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2 Tecido Ósseo

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Histologia 
Tecido Ósseo 
 
Funções e importância do tecido ósseo 
 
Fornece suporte para tecidos moles. 
Protege os órgãos vitais, como o caso da caixa craniana e torácica. 
Alojamento e proteção da medula óssea, região de hematopoese. 
Fornece apoio aos músculos esqueléticos, que são inseridos nos ossos através de tendões e esse complexo entre músculo 
esquelético e osso formam sistemas de alavancas que permitem nossa movimentação. 
Os ossos também se apresentam como depósito de íons, sendo que 99% do cálcio presente no nosso corpo está 
presente na matriz óssea, sendo apenas 1% do cálcio disponível para a realização das atividades celulares e, quando há 
uma necessidade maior de cálcio pelo organismo, há a busca de íons nos ossos. Além de cálcio, há a presença de 
armazenamento de fosfato no tecido ósseo. 
O tecido ósseo pode, também, absorver algumas substâncias tóxicas (como no caso do antibiótico tetraciclina) e metais 
pesados. 
 
Características do tecido ósseo 
 
O tecido ósseo, assim como o tecido cartilaginoso, é um tipo 
especializado de tecido conjuntivo, formado por células e uma matriz 
extracelular abundante. No tecido ósseo haverá uma matriz extracelular 
especializada típica desse tecido, possuindo como característica principal 
sua calcificação. Teremos também células responsáveis pela produção 
e secreção dessa matriz, como osteócitos, osteoblastos e osteoclastos (importantes para a reabsorção óssea para 
remodelamento e liberação de cálcio quando preciso). 
As células presentes dentro da matriz óssea são chamadas de osteócitos, os presentes na periferia do tecido são chamados 
de osteoblastos e as células multinucleadas e com citoplasma extremamente acidófilos são chamadas de osteoclastos. 
O tecido ósseo possui uma matriz óssea mineralizada (muito dura), portanto, demandam técnicas histológicas especiais. 
Existem duas formas para a preparação de um tecido ósseo para avaliação. A primeira consiste em um desgaste do 
tecido ósseo, onde não há a preservação de células, até que fiquem finas o suficientes para permitir a passagem de luz 
pelo microscópio, entretanto é possível preservar a matriz óssea, sendo possível observar as lacunas e canalículos (espaços 
onde havia projeções citoplasmáticas) de células anteriormente presentes. O outro processo consiste em descalcificação 
do tecido ósseo, onde há a preservação das células através da retirada da rigidez presente na matriz óssea. Para isso, 
colocamos o tecido em uma solução ácida diluída (ácido nítrico) ou solução com substância quelante (EDTA), deixando o 
tecido ósseo em uma maleabilidade adequada para o corte em micrótomo. 
 
 
Células do tecido ósseo – Osteoblastos 
 
Os osteoblastos se diferenciam através de células osteoprogenitoras e essas células se 
localizam na superfície do tecido ósseo, lado a lado, lembrando um arranjo epitelial. Os 
osteoblastos podem estar ativos, secretando os componentes orgânicos da matriz óssea 
ou estar inativos. É possível observar seu estado de ativação a partir de presença de núcleo 
esférico, citoplasma mais basófilo e presença de eucromatina, indicando síntese proteica. 
Essa parte orgânica é composta por colágeno tipo I (formação de fibras), associado a 
proteoglicanos e glicoproteínas, por exemplo a Osteonectina (facilitando a deposição de 
Ca2+ na matriz) e Osteocalcina (estimula osteoblastos). Além disso, o osteoblasto secreta o 
fator RANKL e o Fator de estimulador de colônia de macrófagos (M-CSF), assim como 
produzem fosfatase alcalina. 
Também na superfície do tecido ósseo há a presença de osteoblastos inativos, possuindo 
núcleo pavimentoso, com basofilia diminuída e produção de matriz quase ausente. São chamadas de células de 
revestimento ósseo e, caso sofra um estímulo adequado, pode voltar para sua forma ativa. 
Esses osteoblastos são células extremamente cheias de prolongamentos 
citoplasmáticos, que fazem comunicação com os prolongamentos de outros 
osteoblastos. Os osteoblastos, em geral, possuem uma organização 
ultraestrutural com RER abundante, Golgi bem desenvolvido e numerosas 
vesículas de secreção no seu citoplasma. Isso envolve a via biosintética 
secretora, importante para essa célula devido sua secreção de componentes 
orgânicos da matriz e, quando recém liberada, ainda não é calcificada e recebe 
o nome de osteoide. A matriz óssea que fica geralmente e imediatamente 
em volta das células do tecido ósseo, como osteoblastos e osteócitos, 
permanecem como osteoide. 
O depósito de matriz ocorre ao redor do corpo da célula e dos seus prolongamentos. Esse encontro de prolongamentos 
gera junções comunicantes entre osteoblastos. Uma vez que o osteoblasto vai secretando matriz, ele ficará aprisionado 
no meio da matriz óssea, caracterizando o osteócito. O local ocupado pelas células denomina-se lacuna e o local ocupado 
pelos prolongamentos, canalículos. 
 
