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Diuréticos (farmacologia e fisiologia)

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São fármacos que têm como função o aumento 
da urina excretada. 
De maneira resumida, a maioria dos diuréticos 
são inibidores dos transportadores renais 
de íons e diminuem a reabsorção de sódio 
em diferentes partes do néfron. Como 
resultado, os íons de sódio e outros, como o 
cloreto, entram na urina em quantidades 
maiores do que a quantidade normal juntamente 
com água, que é carregada passivamente para 
manter o equilíbrio osmótico. Assim, os 
diuréticos aumentam o volume de urina e 
frequentemente alteram seu pH, bem como 
a composição iônica da urina e do sangue. 
Seu uso é indicado para a: 
• Retenção anormal de líquido (edema) 
• Controle da hipertensão 
Aproximadamente de 16 a 20% do plasma 
sanguíneo que chega aos rins é filtrado dos 
capilares glomerulares para o interior das 
cápsulas de Bowman. 
O filtrado, embora não tenha proteínas e células 
do sangue, contém a maioria dos componentes 
plasmáticos de baixa massa molecular em 
concentração aproximadamente igual à do 
plasma. 
Observação: isso inclui glicose, bicarbonato de 
sódio, aminoácidos e outros solutos orgânicos, 
bem como eletrólitos, entre eles Na+, K+ e Cl–. 
Os rins regulam a composição iônica e o volume 
de urina por reabsorção ativa ou secreção de 
íons e/ou reabsorção passiva de água ao 
longo do néfron. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Diuréticos 
BIANCA LOUVAIN 
 
 
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túbulo contorcido proximal 
No túbulo contorcido proximal, localizado no 
córtex renal, praticamente toda glicose, 
bicarbonato, aminoácidos e outros 
metabólitos são reabsorvidos. 
• Aproximadamente dois terços do sódio 
também são reabsorvidos. 
• O cloreto entra no lúmen do túbulo em troca 
de um ânion. 
• A água segue passivamente, do lúmen para o 
sangue, para manter o equilíbrio osmolar. 
Se não fosse a reabsorção de solutos e água no 
túbulo proximal, o organismo rapidamente se 
tornaria desidratado e não conseguiria manter 
sua osmolaridade normal. 
• O sódio reabsorvido é bombeado para o 
interstício pela bomba Na+/K+-adenosina 
trifosfatase (ATPase), mantendo, assim, os 
níveis normais de Na+ e K+ na célula. 
• A anidrase carbônica na membrana luminal 
e no citoplasma das células do túbulo 
proximal modula a reabsorção de 
bicarbonato. 
O túbulo proximal é o local dos sistemas de 
secreção de ácidos e bases orgânicos. O sistema 
secretor de ácidos orgânicos, localizado no terço 
médio do túbulo proximal, secreta uma 
variedade de ácidos orgânicos, como o ácido 
úrico, alguns antimicrobianos e diuréticos. 
Observação: a maioria dos diuréticos entra no 
líquido tubular por esse sistema. 
O sistema secretor de ácidos orgânicos é 
saturável, e os diuréticos da corrente sanguínea 
competem com os ácidos orgânicos endógenos, 
como o ácido úrico, pela transferência. 
O sistema secretor de bases orgânicas, localizado 
nos segmentos superior e médio do túbulo 
proximal, é responsável pela secreção de 
creatinina e colina. 
ramo descendente da alça 
de henle 
O filtrado restante, que é isotônico, avança para 
o ramo descendente da alça de Henle e entra na 
parte medular dos rins. 
A osmolaridade aumenta ao longo do ramo 
descendente da alça de Henle, em decorrência do 
mecanismo de contracorrente, que é responsável 
pela reabsorção de água. Isso resulta em um 
líquido tubular com uma concentração de sal 
triplicada. 
Observação: os diuréticos osmóticos exercem 
parte de sua ação nessa região. 
ramo ascendente da alça 
de henle 
As células do epitélio tubular ascendente 
são impermeáveis à água. 
• A reabsorção ativa de sódio, potássio e 
cloreto é mediada por um cotransportador de 
Na+/K+/2Cl–. 
• Mg2+ e Ca2+ entram no líquido intersticial 
pela via paracelular. 
A alça ascendente é, portanto, uma região de 
diluição do néfron. Aproximadamente de 25 a 
30% do cloreto de sódio tubular volta para o 
líquido intersticial, auxiliando, dessa forma, a 
manutenção da osmolaridade elevada. 
Como o ramo ascendente da alça de Henle é o 
principal local de reabsorção de sal, fármacos 
que afetam esse local, como os diuréticos de alça, 
têm o maior efeito diurético. 
túbulo contorcido distal 
As células do túbulo contorcido distal 
também são impermeáveis à água. 
• Aproximadamente 10% do cloreto de sódio 
filtrado é reabsorvido por meio de transporte 
de Na+/Cl–, que é sensível aos diuréticos 
tiazídicos. 
• A reabsorção de cálcio é mediada pela 
passagem através de um canal e, então, ele é 
transportado por trocador Na+/Ca2+ para o 
líquido intersticial. 
Portanto, esse mecanismo difere daquele da alça 
de Henle. Adicionalmente, a excreção de cálcio é 
regulada pelo hormônio da paratireoide nesse 
ramo do túbulo. 
túbulo e ducto coletor 
As células principais do túbulo e do ducto coletor 
são responsáveis pelo transporte de sódio, 
potássio e água, e as células intercaladas são 
responsáveis pela secreção de H+. 
• O sódio entra nas células principais através 
de canais (canais de sódio epiteliais) que são 
inibidos por amilorida e triantereno. Uma 
vez no interior da célula, a reabsorção do 
sódio depende de Na+/K+-ATPase para ser 
transportado ao sangue. 
• Receptores de aldosterona nas células 
principais influenciam a reabsorção de sódio 
e a secreção de potássio. A aldosterona 
aumenta a síntese de canais de sódio e da 
bomba Na+/K+-ATPase, o que aumenta a 
reabsorção de sódio, quando combinado. 
 
