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sexualidade novo!

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No senso comum, a sexualidade é usualmente considerada sinônimo de genitalidade assim como vida sexual é tida como equivalente a relação sexual. Freud dá ao termo um significado bem mais amplo situando sexualidade tanto aquém como além do ato sexual. Ele prefere falar em psicossexualidade (XI: 208). Freud usa a palavra sexualidade dentro da mesma conotação que na língua alemã se emprega o termo "lieben" (amar) (XI: 209). Sexualidade vai além da reprodução (XVIII: 71; XX: 51-52); Freud identifica o instinto sexual já na infância (I: 372; VI: 240; X: 109,165) e detecta a presença dos germes dos impulsos sexuais no recém-nascido (VII: 181,177, 212; IX: 243-247; XVI: 363, 366; XXIII: 177-181); considera o homossexualismo (XI: 111; XVI: 356-357); leva em conta a sublimação (VII: 245; IX: 193; XIV: 111-112; XV: 36); até nos chistes ele identifica a sexualidade (VIII: 117-122); etc. É preciso salientar, contudo, que uma parte das dificuldades do assunto (sexualidade) decorre do fato de serem os instintos do organismo um tema também complexo e controvertido.
	Popularmente, a sexualidade é associada ao órgão genital, o que faz alusão de que vida sexual é somente o ato sexual em si. Para Freud, a sexualidade possui um valor mais significativo do que a relação sexual e os órgãos que a acometem. É um terreno de vasta exploração e de muitas significâncias, tornando-o complexo e, de certo modo, polêmico, uma vez que traz diversas esferas de estudo, tais como: o instinto sexual já na infância (I: 372; VI: 240; X: 109,165) e detecta a presença dos germes dos impulsos sexuais no recém-nascido (VII: 181,177, 212; IX: 243-247; XVI: 363, 366; XXIII: 177-181); considera o homossexualismo (XI: 111; XVI: 356-357); leva em conta a sublimação (VII: 245; IX: 193; XIV: 111-112; XV: 36); até nos chistes ele identifica a sexualidade (VIII: 117-122);
Nos dias atuais, a sexualidade, se configura como uma área de estudos e pesquisas. De acordo com Freud (2006) a sexualidade nos acompanha desde o nascimento até a morte. Ao publicar seu primeiro estudo sobre a sexualidade infantil, Freud (2006) chocou a sociedade de sua época, que possuía uma ideia de não existência de sexualidade nesta faixa etária. Neste trabalho, o fundador da psicanálise expõe que desde seu nascimento, o indivíduo é dotado de afeto, desejo e conflitos
Quando publicou seu primeiro estudo sobre sexualidade infantil, Freud divergiu das idéias, até então estabelecidas pelo povo de sua época, de que crianças eram incapazes de possuir sexualidade. Ele mostrou que já ao nascer, o ser humano possui vontades, sentimentos e atritos em relação ao outro e a si, seu corpo. A sexualidade, algo que o ser humano carrega desde o primeiro momento e se estende ao longo de toda a vida, é objeto de estudos que se debruçam em pesquisas na área.
[...] Falando sério, não é fácil delimitar aquilo que abrange o conceito de „sexual‟. Talvez a única definição acertada fosse „tudo o que se relaciona com a distinção entre os dois sexos‟. [...] Se tomarem o fato do ato sexual como ponto central, talvez definissem como sexual tudo aquilo que, com vistas a obter prazer, diz respeito ao corpo e, em especial, aos órgãos sexuais de uma pessoa do sexo oposto, e que, em última instância, visa à união dos genitais e à realização do ato sexual. [...] Se, por outro lado, tomarem a função de reprodução como núcleo da sexualidade, correm o risco de excluir toda uma série de coisas que não visam à reprodução, mas certamente são sexuais, como a masturbação, e até mesmo o beijo (FREUD, 2006, p. 309).
A verdade é que tudo que diz respeito a sexualidade é uma questão delicada, difícil de cercear caminhos que não cruzem com os órgãos genitais e o ato sexual, tornando isso como o centro dos estudos e, por conseqüência, deixando de lado inúmeros outros aspectos sociais e sensoriais que a questão está intimamente ligada.
