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1 Tecido Cartilaginoso

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mais centrais da cartilagem fosse prejudicada, sendo assim, verifica-se 
que há um certo limite para o tamanho de peças cartilaginosas. 
Por ser um tecido avascular, os condrócitos vivem em baixa tensão de O2, é interessante observar que se uma peça de 
osso vascularizada perder sua vascularização, suas 
células começam a produzir cartilagem e, caso 
pegarmos um condrócito e cultiva-los em alta tensão de 
O2, ele pode começar a produzir matriz típica de tecido 
ósseo. 
O pericôndrio possui outra especialidade, sendo fonte de 
novos condrócitos, auxiliando no crescimento da 
cartilagem. No pericôndrio há a presença de células 
condrogênicas que, ao serem estimuladas, são capazes 
de se diferenciarem em condroblastos, que por sua vez 
começam a secretar matriz e posteriormente irão se dividir em condrócitos. 
No pericôndrio há uma camada externa, mais densa, rica em fibras de colágeno tipo 1 e fibroblastos e uma camada interna, 
com presença de células condrogênicas (núcleo mais expansivo do que fibroblastos). 
 
Histogênese/Condrogênese 
 
As células dos condrócitos se originam de Células Mesenquimais indiferenciadas (possuem como características células 
bem espaçadas com vários prolongamentos) que, a partir de estímulos, irão começar a se diferenciar e formar uma 
agregação, formando uma massa condrogênica, com perda de prolongamentos e sofrem mitoses para formação de 
condroblastos e iniciarão a secretar matriz cartilaginosa. Essa produção fará com que essas células se afastem e formem 
condrócitos. O mesênquima que fica ao redor da massa condrogênica forma o pericôndrio. 
 
 
Crescimento da cartilagem 
 
A cartilagem pode crescer, principalmente durante sua formação, por duas formas. 
O crescimento intersticial ocorre por meio da divisão mitótica de condrócitos preexistentes, formando uma nova cartilagem 
dentro de uma massa cartilaginosa existente. Ocorre nas primeiras fases de vida da cartilagem e é o crescimento da 
cartilagem articular. Há a secreção de mais matriz colágena. 
 
O crescimento aposicional ocorre a partir de células da camada interna do pericôndrio (células condrogênicas), havendo a 
formação de uma nova cartilagem na superfície de uma cartilagem existente. 
 
As cartilagens apresentam capacidade de reparo limitada, principalmente devido à avascularização e a produção de novos 
condroblastos ser bem reduzida. Portanto, áreas lesadas, quando muito amplas, provavelmente serão substituídas por 
tecido conjuntivo denso. 
Cartilagem hialina 
 
Fibroblastos passam a ter uma expressão genica diferenciada (Sox9), diferenciando-se em células condrogênicas, 
condroblastos e condrócitos. 
 
Tecido cartilaginoso: Um aprofundamento 
 
O que foi visto até agora correspondem a características básicas do tecido cartilaginoso. Entretanto, de acordo com as 
fibrilas de colágeno presentes na matriz cartilaginosa, há três tipos de cartilagem que podemos diferenciar, sendo a Hialina, 
Elástica e Fibrosa, sendo o componente fibroso de cada tipo o fator de diferenciação. 
Hialina: Mais comum, apresentando matriz rica em delicadas fibrilas constituídas por colágeno tipo 2 
Elástica: Matriz com poucas fibrilas de colágeno tipo 2 e abundantes fibras elásticas 
Fibrosa: Matriz com predominância de fibras colágenas tipo 1 + composição de cartilagem hialina. 
A matriz dos três tipos é formada por colágeno ou colágeno + elastina, além de proteoglicanos, ácido hialurônico e 
glicoproteínas. Além disso, possuem condrócitos localizados em lacunas que podem ou não estarem formando grupos 
isógenos. 
 
