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PROJETO TAPETE_SENSORIAL

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pelo aprendizado fora da família original, junto a outras famílias; assim que a criança deixava de ser um infante (não falante), ela era enviada para o convívio com outras famílias, em que aprendiam os hábitos, costumes, modos de ser, comportamentos, desde como servir à mesa, até como se vestir, cumprimentar as pessoas, etc. Para serem considerados educados bastavam ter os bons costumes e se desprezavam o aprendizado pedagógico. 
A partir do século XVI houve então uma mudança: as crianças passam a frequentar a escola, em vez de se dirigirem às casas de outras famílias e deixar de ser vistas de forma fragilizada, sendo capaz de sentir e aprender.
"[...] Isso quer dizer que a criança deixou de ser misturada aos adultos e de aprender a vida diretamente, através do contato com eles. A despeito das muitas reticências e retardamentos, a criança foi separada dos adultos e mantida à distância numa espécie de quarentena, antes de ser solta no mundo. Essa quarentena foi a escola, o colégio. Começou então um longo processo de enclausuramento das crianças (como dos loucos, dos pobres e das prostitutas) que se estenderia até nossos dias, e ao qual se dá o nome de escolarização" (Ariès, 1981, p.11).
Essas palavras nos mostram, então, um dos comportamentos do período estudado, que devem ser levados em conta para entender a origem do sentimento da infância: o ambiente escolar.
Essa afirmação de Airés permite-nos chegar a uma culminação desse processo de valorização da infância enquanto tal, já no século XVIII.
2 REFERENCIAL TEÓRICO 
‘Que valia ser criança se lhe faltava a infância? Este mundo não estava para meninices.Porque nos fazem com esta idade, tão pequenos, se ávida parece sempre adiada para outras idades,outras vidas?Deviam-nos fazer já graúdos, ensinados a sonhar com conta medida. Mesmo o pai passava a vida louvando a sua infância,seu tempo de maravilhas.Sefoi para lhe roubar a fonte desse tempo, porque razão o deixaram beber dessa água?(COUTO,2009,PÁG.112)
A pesquisa científica em questão será referendada por autores de diferentes origens que tem em comum o interesse pela educação e também pela evolução das crianças nessa primeira fase da sua existência.Kramer vê a pedagogia como algo que tem compromisso com a verdade, com o conhecimento e tem objetivos culturais, científicos e artísticos na própria vida. Segundo a autora cuidar é algo intrínseco no ser humano e é preciso cuidardurante toda a vida (KRAMER). Ainda falando em cuidar, a oferta de oportunidade de brincar nas creches,que também é uma forma de cuidado, deveria ser a base do planejamento das mesmas. Nossa pesquisa pretendedescobrir os entraves pertinentes relacionados a tal oferta também com base nos e extensos e fundamentais estudos da DrªKishimoto, ondea mesma defende que ‘o brinquedo proporciona ás crianças as formas de saber através da brincadeira, onde a função lúdica vai propiciar a diversão para os mesmos fazendo assim um estímulo educativo, trabalhando a compreensão do mundo(KISHIMOTO).
A natureza do jogo ‘Tapete Faz de conta‘, simbólica e sensorial é baseada na teoriade Vygotsky onde o mesmodefende que a experiência de interação social da criança é fator determinante para o desenvolvimento da sua inteligência. Segundo Vygotsky ‘a zona de desenvolvimento proximal se refere ás funções cognitivas que não estão totalmente amadurecidas e sim em processo’ dependendo assim da quantidade de experiências complexas e significativas a criança teve oportunidade de envolvimento. (VYGOTSKY)
Encontramos ainda em Huizinga uma fonte de dados interessante quanto a natureza dos jogos, onde o mesmo defende que jogar está além das análises biológica s e alcança assim um território sagrado onde o jogar é mais do que uma ação e sim um lugar de descanso e prazer, aproximando-se do divino.Em sua obra ‘Homo ludens’ o autor defende que ‘...mesmo em suas formas mais simples, ao nível animal, o jogo é mais do que um fenômeno fisiológico ou reflexo psicológico.Ultrapassa os limites da atividade puramente física ou biológica.’ (HUIZINGA) .
Segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil, a criança precisa ter acesso as atividades que ‘Incentivem a curiosidade, a exploração,o encantamento,o questionamento, a indagação e o conhecimento das crianças m relação ao mundo físico e social, ao tempo e á natureza.’(DCNEI,art.9º,inciso VIII,1998) .
Ao descobrir um local simbólicoonde a ludicidade, o faz de conta, a liberdade de brincar se faz presente, ou seja, o jogo, a criança se comunica consigo e com o outro de maneira verdadeira,como em nenhum outro contexto. Para o educador, mediador desse momento emocional é possível participar e se encantar com o eu da criança.Naquele momento do brincar crianças e educadores deixam de ser pessoas físicas e passam a vivenciar o ser simbólico onde tudo é possível!Ser umrei,uma princesa, ser a mamãe ou o papai, virar um bicho que fala, tudo é possível e até os objetos se tornam vivos, possíveis de trocar de lugar com a criança. E é aí que nasce o verdadeiro sentimento de alteridade, um conceito admirável que até então a educação formal não prioriza como um de seus objetivos.Segundo Mia Couto ‘a alteridade¨ [...] nasce da magia de sermos nós, sendo outro(COUTO,2015,pg 15). Em outras palavras não é apenas a capacidade de se colocar no lugar do outro em uma relação interpessoal,vai muito além dessa concepção. Alteridade é uma relação de troca de informações, experiências, sentimentos, opiniões e desejos. Considerando que esse outro não se refere apenas as pessoas, mas também aos lugares em que a criança está inserida, como sua casa, escola entre outros. Entramos assim em um território que transcende o físico e até mesmo o cognitivo para experimentar uma oportunidade das crianças criarem seu próprio mundo tendo como base um jogo inovador, interativo, simbólico e sensorial. Contamos ainda em nossa jornada pelo conhecimento com a ajuda de alguns teóricos como Maria Montessori, Walter Benjamim, PhelippeAirés,Jean Piaget entre outros que nossa pesquisa,com certeza, nos levará a conhecer.
3METODOLOGIA
A metodologia eleita para o desenvolvimento desse trabalho foi a pesquisa qualitativabaseada em dados bibliográficos, observações, experimentações e entrevistas.Nessa investigação os pesquisadores entram no contexto dos sujeitos conhecendo-os e compreendendo-os de modo a tornar o estudo mais sólido.Pretendemos também uma maior aproximação com os educadores da creche com a intenção de compreender o seu contexto, suas alegrias e demandas em relação a sua prática.
O contexto da pesquisase dará na Creche escola Jardim de Giulia, localizada no município de Magé/RJ, com crianças de zero a três anos de idade durante o período de trinta dias. A referida creche é um espaço de natureza particular,atuando junto a sociedade civil e oferecendo seus serviços a crianças de 0 a 05 anos. A propriedade fica no bairro Fragoso,junto a natureza em uma grande casa arejada e equipada com os brinquedos usuais em creches como parquinho,sala de brinquedo e vídeo, quintal e jardim. Porém esse espaço escolar ainda encontra dificuldade em ofertar e até mesmo recortar o sentido da palavra “jogo’’ para os bebes e crianças da faixa etária a ser pesquisada.Pretendemos usar o grande salão de convívio social da creche para expor e oferecer o jogo ‘Tapete Faz de conta’ deixando-o com livre acesso para bebes e crianças durante o tempo que desejarem para melhor adaptação da criança ao brinquedo.
Dada a natureza múltiplado tapete entendemos que a coleta de dados deve acontecer por observação, entrevistas e também experimentos variados, por exemplocontar histórias conhecidas ou inventadas pelas crianças usando os recursos sensoriais do tapete (cenários possíveis).O uso de questionários para os educadores envolvidos também será importante para aferir a diferença efetuada no cotidiano do espaço escolar com a oferta do jogo e os possíveis entraves encontrados pelos mesmos para planejar de forma lúdica.
4RECURSOS 
Os recursos envolvidos na pesquisa