A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
29 pág.
TEORIA DO CRIME UNID 1

Pré-visualização | Página 3 de 7

vigente no país,
que era de origem portuguesa. Em 1824 foi outorgada a primeira Constituição do Brasil, e em 1830 foi
promulgado o primeiro Código Criminal brasileiro. A Constituição de 1824, elaborada sob o ideário liberal e
humanista, trazia em seu art. 179 direitos e garantias individuas que influenciaram sobremaneira a elaboração
do Código Criminal. O Código de 1830 foi o primeiro código autônomo da América Latina foi um código elogiado
e influente para outras codificações na América e Europa. Segundo aponta Basileu Garcia (1956, p. 179), "a única
questão que deu margem a dissídio no Parlamento durante a aprovação do projeto foi a pena de morte. Os
conservadores queriam mantê-la no código, e os liberais, extirpá-la. Venceram os primeiros, sob o argumento de
que os escravos não temeriam nenhum outro castigo, que não a forca".
Apesar de todos os elogios, esse Código mantinha resquícios de uma sociedade escravocrata. A crítica da
sociedade da época era que o caráter liberal do Código levaria ao aumento da criminalidade, o que levou a todo
um retrocesso de de cunho retrógrado, principalmente contra escravos (Toledo, 2002, p. 59).
3.3 Código Penal da República
Com o fim da escravidão e o advento da República, novamente se fazia mister a ruptura com o velho, e, assim, a
elaboração de novos diplomas legais. Em 1890 foi promulgado o novo Código Penal, que ficou pronto antes da
primeira Constituição da República, promulgada apenas em 1891. Vale lembrar que nessa época já eram
conhecidos os estudos de Francesco Carrara – Escola Clássica -, e também os ideais da Escola Positiva. Apesar de
todas as críticas que esse novo código sofreu, por ter sido elaborado às pressas, cabe ressaltar que esse código
aboliu a pena de morte e instalou o regime penitenciário de caráter correcional.
- -12
3.4 Código Penal de 1940
Entre o final do séc. XIX e início do séc. XX houve um grande desenvolvimento da ciência penal, com Escola
Clássica, Escola Positiva e escolas ecléticas. Surgiu a necessidade de um novo código mais moderno. O Código
Penal de 1940 foi originado no projeto de Alcântara Machado, revisado por uma Comissão que participava
juristas do peso de Nelson Hungria, Roberto Lyra, Costa e Silva, entre outros.
Nasce no período entre guerras, em pleno Estado Novo, de índole ditatorial, onde Getúlio Vargas detém os
Poderes Executivo e Legislativo. Mas, conforme leciona Francisco de Assis Toledo (2002, p. 63), “o curioso é que,
fruto de um Estado Ditatorial e influenciado pelo código fascista, manteve a tradição liberal iniciada com o
Código do Império”.
Algumas características: "boa técnica e simplicidade; adoção do duplo binário; pena retributiva com finalidade
repressiva e intimidatória; caráter repressivo, construído sobre a crença da necessidade e suficiência da pena
privativa de liberdade para o controle da criminalidade" (Toledo, 2002, p. 64). Em 1988, com Constituição
Federal, o direito penal brasileiro tem uma nova fase agora sob a égide do estado democrático de direito. Por
essa razão, ao longo das últimas décadas o Código Penal de 1940 foi reformado diversas vezes.
- -13
4 Conceito de crime
O crime pode ser conceituado sob três perspectivas:
Figura 1 - Perspectivas do crime
Fonte: Elaborada pela autora, 2019.
#PraCegoVer: Na imagem, temos a representação gráfica que apresenta as três perspectivas do crime: formal,
material e analítica.
Oconceito formal é aquele baseado na lei, ou seja,é crime a conduta definida pelo legislador. Esse conceito não se
preocupa com o aspecto ontológico e nem em identificar os elementos essenciais do crime. O art. 1º da Lei de
Introdução do Código Penal apresenta a seguinte definição:
Art. 1º
Considera-se crime a infração penal que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer
isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; contravenção, a infração
penal a que a lei comina, isoladamente, pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou
