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3 Controle Motor Medula Espinhal Pt 2

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Fisiologia – Marcelo 
Controle Motor – Medula Espinhal Pt. 2 
 
Movimentos Reflexos Motores 
 
Os movimentos reflexos são os padrões concentrados no Centro Gerador de Padrão da medula espinal e são ativados 
de forma coordenada e involuntária por estímulos periféricos, pois se tratam de reflexos. Podemos usar como o exemplo 
o reflexo de estiramento do joelho ao bater o martelo de teste de reflexos ou o reflexo de retirada ao tocar uma 
superfície quente. 
O caminhar também é concebido no Centro Gerador de Padrão Medular, um exemplo disso é o fato de que, ao 
seccionarmos a medula de um animal a nível torácico alto ou cervical alto e tocarmos a pata desse animal em uma esteira 
rolante, percebe-se que esse animal ainda é capaz de dar passos, por mais que a sustentação do corpo não será feito 
de maneira ótima. Os centros superiores do tronco encefálico irão controlar o Centro Gerador de Padrão que encontramos 
na medula espinhal e que é responsável por vários dos movimentos reflexos motores. 
 
 
 
 
 
 
 
Receptores Sensoriais Musculares 
 
A circuitaria local dentro da medula espinal irá regular uma quantidade de reflexos 
sensórios motores. Dentre os principais reflexos, podemos considerar como o mais 
simples o reflexo de estiramento, percebido pelos fusos neuromusculares. O fuso 
neuromuscular é responsável por detectar o comprimento do músculo e a velocidade 
de alteração do comprimento. 
 
Outro reflexo que participa a todo momento da 
contração muscular e da manutenção dos padrões de contração é do Órgão Tendinoso 
de Golgi. Esse órgão funciona controlando a força que é gerada pelo musculo, logo, quanto 
maior a contração do músculo, maior a ativação desse reflexo devido a detecção da 
tensão gerada no tendão desse músculo. 
 
 
 
Fuso Neuromuscular 
 
O fuso neuromuscular é sensível ao estiramento passivo do músculo e sinalizará toda a variação do comprimento do 
músculo, mandando a todo momento informações ate os centros da medula espinhal mostrando qual a variação do 
comprimento do músculo, logo, a cada estiramento desse músculo haverá a ativação do fuso neuromuscular. O fuso 
neuromuscular envia essa informação sobre a variação do comprimento do músculo por meio de fibras sensíveis, 
principalmente por meio das fibras Ia, que é a fibra mais calibrosa sensitiva que temos localizada perifericamente que vai 
até a medula espinal por meio das raízes dorsais, e também via fibras do tipo II, ambas altamente especializadas e com 
baixo limiar de excitabilidade. Essa fibra do tipo II é encontrada principalmente na ativação do órgão tendinoso de golgi. 
Portanto, quando falamos em fuso neuromuscular, temos o envio a todo momento de informações detalhadas da posição 
das partes do corpo para a medula espinal, que é importante para o desempenho de movimentos complexos. Esse fuso 
neuromuscular (arco reflexo) é controlado, de certa forma, pelos centros superiores, sendo que algumas vias irão controlar 
esse arco reflexo dado pelas fibras de tipo ia e também pelos motoneurônios α e γ. 
As fibras Ia são de grande diâmetro (constituem os maiores 
axônios periféricos), sendo uma fibra que trafega a informação 
de maneira muito rápida. Esse reflexo do fuso neuromuscular 
promove ajustes muito rápidos quando o músculo é estirado 
e sempre manterá um determinado grau de tensão muscular 
dentro de um comprimento muscular adequado para a 
execução de determinada função. 
O fuso neuromuscular vai detectar os desvios no comprimento 
do músculo e é responsável por nosso tônus muscular (nível constante de tensão no músculo). Algumas patologias irão 
afetar diretamente a tensão no músculo, podendo gerar um tônus muscular aumentado (hipertonia) ou diminuído 
(hipotonia). Esse tipo de reflexo é do tipo de retroalimentação excitatória direta nos neurônios que inervam o músculo 
que foi estirado. 
 