Cartilagem Hialina 
 
É o tipo de cartilagem mais abundante encontrado no corpo humano. Possui uma coloração 
branco-azulada e translúcida à fresco. Essa cartilagem forma o primeiro esqueleto embrionário, 
sendo um molde para a formação de alguns ossos através de ossificação endocondral. Além 
disso, a cartilagem hialina também está presente no disco epifisário que é o responsável pelo 
crescimento longitudinal de ossos longos. 
Podemos encontrar cartilagem hialina no nariz, revestindo articulações de amplitude de 
movimento, formando o primeiro esqueleto embrionário, formando a inserção das costelas no 
externo e nos semianéis da traqueia e brônquios. 
A cartilagem hialina pode sofrer ossificação com o envelhecimento, ocorrendo processos de 
calcificação (depósito de cálcio) da matriz cartilaginosa, atrapalhando o transporte de nutrientes e oxigênio, levando os 
condrócitos à hipertrofia e morte, sendo substituída por tecido ósseo. 
A cartilagem hialina reveste o osso em articulações, 
chamada de cartilagem articular. Isso tudo é banhado 
pelo líquido sinovial, banhando essas articulações e 
auxiliando no movimento. Existe ainda uma condição 
chamada de Osteoartrite, sendo degenerativa e que 
leva a lesões na cartilagem articular (inibição na 
síntese de colágeno e proteoglicanos), sendo muito 
comum com o envelhecimento. 
A cartilagem hialina pode sofrer influência de hormônios durante seu desenvolvimento, por exemplo, Tiroxina, testosterona 
e somatotrofina estimulam o crescimento da cartilagem e a formação da matriz, etc. 
 
 
Cartilagem elástica 
 
A cartilagem elástica consegue passar por deformações e voltar a sua forma normal 
com mais prontidão devido a sua abundancia de elastina. Possuímos essa cartilagem no 
pavilhão auricular e no meato acústico externo, na tuba auditiva, na epiglote e em algumas 
peças cartilaginosas da laringe. 
A cartilagem elástica contém condrócitos que podem formar grupos isógenos, contém 
pericôndrio e sua matriz extracelular é formada por fibrilas de colágeno tipo 2 e 
abundantes redes de fibras elásticas, que são contínuas com as do pericôndrio. Possuem 
coloração amarela à fresco devido a grande presença de fibras elásticas. 
As fibras elásticas variam e podemos encontrar 
de conformações delicadas a grosseiras no 
tecido, e essas fibras dão a flexibilidade 
característica da cartilagem elástica. Essa cartilagem possui pericôndrio e o seu 
crescimento é principalmente por aposição. Para podermos identificar melhor essa 
cartilagem, utilizamos uma coloração que evidencie a elastina. 
Ao contrário da cartilagem hialina, a cartilagem elástica não se calcifica com o 
tempo. A observação em microscopia óptica se dá através de colorações 
específicas para as fibras elásticas. Fibras de elastina são demonstradas por uso 
de corantes específicos, por exemplo a resorcina-fucsina e orceína. 
Todas as peças de cartilagem elástica irão apresentar pericôndrio 
 
 
 
 
 
 
 
Cartilagem fibrosa 
 
A cartilagem fibrosa se fará presente no menisco do joelho, no disco da articulação tempo-
mandibular, na sínfise pubiana e nos discos intervertebrais. Então, nessas regiões possuímos 
uma cartilagem muito fibrosa. 
Essa cartilagem também é chamada de fibrocartilagem e possui características intermediárias 
entre conjuntivo denso e cartilagem hialina. Os condrócitos formam fileiras alongadas, sua 
matriz possui característica acidófila devido a sua abundancia de fibras de colágeno do tipo 1 
e há também uma quantidade não tanto significativa de fibrilas de colágeno do tipo 2. Na 
cartilagem fibrosa não possuímos pericôndrio, sendo seus condrócitos nutridos por tecidos 
adjacentes. Essa cartilagem possui uma característica bem marcante de resistência a forças 
de tensão. 
Na cartilagem fibrosa encontramos com frequência núcleos de fibroblastos que estão 
secretando colágeno do tipo 1 
Entre as vértebras da coluna há um disco intervertebral que é formado por um anel fibroso que envolve um núcleo 
pulposo (colágeno do tipo 2 e ácido hialurônico) extremamente hidratado que absorverá impactos de movimento.