cumulativamente.
Segundo o conceito material, crime é o fato humano que lesa ou expõe a perigo bens jurídicos penalmente
protegidos. Ou seja, não é qualquer conduta que pode ser punida. Há uma preocupação com a legitimidade da
criminalização. Já o conceito analíticodispõe sobre os elementos estruturais do crime. Segundo a doutrina
majoritária (teoria tripartida), o crime se compõe dos seguintes elementos:
- -14
Figura 2 - Conceito analítico
Fonte: Elaborada pela autora, 2019.
#PraCegoVer: Na imagem, temos a representação gráfica do conceito analítico que soma três conceitos
importantes: fato típico, antijuridicidade e culpabilidade.
Desta forma, para que uma conduta humana seja considerada crime devem estar presentes todos esses
elementos. É importante salientar que não há unanimidade na doutrina sobre este tema. Além disso,
minoritariamente, há outros dois posicionamentos que defendem que os elementos do crime sejam:
Figura 3 - Elementos do crime
Fonte: Elaborada pela autora, 2019.
Na imagem, temos a representação gráfica de dois posicionamentos distintos sobre os elementos#PraCegoVer: 
do crime. O primeiro soma fato típico e antijuridicidade; já o segundo, acrescenta a essa soma os conceitos de
culpabilidade e punibilidade.
- -15
5 Teoria do crime
Segundo ensina Fragoso (1976, p. 155), “a teoria do crime é a parte da dogmática jurídico-penal que estuda o
crime como fato punível, analisando suas características gerais, bem como suas formas especiais de
aparecimento, que são a tentativa e a coautoria”. Conforme afirma Figueiredo Dias (2007, p. 235), tendo em vista
que hoje vivemos sob a égide do direito penal do fato e não do direito penal do autor, a construção dogmática
do conceito de crime é a construção do conceito de fato punível. Seguindo a evolução histórica estabelecida
pela doutrina (Dias, 2007, p. 238 e 239; Mir Puig, 2007, p. 112 e 113; Estefam, p. 2018) há quatro grandes
períodos na doutrina do fato punível, com marcante influência histórico-político-cultural das sociedades onde se
desenvolveram:
• sistema clássico;
• sistema neoclássico;
• sistema finalista;
• sistema funcionalista.
Essas teorias não se excluem. A intenção é sempre superar os pontos negativos ou obsoletos da anterior, e se
utilizar de suas descobertas e acertos.
•
•
•
•
- -16
5.1 Sistema clássico ou causalismo
O conceito causal de ação foi desenvolvido por Liszt-Beling-Radbruch, denominado sistema clássico. Teve seu
apogeu entre o último terço do séc. XIX e o início do séc. XX. As influências dessa corrente eram o positivismo, o
empirismo e o cientificismo naturalista. A intenção era separar o estudo do direito positivo de qualquer
preocupação não jurídica, como dados sociológicos ou psicológicos (Martinelli; Bem, 2018, p. 418).
Segundo esse sistema havia de um lado a ação, no processo causal externo, objetivo (referindo-se à tipicidade e a
antijuridicidade), e de outro o conteúdo da vontade, interno, subjetivo (referindo-se à culpabilidade). A ação
seria o movimento corporal causado por um impulso voluntário, que causa modificação no mundo
exterior. Essa ação se tornaria típica se se subsumisse ao tipo descrito na lei penal. A ação típica se tornaria 
ilícita se não estivesse presente nenhuma causa de justificação. Não havendo a causa, teríamos a parte objetiva
do delito.
A parte subjetiva estaria presente na culpabilidade. A ação típica e ilícita seria também culpável se fosse
possível comprovar a existência de um liame psicológico entre o agente imputável e o fato, ou seja, se fosse
possível imputar o fato ao agente a título de dolo ou culpa. Satisfeitos esses requisitos, estariam presentes todos
os elementos do conceito de crime.
Com o passar do tempo essa teoria tornou-se obsoleta. No entendimento de Figueiredo Dias (2007, p. 240), esse
conceito de ação, ao exigir um movimento corpóreo e, também, uma modificação no mundo exterior, “restringia
de forma inadmissível a base de toda a construção”. Para corroborar esse

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.