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5 Controle Superior da Atividade Motora Córtex e Tronco Encefálico Pt 1

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Fisiologia – Marcelo 
Controle Superior da Atividade Motora – Córtex e Tronco 
Encefálico Pt.1 
 
Tratos Motores Descendentes 
 
Os neurônios motores superiores fazem projeções desde núcleos específicos que estão localizados nas regiões supra 
espinhais, até os motoneurônios localizados inferiormente na medula espinal ou no tronco encefálico, podendo ser 
diretamente nos motoneurônios ou por meio de sinapses com interneurônios. Essa descendência de informação é 
classificada de acordo com o local em que fazem sinapse. 
Sistema ativador medial: vias que descem dos centros superiores da medula espinhal e fazem sinapse nas regiões mediais 
no corno anterior da medula, controlando a musculatura axial e proximal dos membros. Vimos grande parte dos sistemas 
ativadores mediais, sendo as vias que estudamos na aula anterior, que envolvia os núcleos vestibulares, os núcleos 
coliculares e também os reticulares. Existe mais um sistema ativador medial, a via cortico-espinal, surgindo no córtex e 
descendo até a medula espinhal, havendo a via lateral e a via medial. 
Os sistemas que não partem do córtex são conhecidos como vias extrapiramidais, pois, na maioria das vezes, as vias 
córtico-espinais passam pelas pirâmides bulbares, também chamadas de vias piramidais. 
Sistema ativador lateral: Esse sistema desce pela medula no funículo lateral e termina lateralmente na substancia cinzenta 
no corno anterior da medula espinhal, controlando principalmente os motoneurônios responsáveis pela movimentação da 
musculatura distal dos membros. Esse sistema também englobará a via córtico-espinal lateral, onde temos o maior número 
de fibras. Porém, o sistema ativador lateral irá ter núcleos no tronco encefálico que participará do sistema, sendo o núcleo 
rubro. 
Existem também as vias ativadoras inespecíficas que terminarão em todo o corno ventral e contribui para os níveis basais 
de excitação na medula espinhal e facilita os arcos reflexos locais. Quando falamos em tônus muscular precisamos lembrar 
da alça de feedback dos fusos neuromusculares (motoneurônios alfa extrafusal, motoneurônios gama intrafusal e as 
aferências Ia, principalmente). 
 
Recordando o Sistema Medial no Tronco Encefálico 
 
Via tetoespinhal: Inicia-se no colículo superior, cruzando para o outro lado no tronco encefálico e desce até a medula 
espinhal, atingindo as porções mediais da substancia cinzenta no corno anterior. 
Via reticuloespinhal: Vai da formação reticular (aglomerado de neurônios e fibras neuronais que percorre ao longo de todo 
tronco encefálico) descendo ipsilateralmente até a medula espinhal, atingindo-a na substancia cinzenta do corno anterior. 
Via vestibuoespinhal: São aqueles que recebem aferências do aparato vestibular, dos órgãos otolíticos e do canal 
semicircular e descem ipsilateralmente, atingindo a região medial da substancia cinzenta no corno anterior. 
Vimos também que partes dessas vias atingem a 
medula espinhal de forma bilateral, dependendo da 
via específica que estamos nos referindo. 
 
 
 
 
 
 
 
