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2 Tecido Ósseo

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o osteoclasto desempenhe corretamente sua função de reabsorção óssea, é importante que haja a liberação 
de substâncias que digiram o tecido ósseo. Sendo assim, ao entrar em contato com o tecido ósseo, desenvolve-se em 2 
zonas principais, a zona clara e a zona pregueada. A zona clara é a região onde o osteoclasto encosta no tecido ósseo, 
com a presença de um cinturão de filamentos de actina ao redor da depressão, vedando a zona pregueada, que recebe 
esse nome devido à presença de projeções em seu interior. 
A zona pregueada é a responsável pela reabsorção da matriz óssea propriamente dita por possuir prolongamentos 
digitiformes que são emitidos pelos osteoclastos, ricos em bombas de prótons e, por meio desses prolongamentos, há a 
liberação de vesículas que contém enzimas, como colagenase e hidrolases. Logo, dentro do osteoclasto, é necessário a 
presença de enzimas hidrolíticas, evidenciando o bom desenvolvimento das estruturas lisossômicas, pois os lisossomos 
fazem exocitose e liberam seu material para fora da célula. 
As enzimas hidrolases ácidas, dentro do lisossomo, possuem o ambiente mais adequado para seu funcionamento devido 
à presença de bombas de prótons na membrana da organela, que tornava seu interior ácido, favorecendo a ação das 
enzimas. Os prolongamentos da zona pregueada, por sua vez, são ricos em bombas de prótons, liberando prótons para 
o ambiente isolado pela zona clara. Ao mesmo tempo, há a liberação de metaloproteinases, colagenases e hidrolases, 
encontrando-se com o ambiente ácido, começando a digerir a matriz. Os prótons liberados pela célula são devido a trocas 
através da anidrase 
carbônica, que combina CO2 
e H2O, formando ácido 
carbônico, que por sua vez 
dissocia-se em próton e 
HCO3- . O próton é utilizado 
para a acidificação da zona 
vedada e a HCO3- é trocada 
por cloreto através de 
bombas específicas 
presentes na membrana 
dessas células. 
Portanto, as bombas de prótons são importantes por acidificar esse microambiente delimitado pela zona clara, dissolvendo 
os componentes inorgânicos da matriz (como os cristais de hidroxiapatita, fazendo uma descalcificação da matriz) e 
melhorando a atividade das enzimas secretadas, que digerirão os componentes orgânicos da matriz óssea, como fibras 
de colágeno. 
Os resíduos dessa degradação (aminoácidos, monossacarídeos e minerais) são endocitados pelos osteoclastos e 
posteriormente liberados para capilares sanguíneos próximos para reaproveitamento. 
Osteoclastos são recrutados, também, para a realização da homeostase dos níveis de cálcio no sangue (calcemia). Existem 
hormônios que são liberados na corrente sanguínea mediante aos níveis de cálcio no sangue, sendo alguns deles 
produzidos pela paratireóide e tireoide, através de células que identificam o nível de cálcio no sangue. A paratireoide 
secreta o hormônio chamado Paratormônio e, quando liberado, liga-se aos seus receptores nos Osteoblastos, estimulando 
a síntese, proliferação e a função de osteoclastos, fazendo a digestão do cálcio e liberando-o no sangue. Na tireoide, 
fazendo uma função oposta, há a presença de células Parafoliculares que secretam Calcitonina, que se ligam a receptores 
do próprio osteoclasto, permitindo a inibição dos osteoclastos. 
 
Matriz Óssea 
 
É composta por uma porção orgânica e uma inorgânica. A porção inorgânica é presente em maior quantidade (65%) e 
possui como componente principal os cristais de hidroxiapatita (associações de cálcio e fósforo), além de bicarbonato, 
magnésio, potássio, sódio e citrato em menores quantidades. A porção orgânica representa cerca de 35% da matriz, 
sendo cerca de 90% desse formada por fibras de colágeno tipo I, garantindo a acidofilia da matriz, além de apresentar 
substância fundamental (Proteoglicanos, GAGs, Ácido 
hialurônico, glicoproteínas e fatores de crescimento. Os 
componentes da substância fundamental são produzidos 
e secretados por osteoblastos e, em menor parte, pelos 
osteócitos, sendo as glicoproteínas características do 
tecido ósseo, participando do processo de calcificação da 
matriz. 
A associação de hidroxiapatita com fibras colágenas 
garante rigidez e resistência no tecido ósseo. Portanto, a 
partir de uma descalcificação óssea (retirada da parte 
inorgânica) há uma flexibilização do osso. Por outro lado, ao retirar a parte orgânica, o osso fica quebradiço. Evidencia-se, 
portanto, a importância da associação dos fatores para uma melhor qualidade dos ossos. 
 