 
 
 
 
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• Os receptores do hormônio antidiurético 
(HAD ou vasopressina) promovem a 
reabsorção de água dos túbulos e ductos 
coletores. 
 
 
Os tiazídicos são os diuréticos mais amplamente 
utilizados. Eles são derivados das sulfonamidas. 
• Clorotiazida 
• Clortalidona 
• Hidroclorotiazida 
• Indapamida 
• Metolazona 
Todos os tiazídicos afetam o túbulo 
contorcido distal, e todos apresentam 
efeito diurético máximo semelhante, 
diferindo somente em potência. 
Os tiazídicos são algumas vezes denominadas 
diuréticos de teto baixo, pois o aumento da 
dosagem, acima da dose terapêutica normal, não 
promove resposta diurética adicional. 
Tiazídicos: 
A clorotiazida foi o primeiro diurético ativo por 
via oral capaz de tratar o edema grave da cirrose 
e da insuficiência cardíaca com efeitos adversos 
mínimos. 
A hidroclorotiazida é mais potente. Assim, a 
dose necessária é consideravelmente menor do 
que a da clortiazida, mas as eficácias são 
comparáveis. Em todos os demais aspectos, a 
hidroclorotiazida se assemelha à clorotiazida. 
A clorotiazida, indapamida e metolazona são 
referidas como diuréticos do tipo tiazídico, pois 
contêm resíduos sulfonamidas na sua estrutura 
química, e seu mecanismo de ação é semelhante. 
Todavia, esses fármacos não são tiazídicos 
verdadeiros. 
Mecanismo de ação: 
Os diuréticos tiazídicos e tipo tiazídicos atuam 
principalmente na região cortical da alça 
ascendente de Henle e no túbulo 
contorcido distal, diminuindo a reabsorção 
de Na+, pela inibição de um 
cotransportador de Na+/Cl– na membrana 
luminal dos túbulos. 
Eles têm efeito menor no túbulo proximal. 
Como resultado, esses fármacos aumentam a 
concentração de Na+ e Cl– no líquido tubular. 
Observação: como o local de ação dos tiazídicos é 
a membrana luminal, esses fármacos precisam 
ser excretados para o lúmen tubular para serem 
eficazes. Portanto, quando a função renal está 
diminuída, os diuréticos tiazídicos perdem 
eficácia. 
A eficácia desses diuréticos pode diminuir com o 
uso concomitante de anti-inflamatórios não 
esteroides (AINEs) como a indometacina, que 
inibe a produção de prostaglandinas renais, 
reduzindo, assim, o fluxo de sangue nos rins. 
Ações: 
• Aumento da excreção de Na+ e Cl−: os 
diuréticos tiazídicos e tipo tiazídicos causam 
diurese com aumento da excreção de Na+ e 
Cl–, que resulta na excreção de urina 
hiperosmolar (concentrada).

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