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1 Microbiota Natural e Bactérias Potencialmente Patogênicas à Pele 1

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Microbiologia 
Microbiota Natural e Bactérias Potencialmente Patogênicas à Pele 
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As bactérias são células procariontes que se classificam através 
de sua morfologia em cocos (arredondadas), bacilos (achatados), 
cocobacilos (intermédio entre os dois tipos anteriores), 
espiroqueta e vibrião (grão de feijão). A partir dessa morfologia, 
as bactérias podem se agrupar, formando arranjos. Quando as 
bactérias se agrupam em duas, chamamos de diplo (diplococos 
e diplobacilos), já quando se agrupam em cadeias, chamamos de 
estrepto (estreptococos e estreptobacilos). O agrupamento de 
cocos ainda pode ser em cachos de uvas (estafilococos), quatro 
cocos unidos (tétrade) e um cubo com oito cocos (Sarcina). 
Além da morfologia e agrupamento, também temos a coloração 
como forma de diferenciação. As colorações de Gram dividem as bactérias em Gram-positivas e Gram-negativas, também 
temos a coloração de Ziehl Neelsen para bacilos álcool-ácido resistentes e também coloração especial para as espiroquetas 
 
Microbiota Normal Humana 
Presença de microrganismos que estabelecem residência permanente ou não no corpo humano, sem trazer danos ao 
hospedeiro 
Pode ser transitória (alóctone ou exógena) ou residente (autóctone) 
Não há homogeneidade na colonização das regiões do organismo, sendo cada sítio anatômico possuinte de uma microbiota 
de características próprias. O desequilíbrio na microbiota associado a doenças é chamado de Disbiose 
 
Projeto de mapeamento de microbioma 
Realizado um estudo internacional que durou 7 anos, contando com a participação de 80 instituições de pesquisa, um 
grande investimento e 242 voluntários saudáveis dos quais 15 sítios (homens) e 18 (mulheres) foram estudados para 
determinar sua microbiota. Chegou-se à conclusão de que há aproximadamente 100 trilhões de microrganismos compondo 
a microbiota do corpo humano (10 vezes mais microrganismos do que células humanas, correspondendo a cerca de 3% 
do peso corporal) 
 
Surgimento da microbiota natural 
O surgimento acontece desde o nascimento. No ambiente uterino não há a presença de microrganismos, porém, durante 
o parto normal, ao passar pelo canal vaginal da mãe, os microrganismos entram em contato com o recém-nascido e 
começam a se instalar nos sítios. Quando o parto é cesáreo, o recém-nascido também desenvolve sua microbiota, 
entretanto, proveniente da mãe e dos cuidadores (médicos, enfermeiros, etc.). Portanto, há características diferentes da 
microbiota considerando o tipo de parto. 
As bactérias 
Diversidade da microbiota natural 
 
Diferentes indivíduos, mesmo possuindo os mesmos gêneros 
gerais de microrganismos, possuem a sua quantidade variável. 
Alguns fungos, associados a bactérias, também compões a microbiota normal 
 
Função da microbiota natural 
Os microrganismos da microbiota natural estão ali para estabelecer uma simbiose com o corpo, evitando assim o 
estabelecimento de uma colonização de microrganismos potencialmente patogênicos através de competição por 
nutrientes, diminuição dos sítios de adesão, etc. A microbiota natural também produz substancias tóxicas que impedem o 
estabelecimento de outros microrganismos. Sendo assim, há a formação de um biofilme protetor. 
Além disso, exercem funções no metabolismo do hospedeiro (sítio do intestino) e ajudam na regulação imune e na 
homeostase. 
Em algumas situações a microbiota pode ser causadora de infecções. Um exemplo de causa dessa situação está a 
migração de microrganismos de determinado sítio para outro, onde pode causar infecções após sua colonização (infecção 
urinária). 
 
