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PRODUÇÃO-TEXTUAL-ASPECTOS-METODOLÓGICOS

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de informações de um emissor a um 
receptor, a linguagem é vista como um lugar de interação humana. Por meio dela, 
o sujeito que fala pratica ações que não conseguiria levar a cabo, ao não ser 
falando; com ela o falante age sobre o ouvinte, constituindo compromissos e 
vínculos que não preexistiam à fala. (GERALDI, 2006, p. 41, Apud BATISTA W. 
2018) 
Por meio das palavras de Geraldi, pode-se compreender que a linguagem como 
forma de interação vai além do ato de ler e escrever. Essa envolve a interação entre atores 
comunicativos e contexto social ou cultural em que o locutor e interlocutor vivem. 
 As propostas de produção textual elaboradas pelo professor, quando assumem a 
concepção interacionista, permitem ao aluno saber qual papel ele deve exercer e de que 
 
 
 
 
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forma ele pode permitir a participação do receptor da mensagem ou leitor do seu 
texto. Dessa forma, os alunos têm consciência de perguntas essenciais para a escrita de 
um bom texto, tais como: Quem é o enunciador? (Aquele que escreve o texto); quem é o 
enunciatário? (Aquele que recebe a mensagem ou leitor do texto); qual é o propósito do 
texto e em qual gênero deve ser escrito? Quando essas perguntas são usadas nas 
construções de textos, os alunos se sentem mais seguros na sua elaboração e, ao mesmo 
tempo, as correções das produções se tornam mais claras, tanto para o professor quanto 
ao aluno. 
1.2 O que é produção de texto na escola? 
A produção de textos na escola, muitas vezes, é um tormento para muitos alunos e 
também para os professores. Um dos influenciadores da dificuldade dos alunos na criação 
de textos está relacionado com os temas propostos para os textos. Segundo Geraldi (2006), 
os alunos anualmente fazem redações com os mesmos temas e esses geralmente são 
baseados em datas comemorativas. 
 Essa repetição de propostas faz com que os alunos não gostem de produzir textos, 
por ser uma atividade exaustiva e repetitiva, além de escreverem textos com temas sem 
utilidade prática. Os textos produzidos na escola além de trazer dissabores para os alunos, 
também se tornam algo ruim para os professores, que se sentem frustrados ao avaliar 
textos mal redigidos e ver a falta de interesse dos alunos de melhorar nas produções 
textuais. 
Geraldi (2006) mostra que as produções de texto na escola são feitas voltadas para 
o professor que é, geralmente, o único leitor do texto. Com isso, os estudantes se sentem 
desmotivados e não demonstram empenho na escrita de algo que será somente lido por 
uma pessoa que, no caso, é o professor. O emprego da língua, na escola, então, foge de 
sua utilidade real que deveria contar com a participação e interação de vários atores no 
processo comunicativo e isso torna o emprego da língua artificial. 
É interessante que os alunos escrevam textos que possam ser compartilhados com 
outros alunos da escola e até mesmo para outras pessoas fora da escola. O professor 
precisa promover atividades com os textos redigidos pelos alunos para que, dessa forma, 
os estudantes se sintam motivados a produzir bons textos para que outros possam lê-los. 
 
 
 
 
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 Outra questão importante na produção de textos é a leitura. Quanto mais se lê, maior 
é a bagagem de conhecimento argumentativo na elaboração de um bom texto. A leitura é 
um fator importante para se produzir bons textos e esse é um problema que acomete o 
sistema escolar brasileiro. Um ditado popular brasileiro afirma que o “brasileiro não gosta 
de ler”. Não é que o brasileiro não goste de ler. A raiz do problema é que muitos brasileiros 
não têm um bom hábito de leitura. 
 