O conceito de sexualidade é destacado aqui como um fenômeno social e cultural. A sexualidade envolve os desejos, os sentimentos, as atitudes, os valores e os comportamentos que dizem respeito ao erotismo humano, mas suas manifestações dependem das representações sociais em diferentes contextos culturais e momentos históricos (Bozon, 2004; Louro, 1999; Maia, 2001; 2006; Mottier, 2008; Ribeiro, 1990). Bozon (2004) explica:
Michel Foucault, em seus livros sobre a história da sexualidade (1976/1984, p.62), constrói uma hipótese acerca da sexualidade humana, argumentando que ela não deve ser concebida como um dado apenas da natureza e sim como um produto do encadeamento da estimulação dos corpos, da intensificação dos prazeres, da incitação ao discurso, da formação dos conhecimentos, do reforço dos controles e das resistências. http://books.scielo.org/id/sb6rs/pdf/valle-9788579831195-04.pdf
A sexualidade, assim como qualquer ato ou atividade, está passível de ter suas inferências e referências associadas ao grupo social em que se encontra, ou seja, em cada sociedade, suas vivências, práticas e correlações estão suscetíveis ao domínio daquele povo, assim como, há suas modificações e suas descobertas ao longo do tempo, o que envolve o prazer puro, o prazer com significância, uma estratégia de poderio e a estigmatização do erotismo. Para Foucault, a sexualidade é tida como um movimento sócio-cultural que envolve todas as questões aqui dessertadas.
Não se deve descrever a sexualidade como um ímpeto rebelde, estranha por natureza e indócil por necessidade a um poder que, por sua vez, esgota-se na tentativa de sujeitá-la e, muitas vezes, fracassa em dominála inteiramente. Ela aparece mais como um ponto de passagem particularmente denso pelas relações de poder: entre homens e mulheres, entre jovens e velhos, entre pais e filhos, entre educadores e alunos, entre padres e leigos, entre administração e população. Nas relações de poder, a sexualidade não é o elemento mais rígido, mas um dos dotados de maior instrumentalidade, utilizável no maior número de manobras e podendo servir de ponto de apoio, de articulação às mais variadas estratégias
A sexualidade não pode ser vista, analisada e descrita como algo primitivo, desnudo de qualquer sutileza ou profundidade científica. É algo multifacetado, que deve ser olhado por várias vertentes, uma vez que há um poderio muyito grande em relação a ela. A sexualidade é um valioso instrumento despótico, volúvel ao ponto de ser utilizado conforme surgem as situações, atravessando relações e sendo servido como manobras para as mais diversas finalidades.
Para Foucault foi Freud que criou as condições para que se pudesse falar efectivamente de sexualidade, já que antes de Freud se falava de sexualidade para não falar, para a manter em silêncio (López, 2005b). Weeks (1992) considera a sua teoria psicanalítica um marco na crítica ao essencialismo sexual, pelo facto de reconhecer a importância dos factores culturais. Além disso, Freud questionou a teoria da degenerescência, nomeadamente no que diz respeito à homossexualidade (ou inversão, para utilizar a terminologia da autor). Para ele, os homossexuais (invertidos) não eram degenerados porque muitos não apresentavam outros desvios graves, nalguns deles a actividade geral não estava perturbada e o grau do seu desenvolvimento moral e intelectual podia ser elevado (Freud, 1905). No entanto, também questionou a teoria do “carácter congénito da inversão” por acreditar que “a sugestão hipnótica pode suprimir a inversão, o que é bem de admirar se admitirmos o seu carácter congénito” (ibidem, p. 31). Deste modo, defendia que a homossexualidade era um distúrbio que podia ser curado. Os limites ou críticas que possam ser apontados às suas teorias em nada diminuem a sua importância e o papel que tiveram na forma como é hoje encarada a sexualidade. (PONTES, 2011)
Foucault coloca em seus estudos que foi Freud quem abriu espaço para que se discorresse sobre a sexualidade, uma vez que este foi o precursor do tema e o estudou e falou com tanta exposição, algo que não era visto até então, já que caracterizado como algo de cunho intimista
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