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Case Mount Everest - Português

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305-P01
 6 D E J A N E I R O D E 2 0 0 3 
 
 
Caso LACC # 305P01 é a versão traduzida para Português do caso # 303061 da HBS. Os casos da HBS são desenvolvidos somente como base para 
discussões em classe. Casos não devem servir como aprovação, fonte primária de dados ou informação, ou como ilustração de um gerenciamento 
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M I C H A E L A . R O B E R T O 
G I N A M . C A R I O G G I A 
Monte Everest – 1996 
 
Feitos incríveis e grandes tragédias ocorreram nas traiçoeiras encostas do Monte Everest na 
primavera de 1996. Noventa e oito homens e mulheres escalaram o cume com sucesso, mas, 
tristemente, 15 pessoas perderam suas vidas. Só em 10 de maio, 23 pessoas atingiram o topo, 
incluindo Rob Hall e Scott Fischer, dois dos alpinistas de grande altitude mais experientes do mundo. 
Infelizmente, Hall, Fischer e três outros morreram quando uma tempestade cobriu a montanha 
durante sua descida. Outros escaparam com vida depois de vagarem por horas na escuridão, 
enfrentando temperaturas abaixo de zero. Desde então, muitos tentaram entender o que aconteceu 
naquele dia. 
História do Everest 
O Monte Everest eleva-se a 8.850 metros acima do nível do mar, e sua face culminante separa o 
Nepal do Tibete.1 Enquanto trabalhava em Calcutá, na Índia, em 1852, Radhanath Sikhdar foi o 
primeiro a calcular que este pico da cadeia do Himalaia era mais alto que qualquer outra montanha 
do mundo. Muitos anos mais tarde, Sir Andrew Waugh, topógrafo geral britânico na Índia, 
renomeou a montanha com o nome de seu antecessor Sir George Everest.2 Não surpreende que os 
nativos residentes na região já tivessem um nome para o majestoso pico. O povo nepalês referia-se ao 
cume como Sagarmatha, que significa deusa do céu, e os tibetanos usavam o nome Chomolungma, 
que significa deusa do universo.3 
A primeira expedição propôs-se a escalar o Everest em 1922, mas a equipe britânica liderada por 
George Mallory não alcançou o cume. Em 1924 Mallory e seu parceiro na escalada desapareceram 
durante outra tentativa. Ao todo, 15 expedições tentaram alcançar o topo e 24 homens morreram 
antes que uma equipe tivesse sucesso.4 Em 29 de maio de 1953, Sir Edmund Hillary da Nova Zelândia 
e Tenzing Norgay do Nepal alcançaram o topo. Os dois homens tornaram-se lendas instantâneas pelo 
mundo afora. 
Logo em seguida, outros formaram expedições e tentaram escalar o Everest. No início dos anos 80, 
mais de 100 alpinistas haviam chegado ao topo, embora muitos outros tivessem morrido em seus 
malfadados esforços.5 Uma expedição de 1985 marcou uma grande virada na história das tentativas 
ao cume. O perito alpinista americano David Breashears conduziu um rico negociante Texano de 55 
anos, Dick Bass, até o topo da montanha. Logo, alpinistas menos experientes começaram a desejar 
escalar o Everest, e montanhistas de grande talento identificaram a oportunidade de lucrar ajudando 
For the exclusive use of T. Veronez, 2015.
This document is authorized for use only by Tarik Veronez in Analise da Decis?o 2015 - 2 sem-1 taught by Fernando de Almeida, Universidade de Sao Paulo (USP) from March 2015 to 
September 2015.
 Monte Everest - 1996 
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esses indivíduos a realizar seus sonhos. O número de expedições comerciais começou a aumentar 
dramaticamente.6 O número de ascensões bem sucedidas totalizava 846 pelo final de 1996, sendo que 
metade havia ocorrido nos últimos cinco anos.7 Estas notáveis realizações não vieram sem custo; 148 
pessoas pereceram no período.8 (Para maiores informações sobre a história do Everest, ver Anexos 1 e 2.) 
As Expedições de 1996 
