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Exame Psíquico: Estamira (Documentário - 2005)

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Daiana Rocha | Psicologia 		Psicopatologia | 4º Período
Curso de Psicologia
Daiana Rocha Vilela Miguel
EXAME PSÍQUICO: Estamira Gomes de Souza
ITAJUBÁ
2020
EXAME PSÍQUICO
PACIENTE ESTAMIRA (DOCUMENTÁRIO ESTAMIRA – 2005)
Sujeito sabe quem é: que se chama Estamira. Demonstra saber quem são seus filhos, quem foram seus pais e seu marido; também sabe com quem trabalha. Sabe dizer onde mora, assim como sabe onde fica seu local de trabalho. Identifica o lixão onde trabalha como Gramacho.
Sujeito desperto, acordado. Demonstra ciência do que se passa ao seu redor, mas traz em sua fala elementos que também não são percebidos no seu ambiente, como vozes e visões que alega escutar e ver.
Aparenta estar atenta aos seus processos internos, sempre volta a falar sobre si mesma, mesmo que o assunto seja sobre algo de fora, isto é, externo à ela. Mantém olhar fixo no horizonte em vários momentos, principalmente quando diz: “Estamira está longe”. 
Apresenta lembranças de fatos que ocorreram há muito tempo. Relata lembrar-se dos abusos que sofreu pelo marido, quando viveu com ele. Relembra do modo de agir da mãe, que segundo diz: “era perturbada que nem eu”. Recorda e cita os nomes que o pai costumava chamá-la quando criança. Canta canções em diversos momentos, retomando letras que tem presente em sua lembrança. 
Alega ter o desejo de ajudar as pessoas. Revela ser essa sua vontade: “(...) se eu me desencarnar eu tenho a impressão que serei muito feliz e talvez eu pudesse ajudar alguém”. Na maior parte do tempo age de modo rápido, sem se demorar em pensar no que pode fazer, como na cena em que abaixa as calças para o neto ver de onde veio a sua mãe.
Demonstra captar e interpretar a realidade ao seu redor conforme percebe estímulos que não estão em seu ambiente, quando alega estar em contato com vozes ou visões de pessoas que já morreram, como seus pais. Tem a crença de que “todos precisam de Estamira”. Refere-se a si como um deus, um astro – compara-se a Jesus, diz acreditar ser igual à ele. 
Indivíduo falante. Apresenta fala ágil e rápida. Diz palavras que não se conectam em sua fala. Repete várias vezes os termos “trocadilo”, “ao contrário”, “controle remoto” e “controle artificial”. Utiliza palavras de baixo-calão e os repete em vários momentos quando indagada por interlocutores sobre Deus e religião. No lixão, pega um telefone em meio aos objetos descartados e começa a cantar, gritar e falar em uma linguagem própria, ausente de significado.
Chora ao lembrar-se do ex-marido, e, logo após se refere a ele como porco e sujo. Ressente-se do que já sofreu com alguns parentes, como da vez em que seu avô a levou em um local para ela, com dozes anos de idade, se prostituir. Diz gostar muito dos filhos e dos netos, mas se altera e se mostra raivosa quando os mesmos vêm lhe indagar sobre Deus ou qualquer outro assunto religioso.
Mostra-se capaz de realizar atividades e resolver problemas em seu cotidiano. Realiza atividades domésticas como cozinhar e limpar a casa, assim como também sabe o que precisa ser feito em seu trabalho no lixão. Tem autonomia para ir a lugares, andar de ônibus, assim como consegue ir à médica sozinha.
Estamira relata não gostar de Deus e religião, ao mesmo tempo que diz ser conduzida pelos astros. Diz não ser perversa, mas se considera ruim. Entende que os remédios que toma são dopantes e diz que os mesmos não surtem efeito para si. Refere-se a sim como alguém que possui clareza do que fala, ainda que apresente algumas “pertubações”, como diz a mesma.
Quando indagada pela médica sobre ouvir coisas, responde: “eu escuto os astros, as coisas”. Em vários momentos relata estar com um “controle remoto universal” dentro do corpo, sente-o, apalpando-o próximo ao coração. Diz ver os pais e os amigos (mortos): “Ó, to vendo”.
Movimentação brusca dos membros. Agitação motora intensa quando está de pé e mesmo quando sentada. Desloca-se várias vezes, com dificuldade em parar apenas em um lugar. Pisca de maneira rápida em várias situações. Manipula as mãos, aperta os dedos, entrelaça e os belisca.
Pensamento rápido e acelerado. Em seu pensamento há elementos reais (como sanguíneo) e irreais (como controle remoto) que se misturam em seu discurso, levando a identificar os mesmos como relacionados entre si e constituintes de uma fala que não se segue pela lógica.
REFERÊNCIAS
PADILHA, José. PRADO, Marcos. Estamira. 2005. Brasil. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=ibuo079DGF8 > 19 de Setembro de 2020, último acesso.
DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. 3ª. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2019
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