Reflexo Monossináptico 
 
Quando esse termo foi caracterizado houve uma descrição de que 
esse reflexo envolve arcos reflexos com uma sinapse no SNC, como 
os reflexos de estiramento ou miotático. Porém, esse reflexo também 
é gerado pelos interneurônios, não sendo um processo monossináptico 
propriamente dito. 
Esses reflexos monossinápticos envolvem algumas estruturas 
musculares, como fibras intrafusais. A fibra Ia segue pela raiz posterior, 
entra no corno dorsal da medula e ativa o motoneurônio α, fazendo 
com que esse ative a musculatura do mesmo músculo. Assim que o 
martelo de teste percute o tendão, há um estiramento nesse tendão 
e consequentemente um estiramento muscular, que é detectado pela 
fibra Ia. 
Reflexo de Estiramento: Exemplo envolvendo motoneurônios na medula espinhal e tronco encefálico. 
Ex: Mastigação e adição de pesos e posterior estabilização. 
 
 
 
 
 
 
 
Reflexo de Estiramento 
 
Envolve conexões monossinápticas com o 
motoneurônio alfa e interneurônios de circuitos locais 
que inibem o motoneurônio que inerva o músculo 
antagonista. Sendo assim, para que se aumente a tensão 
de uma musculatura flexora (agonista), precisa-se 
impedir a tensão do músculo extensor (antagonista), 
sendo essa ação realizada através de interneurônios 
inibitórios. 
 
 
Fuso Neuromuscular 
 
O fuso neuromuscular possui três componentes, sendo elas as fibras musculares 
intrafusais encapsuladas, axônios sensoriais Ia e II e axônio motor gama. Há dois 
tipos de fibras musculares intrafusais, sendo uma 
maior chamada de saconuclear, e outra conhecida 
como cadeia nuclear. 
Esses fusos respondem ao estiramento de fibras 
musculares especializadas, possuem estrutura 
alongada (4-10 mm de comprimento) e estão 
paralelos às fibras musculares. 
Distensão Muscular 
Quando falamos em distensão muscular e em alterações lentas do comprimento muscular chamamos de alterações 
estáticas, pois são detectadas de forma estática. Já nos casos de velocidade de alteração do comprimento, falamos de 
ativação de fibras dinâmicas. 
A forma de distensão lenta, também chamada de tônica, ocorre a todo momento e é detectada tanto pelas fibras Ia 
quanto pelas fibras II (resposta estática). 
A distensão rápida, por sua vez, corresponde a uma resposta fásica ao músculo e está relacionada com uma resposta 
através da fibra Ia (resposta dinâmica). 
Sendo assim, a fibra Ia inervará tanto as fibras interfusais de cadeia nuclear quanto a de saco nuclear. Já as fibras II só 
inervam as fibras do tipo de cadeia nuclear. 
 
Mecanismos que regulam a extensão do reflexo espinhal 
 
 Todo esse reflexo de estiramento pode ser modulado por uma série de outros estímulos. 
Esse reflexo pode ser modulado por circuitarias locais, como por exemplos receptores 
localizados na pele que enviam informações a todo momento e, principalmente, temos 
como exemplo a modulação por vias superiores. 
A via corticoespinal pode fazer conexão tanto com o 
motoneuronio alfa que está gerando movimento quanto com o 
interneurônio inibitório que está impedindo a atividade do musculo 
antagonista. Há também outras vias descendentes que estão 
participando deste reflexo, fazendo sinapses no interneurônio 
inibitório. Podemos observar, portanto, que apesar da explicação 
didática do reflexo monossináptico ser de certa forma simples, 
seu controle motor e do reflexo envolve uma série de outras 
sinapses que modulam essa via reflexa, gerando a tensão 
apropriada para certos movimentos. 
Outro exemplo é a partir das Células de Renshaw. Através de vias descendentes e células de 
Renshaw (interneurônios inibitórios maiores) há a modulação do interneurônio inibitório que inibia 
o motoneurônio alfa do antagonista e também modula a atividade do motoneurônio alfa do músculo agonista, levando ao 
relaxamento. Essa via de Renshaw promove uma via de auto inibição do neurônio motor alfa 
 
Por que o reflexo de estiramento é tão importante? 
 
Nos movimentos do dia a dia, como o chute de uma bola ou saque de tênis, caso não houvesse a ação do reflexo de 
estiramento para frear