Trinta expedições partiram para a escalada do Monte Everest em 1996.9 Hall e Fischer lideraram 
duas das maiores expedições comerciais. Um alpinista perito tipicamente organizava e liderava cada 
um desses empreendimentos com fins lucrativos. O líder de uma expedição comercial servia de guia 
para os indivíduos que desejassem obter auxílio para sua escalada. Cada cliente pagava uma taxa 
substancial para participar da expedição. Hall, por exemplo, cobrava US$ 65.000 por cliente, a taxa 
mais alta de qualquer guia do mundo. 
Muitos outros alpinistas de renome mundial tentaram escalar o Everest em 1996. Por exemplo, 
David Breashears e Ed Visturs lideraram uma expedição que produziu um filme IMAX sobre o 
Everest. Estes dois homens haviam atingido o topo em várias ocasiões e haviam escalado muitas das 
mais altas montanhas do mundo. Em contraste, algumas expedições exibiam uma alarmante falta de 
experiência em alpinismo de grande altitude. Em particular, muitas pessoas expressavam sua 
preocupação com a capacidade dos alpinistas taiwaneses, sul-africanos e noruegueses. Uma pessoa 
fez o seguinte comentário sobre o time taiwanês: “Preferia estar na montanha com o time de trenó da 
Jamaica.”10 Quando Hall começou a encontrar os membros de várias expedições, também expressou 
sua preocupação com algumas das outras equipes. “Com tanta gente incompetente na montanha, 
acho bem improvável que passemos por esta temporada sem que alguma coisa ruim aconteça lá em 
cima.”11 Entretanto, de acordo com um observador, “O Rob achava que não ia ser ele; ele só estava 
preocupado em ‘ter que tirar outra equipe do sufoco.’”12 
Adventure Consultants 
Em 1990, Hall e seu parceiro Gary Ball escalaram os Sete Cumes – os mais altos picos em cada um 
dos sete continentes do mundo – num período de sete meses. Isso incluiu uma ascensão bem 
sucedida do Everest – a primeira de Hall após duas tentativas fracassadas na década anterior. Os 
parceiros financiaram este empreendimento através de patrocínios empresariais. Então, em 1992, os 
dois homens fundaram a Adventure Consultants [Consultores em Aventura], uma empresa que 
visava gerar lucros organizando e liderando expedições guiadas aos mais altos picos do mundo.13 A 
empresa teve um sucesso rápido e considerável, mas infelizmente Ball morreu de um edema cerebral 
numa expedição de 1993. Hall continuou a administrar a firma após a morte de seu sócio, e pelo final 
de 1994 havia conduzido 39 clientes ao topo do Everest.14 
No início de 1995, Hall anunciava outra expedição para o Everest: “Sucesso de 100%! Peça nosso 
folheto colorido.”15 Entretanto, fracassou em conduzir qualquer cliente ao topo. Devido a neves 
profundas que retardaram a escalada do grupo, Hall fez todos voltarem logo antes do cume, 
acreditando que não o alcançariam a tempo de descer com segurança. Em 1996, Hall montou outra 
vez uma expedição ao Everest, ansioso por provar que o fracasso do ano anterior era devido à 
natureza e não a sua capacidade de guia. 
Hall contratou Mike Groom, um alpinista australiano de 33 anos, e Andy Harris, um neozelandês 
de 31, para servir como guias em sua expedição ao Everest de 1996.16 Groom tinha extensa experiência 
em alpinismo de grande altitude e havia escalado o Everest sem oxigênio suplementar. Harris nunca 
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Monte Everest - 1996 
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havia tentado subir o Everest, embora houvesse escalado um pico muito difícil de 6.683 metros no 
Himalaia. Além disso, havia guiado alpinistas nos Alpes Meridionais da Nova Zelândia.17 
Hall também empregava sete xerpas para auxiliá-lo. Xerpas são montanheses que vivem no 
Nepal, na região de Khumbu. Acostumados a viver e trabalhar em grandes altitudes,

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