Fonte: casaarteria.com.br 
Essa falta de interesse pela leitura é refletida na escola desde o início das séries 
iniciais até o fim do ensino fundamental. Os discentes geralmente leem por “obrigação” 
livros que o professor considera importantes para a sua formação. A maioria dos 
professores seja conscientemente ou não, por algum motivo ou outro delimita o que os 
alunos precisam ler e não permitindo sugestões. Com isso, os alunos não possuem acesso 
a alguns tipos e gêneros textuais e desconhecem outros que fazem diferença na sua 
formação de bons leitores e escritores. 
As maiores dificuldades com relação a produções de textos pelos alunos se deve a 
falta de objetivos claros nas propostas e inadequações dos temas propostos. A produção 
de texto na escola muitas vezes possui aspecto limitado, no qual são privilegiados alguns 
tipos e gêneros textuais, resultando em desconhecimento e insegurança por parte dos 
 
 
 
 
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alunos ao se depararem com uma proposta de produção de texto. A produção textual é 
vista de maneira negativa pelos alunos, por ser na maioria das vezes, algo repetitivo e 
desgastante. Diante disso, o professor precisa se preocupar em variar temas e tipos 
textuais, além de definir objetivos claros em suas propostas de produção de textos. 
Com relação à correção e avaliação dos textos produzidos pelos alunos, 
compreende-se que o professor precisa se valer de diferentes critérios linguísticos claros, 
para que se possam identificar as dificuldades dos alunos e consequentemente pensar em 
estratégias de intervenção nessas dificuldades. Quando não há critérios de correção 
definidos, o professor seja de forma consciente ou inconsciente, fica desorientado, correndo 
o risco de não ter argumentos diante de questionamento de alunos e até mesmo de pais, 
com relação aos “erros de ortografia” e inadequações das propostas de textos. É 
importante que o professor encare a produção de textos de forma qualitativa, para que sua 
avaliação tenha por objetivo de ajudar ao aluno e não o reprovar. 
Contudo a produção de textos na escola é algo de grande preocupação, por que 
durante todo o tempo de escola, são feitas muitas produções de textos e ainda assim, 
muitas pessoas saem da escola inseguranças e incapazes de produzir bons textos. A 
competência de escrita de bons textos, de fato é, um aspecto importante e até mesmo 
decisivo no mercado de trabalho, por isso, desde cedo o trabalho com a produção de textos 
na escola seja ela pública ou particular, precisa desenvolver essa capacidade nos alunos, 
para que estes no futuro possam estar preparados e possam concorrer de forma justa com 
outros candidatos, na busca de uma colocação no mercado de trabalho. 
2 LEITURA E PRODUÇÃO TEXTUAL: O DESAFIO DE ENSINAR A LER E ESCREVER 
TEXTOS NA ESCOLA 
A leitura e a escrita são práticas sociais de valiosa importância para o 
desenvolvimento da cognição humana. Ambas proporcionam o desenvolvimento do 
intelecto e da imaginação, além de promoverem a aquisição de conhecimentos. Dessa 
maneira, quando lemos ocorrem diversas ligações no cérebro que nos permitem 
desenvolver o raciocínio. Além disso, com essa atividade, aguçamos nosso senso crítico 
por meio da capacidade de interpretação. Nesse sentido, vale lembrar que a “interpretação” 
dos textos é uma das chaves essenciais da leitura. Afinal, não basta ler ou decodificar os 
 
 
 
 
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códigos linguísticos, faz-se necessário compreender e interpretar essa leitura. Muitos são 
os benefícios que a leitura proporciona: desenvolvimento da imaginação, da criatividade, 
da comunicação, bem como o aumento do vocabulário, dos conhecimentos gerais e do 
senso crítico. Além desses benefícios, com a leitura exercitamos nosso cérebro, o que 
facilita a interpretação de textos de forma a promover competência e habilidade na escrita. 
Ao ler, o indivíduo adquire maior repertório, ampliando e expandindo seus horizontes 
cognitivos. Para além disso, estudos apontam que o ato de ler é muito prazeroso na medida 
em que reduz o estresse ao mesmo tempo que estimula reflexões. Por esse motivo, a leitura 
deve ser incentivada desde a Educação Infantil. Incentivar os filhos pequenos em casa e 
criar hábitos são condições importantes para que as crianças desenvolvam o gosto pela 
leitura. 
Partindo da concepção da língua

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