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01-cegueira

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pela Chlamydia tracomatis. Acomete o segmento 
anterior dos olhos, levando à inflamação (ceratoconjuntivite) crônica, que pode evoluir para ci-
catrização, retração palpebral, triquíase e entrópio.
Endêmico em 55 países, especialmente os em desenvolvimento com más condições de sane-
amento básico e superpopulação, o tracoma acomete 80 milhões de pessoas em suas formas 
mais brandas e 5,9 milhões de pessoas apresentam quadro mais avançado, com potencial risco 
de cegueira.
A OMS estima em 1,6 milhão o número de pessoas cegas bilateralmente por tracoma em todo 
o mundo. 
 ONcOceRcOse
A oncocercose é causada por infecção com o parasita Onchocerca volvulus. A grande maioria 
dos 37 milhões de pessoas infectadas vivem na África (Ocidental, Central e Oriental), com focos 
menores na América Latina e no Iêmen. Além de doenças oculares e cegueira, a oncocerco-
se também provoca uma série de doenças de pele e sistêmicas. Atualmente, cerca de 300 mil 
pessoas são cegas por oncocercose. Medidas de controle incluem a pulverização de larvicida e 
tratamento de comunidades endêmicas.
O Programa da OMS para o Controle da Oncocercose, que operou entre 1974 e 2002 e cobriu 11 
países, foi altamente eficaz: a oncocercose deixou de ser um problema de saúde pública, exceto 
em Serra Leoa e algumas áreas do Benin, Gana, Guiné e Togo. Atividades de controle continua-
ram intensas nessas áreas até o final de 2007, e a vigilância continuou em todos os países ante-
riormente abrangidos pelo programa. Devido a conflitos civis, a incidência da doença se agravou 
em alguns países do continente africano.
A doença ainda é endêmica em 30 países da África e há focos espalhados em seis países da Amé-
rica Latina (Brasil, Colômbia, Equador, Guatemala, México e Venezuela).
 DEgEnEraçãO Macular rElaciOnaDa à iDaDE (DMri)
É a causa mais comum de cegueira nos países industrializados. Seis a 10% da população entre 
65 e 74 anos e de 19 a 30% da população acima de 75 anos são afetados, em alguma extensão, 
pela DMRI. Como consequência do envelhecimento da população, a prevalência da doença deve 
aumentar em números absolutos a nível mundial.
A DMRI tem duas formas: a forma seca ou atrófica, que representa 90% dos casos, e a forma 
úmida ou exsudativa, que se caracteriza pelo desenvolvimento de novos vasos sanguíneos anor-
mais na retina, que podem vazar ou sangrar, levando à perda acentuada da visão central. Em 
até um ano após o início da DMRI exsudativa em um dos olhos, 15% das pessoas desenvolvem o 
problema em seu segundo olho. 
Além da idade, outros fatores de risco são associados à DMRI: sexo (as mulheres são mais afe-
tadas), hereditariedade (entre 10 e 20% dos afetados têm histórico familiar da doença), pig-
mentação ocular (a DMRI acomete mais indivíduos brancos e, entre eles, os que têm íris azuis), 
tabagismo, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, hipermetropia e fatores ambientais, 
como fotoxidade (luz branca e ultravioleta) e nutrição.
A DMRI é responsável por 8,7% de toda a cegueira (3.000.000 de pessoas), devido à doenças 
oculares, que variam de cerca de 0% na África subsaariana e 50% nos países industrializados.
Estimativas apontam que o número de afetados deve dobrar até o ano de 2020 como resultado 
do envelhecimento da população mundial. Os principais fatores de risco são idade, raça, tabagis-
mo, histórico familiar da doença, hipertensão, colesterol elevado, a ingestão de gordura e índice 
de massa corporal elevado. 
Nos últimos anos, a evolução da terapêutica com uso de drogas antigiogênicas, favorece o trata-
mento dos pacientes com DMRI, possibilitando a redução dos casos de cegueira legal provocados 
por esta doença.
 ReTINOPATIA DIAbéTIcA
A retinopatia diabética é uma complicação da diabetes mellitus. Estudos clínicos têm mostrado 
que um bom controle do diabetes e da hipertensão arterial reduzem significativamente o risco 
de retinopatia diabética, e há evidências de estudos conduzidos durante mais de 30 anos de que 
o tratamento da retinopatia estabelecida pode reduzir o risco de perda visual em mais de 90% 
dos casos. Embora algumas formas de retinopatia possam ser tratadas por cirurgia vítreo-retinia-
na, uma vez que a visão tenha sido perdida devido à doença, ela não pode ser restaurada. 