Periósteo e Endósteo 
 
Envolvendo o tecido ósseo há o periósteo, uma camada de tecido conjuntivo denso presente em todas as peças ósseas. 
Dentro dos nossos ossos há a presença de medula óssea, sendo um espaço preenchidos por células mesenquimais, 
células sanguíneas, sendo esse espaço revestido por endósteo, não permitindo o contato direto de medula com o tecido 
ósseo. Tanto no periósteo quanto no endósteo há células que tem capacidade de se diferenciar em osteoblastos para 
secretar matriz óssea. Todos os ossos do corpo são revestidos externamente por periósteo, com exceção de ossos de 
articulação e nos locais onde se inserem músculos e tendões o periósteo é descontínuo. 
O periósteo possui duas camadas, uma camada mais externa composta por tecido conjuntivo denso (fibras de colágeno 
tipo I e núcleos de fibroblastos) e uma camada mais interna, possuindo células osteoprogenitoras. 
No endósteo há a presença de uma fileira de células que reveste a medula óssea e são osteoprogenitoras. O endósteo 
é encontrado revestindo a medula óssea, trabéculas dos ossos esponjosos, canal medular, canais de Havers e Wolkmann. 
O periósteo constitui a entrada de vasos no tecido ósseo e fornecimento de novos osteoblastos para crescimento e 
recuperação óssea. Células osteoprogenitoras, em baixas concentrações de oxigênio, podem se transformar em células 
condrogênicas. 
 
Tipos de tecido ósseo 
 
Através de observações macroscópicas é possível identificar regiões nos ossos, como o osso compacto e osso denso, 
porém, possuem a mesma estrutura histológicos. No interior da diáfise de ossos longos há a presença da cavidade medular, 
que aloja a medula óssea e na epífise há a presença de células progenitoras de células sanguíneas também. 
Observação microscópica do osso: Histologicamente é possível diferenciar o tecido ósseo em tecido imaturo (primário) e 
maduro (substitui o tecido imaturo). Os dois tecidos apresentam os mesmos tipos celulares e mesmos constituintes de 
matriz. Diferem na orientação das fibras de colágeno (imaturo é não organizado e no maduro há organização em lamelas), 
na quantidade de células (imaturo possui mais) e na calcificação da matriz. Há ainda a presença de canais de Havers, por 
onde chegam vasos e nervos no osso e algumas fibras de colágeno se organizam ao redor dela, chamadas sistema de 
Havers. 
 
 
 
 
 
Tecido Ósseo Primário 
 
É possível observar diversas trabéculas ósseas, osteócitos, osteoblastos e entremeando as 
trabéculas possuímos bastante capilares sanguíneos e células mesenquimais. Na matriz óssea não 
é possível identificar um padrão de organização das fibras de colágeno tipo I, remetendo ao 
tecido imaturo, além de ter uma menor quantidade de minerais e maior proporção de osteócitos. 
O tecido ósseo primário é o primeiro tecido ósseo a se desenvolver durante o desenvolvimento 
fetal e está presente no reparo de fraturas. Existem alguns locais do corpo humano onde há 
permanência de tecido ósseo primário, como nas suturas de ossos cranianos, alvéolos dentários 
(moldável com uso de aparelhos ortodônticos) e inserções de tendões. 
 
Tecido Ósseo Secundário (Maduro) 
 
Nesse tecido há a presença de fibras 
colágenas organizadas em lamelas, 
podendo ser paralelas umas às outras 
ou concêntricas em torno de canais 
com vasos, formando sistemas de 
Havers (Ósteons). São encontradas nos 
adultos. Nos tecidos adultos podemos 
encontrar lamelas circunferenciais 
externas (lamelas paralelas próximas