Fatores que influenciam o estabelecimento da microbiota natural 
• Genética 
• Fatores hormonais → Podem selecionar 
determinados grupos de microrganismos frente 
a outro 
• Medicações → Pode interferir no crescimento 
ou decrescimento de uma colônia 
• Condições sanitárias e hábitos de higiene → 
Quanto mais contato com microrganismos 
diferentes, maior a diversidade da microbiota 
• Dieta e idade 
 
Distribuição dos microrganismos pelo corpo 
• Pele 
• Cavidade oral 
• Trato respiratório superior (inferior não possui 
microrganismos) 
• Trato gastrointestinal 
 
 
 
Sítios estéreis (não há microbiota normal) 
 
• Órgãos → No interior não há a presença de 
microbiota, só na luz 
• Sangue → Não possui microrganismos 
naturalmente, sendo a sua presença possíveis 
causadoras de doenças, podendo evoluir para 
uma septicemia 
• Tecidos internos 
• Sistema linfático 
 
 
Microbiota normal da pele 
Há vários microrganismos que estão recobrindo a superfície da pele. Há o gênero dos Staphylococcus, sendo as duas 
principais espécies as Staphylococcus epidermidis e o Staphylococcus aureus, presentes em grandes quantidades na pele. 
Há também os Difteróides, os Propionibacterium acnes (causam pequenas inflamações na pele), Corynebacterium 
ulcerans/xerosis, Estreptococos e Micrococcus. 
A função dessas bactérias inclui: Antagonismo bacteriano; Propriedades antimicrobianas; Queratina é uma barreira 
resistente; Baixo pH da pele inibe a proliferação de muitos microrganismos. 
 
Microbiota Normal dos olhos/conjuntiva 
Possui basicamente a mesma microbiota da pele, pois a conjuntiva é uma continuação da pele ou membrana mucosa. 
As lágrimas e o ato de piscar também eliminam alguns micróbios ou impedem sua colonização 
 
Microbiota normal do trato respiratório superior 
Também há uma semelhança com a microbiota da pele, principalmente no nariz. Na garganta também há a presença de 
Streptococcus pneumoniae, Haemophilus, Mycoplasma e Neisseria. 
Também promovem o antagonismo microbiano; secreções nasais matam e inibem muitos micróbios. O muco e 
movimentos ciliares também impedem muitos microrganismos. 
 
Microbiota normal da boca 
Na boca a microbiota altera um pouco, sendo presente Streptococcus, Lactobacillus, Neisseria, Haemophilus, Treponema, 
Staphylococcus, Mycoplasma e também pode estar presente a CandidaI. A umidade, calor e presença constante de 
alimentos auxiliam na existência dessas colônias, entretanto, as mordidas, mastigação e movimentos da língua acabam por 
desalojar vários microrganismos. Além disso, a saliva também possui várias substancias antimicrobianas. 
 
Microbiota normal do sistema reprodutivo e urinário 
Uretra → Staphylococcus, Micrococcus, Enterococcus, Lactobacillus, Difteroides, Bacteroides e Enterobactérias (bactérias 
Gram-negativas como Pseudomonas, Klebsiella e Proteus) 
Vagina → Lactobacillus, Streptococcus, Staphylococcus, Candida albicans (fungo) e Trichomonas vaginalis (protozoário). 
A excreção de muco e a escamação periódica previnem a colonização do epitélio. O fluxo de urina e o seu pH também 
remove micróbios. Cílios e muco expelem microrganismos da cérvice uterina para a vagina (sua acidez também inibe e 
elimina muitos micróbios). 
 
Microbiota normal do intestino 
Há a mudança completa dos constituintes da microbiota, havendo um predomínio de bacilos Gram-negativos, como 
Escherichia coli, Enterobacter, Citrobacter, Proteus, Klebsiela etc. Podem haver Candida, Clostridium e Enterococcus. 
Essa microbiota ajuda na absorção de nutrientes e na diferenciação de células da mucosa. O muco e a descamação 
previnem estabelecimento de colônia potencial patológica. Há também o efeito barreira, regulação imunológica e secreção 
de substancias antimicrobianas. A diarreia acaba por eliminar parte da microbiota normal, que posteriormente é reposta. 
A Salmonella é uma causadora de uma doença muito grave, a Salmonelose, entretanto, ao passar pelo trato digestório, e 
a microbiota natural estiver saudável, há a baixa disponibilidade de estabelecimento de colônias por parte dessa bactéria, 
diminuindo as chances do desenvolvimento da doença. 
Alterações na microbiota normal está intimamente relacionada ao estabelecimento de doenças, havendo pesquisas que 
relacionam a presença de determinadas bactérias na microbiota com a obesidade em adultos, sendo estudado o transplante