Programas de triagem para a detecção de retinopatia diabética, em estágio em que o tratamento 
possa prevenir a perda visual, e programas de educação sanitária, são o sustentáculo de preven-
ção de cegueira devido à retinopatia diabética.
O tratamento é relativamente caro e requer cuidados profissionais específicos (oftalmologistas 
com especialização em retina e vítreo). Por isso, as decisões tomadas por cada país são adapta-
das aos seus recursos, as expectativas sociais e infraestrutura sanitária disponíveis. A prevenção 
e o tratamento da retinopatia diabética requerem a disponibilização de serviços médicos ade-
quados para pacientes com diabetes mellitus.
A retinopatia diabética é responsável por 4,8% dos 37 milhões de casos de cegueira devido a 
doenças oculares em todo o mundo (isto é, 1,8 milhão de pessoas). A proporção de cegueira cau-
sada pela retinopatia diabética varia de cerca de 0% na maioria da África, para 3-7% em grande 
parte do Sudeste da Ásia, para 15-17% nas regiões mais ricas das Américas e Europa.
Pelo menos 171 milhões de pessoas em todo o mundo têm diabetes, e é provável que o número 
de portadores da doença cresça mais de duas vezes até 2030, para 366 milhões. Cerca de 50% 
das pessoas com diabetes não sabem que têm o problema, embora aproximadamente 2 milhões 
de mortes todos os anos sejam atribuídas a complicações do diabetes.
Depois de 15 anos, cerca de 2% das pessoas com diabetes tornam-se cegos, e 10% desenvol-
vem perda visual grave. Depois de 20 anos, mais de 75% dos pacientes têm alguma forma de 
retinopatia diabética.
No geral, os custos do diabetes se situam numa faixa entre 2,5% e 15% dos orçamentos anuais 
de cuidados com a saúde, dependendo da prevalência da diabetes e da sofisticação dos serviços 
disponibilizados. Os custos da perda de produção em virtude da deficiência visual podem ser 
tão grandes que chegam a superar em cinco vezes o custo com os cuidados de saúde diretos, de 
acordo com as estimativas provenientes de 25 países latino-americanos. Em alguns países, os 
portadores de diabetes são registrados em programas que permitem um melhor acompanha-
mento de possíveis evoluções da doença.
 glAUcOMA
Glaucoma não é uma doença, mas um grupo de condições caracterizadas por danos ao nervo óp-
tico e perda do campo visual. Os dois principais tipos de glaucoma são conhecidos como glaucoma 
de ângulo aberto e glaucoma de ângulo fechado. O glaucoma de ângulo aberto é mais frequente 
em brancos e afro-caribenhos, enquanto o glaucoma de ângulo fechado é mais comum no Sudeste 
da Ásia. O glaucoma é incomum entre as pessoas com idade inferior a 40 anos, mas a prevalência 
aumenta com a idade. Outros fatores de risco incluem pressão intraocular elevada, histórico fami-
liar e inclusão em um grupo étnico suscetível. O glaucoma de ângulo aberto não pode ser evitado, 
mas as crises agudas do glaucoma de ângulo fechado podem ser prevenidas com a detecção preco-
ce, seguida de tratamento a laser ou cirúrgico. Como as fases iniciais dos dois tipos de glaucoma são 
muitas vezes assintomáticas, varios pacientes buscam o tratamento em fase já bastante adiantada 
da doença, particularmente nos países em desenvolvimento. Uma vez que a visão foi perdida, in-
dependentemente do tipo de glaucoma, ela não pode ser restaurada.
A OMS estima que 4,5 milhões de pessoas são cegas devido ao glaucoma. Projeções indicavam 
que 4,5 milhões de pessoas ficariam cegas devido a glaucoma de ângulo aberto e 3,9 milhões 
devido ao glaucoma de ângulo fechado em 2010. Além disso, cerca de 60,5 milhões de pessoas 
teriam glaucoma até o ano 2010 (44,7 milhões com glaucoma de ângulo aberto e 15,7 milhões 
com

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