em outra opção que não o litígio judicial, tomando as partes como 
imprescindíveis para a tomada de decisão.73 
Algo que se torna cada vez mais difícil é o fato de que, normalmente as partes 
quando se encontram em situação de litígio, prontamente buscam a prestação 
jurisdicional. Conforme DELLORE esclarece: “Apesar dessa pluralidade, quando se 
fala em forma de solução dos litígios, automaticamente o pensamento converge para 
a atuação do Poder Judiciário, pelo fato de a via jurisdicional estatal ser vista como a 
forma natural de solução.” 74 
Neste sentido, DELLORE atribui este comportamento ao que seria a cultura 
da terceirização