Células do tecido ósseo – Osteócitos 
 
É o osteoblasto aprisionado pela matriz recém-sintetizada. Este osteócito ocupa um lugar na matriz e, se a célula for 
retirada, esse lugar ficará aparente, sendo esse espaço chamado de lacuna. A preparação por descalcificação não preserva 
os canalículos que são constituídos pelas projeções citoplasmáticas, sendo necessário para a sua observação a técnica de 
desgaste do tecido. 
Os osteócitos já possuem um núcleo achatado e citoplasma 
pobre em organelas. São envoltos por matriz óssea, sendo 
osteoblastos que foram aprisionados na matriz e ocupam 
espaços chamados lacunas, que só abrigam um osteócito. 
Também há a presença de canalículos, que são espaços que 
irradiam de cada lacuna e são ocupados por projeções 
citoplasmáticas de osteócitos. 
Esses canalículos formam junções comunicantes, permitindo a passagem de pequenas moléculas e íons. Nesses canalículos 
também há o fluído extracelular, que leva nutrientes e metabólitos para os osteócitos. 
Os osteócitos possuem a função de manutenção do tecido ósseo, fazendo a secreção 
de MEC, em uma quantidade menor do que a feita por osteoblastos, e secretam também 
Metaloproteinases (MMP0), que são enzimas degradantes de componentes da matriz, 
quando necessário. Os osteócitos também atuam como mecanorreceptores e, 
dependendo da tensão e pressão sofrida pelo tecido, interpretam e respondem através 
de expressão gênica, podendo até levar à apoptose. O tecido ósseo é um tecido muito 
vivo e suas células ficam ativas por muito tempo, com um dinamismo presente. 
Não existe difusão de substâncias pela matriz óssea calcificada, sendo a nutrição dos 
osteócitos devido aos canalículos que possibilitam trocas de moléculas e íons entre os 
osteócitos. 
 
Células do tecido ósseo – Osteoclasto 
 
No tecido ósseo é possível a observação de uma célula multinucleada, de citoplasma 
extremamente acidófilo e de tamanho muito maior do que as outras que se fazem 
presentes. Observamos a presença desse tipo celular em tecidos ósseos onde está 
ocorrendo reabsorção ou remodelamento ósseo. Essas células são oriundas da medula 
óssea, componentes do sistema mononuclear fagocitário, sendo “primos” dos macrófagos. 
São células móveis e gigantes, multinucleadas (podendo possuir até 50 núcleos), possuindo 
ramificações irregulares e citoplasma acidófilo. Os osteoclastos ficam localizados em regiões 
de remodelação óssea e formam uma depressão rasa no tecido ósseo, chamadas de 
lacunas de Howship. Essas células sofrem apoptose após realizar reabsorção óssea. 
Os osteoblastos são capazes de estimular o Fator Estimulante de Colônia de Macrófagos (M-CSF) que promove a 
diferenciação de osteoclastos e expressão de proteína RANK em osteoclastos. Osteoblastos também secretam RANKL, 
que é o ligante de RANK no osteoclasto, induzindo a fusão entre osteoclastos, promovendo a formação de células 
multinucleadas gigantes. Ainda secretam Osteoprotegerina (OPG), interagindo com o RANKL e inibindo a formação de 
osteoclastos. 
 
Mas como ocorre a remodelação óssea? 
 
Para que