Centros ordenadores do sistema motor do tronco encefálico 
 
Temos dos sistemas ordenadores que fazem parte do controle motor do tronco encefálico alguns núcleos. Os núcleos 
vestibulares fazem parte como núcleo lateral e núcleo medial vestibular, recebendo aferências do aparelho otolítico e do 
órgão semicircular e enviam seus axônios até a medula espinhal, participando bastante da manutenção da postura e do 
equilíbrio. 
Temos também a via tecto-espinal que parte do colículo superior, recebendo aferências da visão e atuando diretamente 
nessa região e também descendo contralateralmente até a medula espinhal, nas regiões mediais, sendo muito importante 
principalmente para a musculatura de pescoço e cabeça, além de reflexo visual e manutenção da visão durante a 
organização da postura. Ou seja, serve como orientação sensório-motora). 
Vimos também a formação reticular, de onde parte a via retículo-espinal. Essa formação recebe aferência de alguns 
centros superiores, como o próprio córtex motor e cerebelo, além de receber aferências de centros inferiores 
provenientes dos receptores somatossensoriais. A via retículo-espinhal é responsável pela postura e pelo equilíbrio. 
Partindo do tronco encefálico, há um núcleo avermelhado devido ao grande aporte sanguíneo, chamado de núcleo rubro 
e localizado entre o colículo superior e inferior nos corpos quadrigêmeos. A partir desse núcleo rubro temos a formação 
contralateral, lançando seus axônios através da linha média e descem contralateralmente 
atingindo a medula espinal nas regiões mais laterais. Existe também uma influencia grande 
dessas vias rubro-espinhal através da via córtico-espinhal, havendo aferências que o núcleo 
rubro recebe partindo do córtex para o controle motor da musculatura mais distal dos 
membros. 
 
Mecanismo Antecipatório-Proação 
 
Dessas vias do sistema medial, uma das mais importantes para a manutenção e controle 
da postura corporal é a nossa via retículo-espinhal. Esse controle postural favorece a 
formação de um mecanismo de proação. Esse mecanismo antecipatório ajusta nossa 
postura para determinado movimento que possamos fazer e isso acontece justamente 
com interações da via córtico-espinal, que tem uma influencia grande, também, na via 
retículo-espinal, acabando por formar uma via conhecida como córtico-reticuloespinhal, ou 
seja, que parte do córtex, recebe aferências na formação reticular e desce diretamente 
para a medula. 
 
 
Córtex Motor Cerebral 
 
O córtex motor é onde estão localizados aqueles 
neurônios motores chamados de neurônios motores 
superiores, localizados no lobo frontal. O córtex motor é 
dividido em três regiões: Córtex Motor Primário 
(localizado no giro pré-central), Córtex Pré-Motor e Área 
Motora Suplementar. As regiões chamadas de córtex 
motor são identificadas devido à necessidade de uma 
corrente de baixa intensidade para que se possa 
desencadear algum movimento por estimulação elétrica. 
Isso quer dizer que a partir dessas áreas há uma via direta até a medula espinhal. 
Existe uma divisão de todo o córtex em numerações, que caracterizam a citoarquitetura do córtex, ou seja, o tipo de 
células encontradas, as projeções dessas células, etc. Brodmann foi o responsável por enumerar as diferentes áreas do 
córtex. Quando nos referimos ao giro pré-central, ao córtex motor primário, chamamos de área cortical 4 e nele há um 
mapeamento do nosso corpo, tanto na região do córtex motor primário, quanto na área sensorial primária (áreas 1, 2 e 
3). 
Na frente do giro pré-central nós temos 
duas outras áreas importantes, a área 
suplementar motora e a área pré-motora. A 
área pré-motora é conhecida como a área 
6 e a área suplementar motora envolve a 
mesma numeração e está localizada mais 
próxima da fissura sagital do encéfalo, 
enquanto a área pré-motora está localizada 
mais lateralmente. 
 
 
 
 
Organização funcional do córtex motor primário 
 
Em meados de 1930 foi disposto por Wilder Penfield, aluno de doutorado de Charles Sherrington, um mapeamento cortical. 
Quando falamos do córtex motor primário, temos um mapeamento do nosso corpo, que foi observado através de 
experimentos através de estimulação elétrica no córtex, sendo possível concluir que a estimulação focal promovia uma 
contração muscular em um local específico, produzindo um mapa somatotrópico motor. 
A partir disso foi criado o Homúnculo de Penfield, possuindo uma alta fidelidade, ou seja, uma organização de nosso corpo 
no córtex motor, podendo observar que determinadas regiões são maiores e ocupam maiores espaço no córtex, como 
é o caso da mão. Essas regiões possuem limiar de excitabilidade baixo, ou seja, um pequeno estímulo elétrico gera 
potenciais de ação que são capazes de gerar movimento em regiões 
específicas do nosso corpo. Outro detalhe é que regiões mais próximas 
ao sulco central são aquelas relacionadas a musculaturas distais