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Case Mount Everest - Português

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os xerpas 
freqüentemente davam assistência àqueles que embarcavam em expedições para escalar o Himalaia. 
Muitos grupos contratavam xerpas para transportar material e mantimentos à montanha. Alguns 
xerpas escolhidos acompanhavam expedições até o cume, firmando cordas ao longo da rota dos 
alpinistas. Os xerpas gozavam das compensações e do status social que vinham com a participação 
nessas expedições, mas muitos perdiam a vida ao longo dos anos. Até 1996, 53 xerpas haviam 
morrido na montanha, mais de um terço de todas as baixas no Everest.18 
A Adventure Consultants recrutou oito clientes para juntar-se à expedição ao Everest de 1996. 
Nenhum dos clientes havia jamais completado uma subida bem sucedida ao Everest, assim como 
nenhum deles havia escalado qualquer outro pico acima de 8.000 metros. A seleção de Hall incluía 
três médicos que almejavam escalar o Everest: Beck Weathers, Stuart Hutchison e John Taske. 
Weathers, um patologista de Dallas, convenceu-se de que deveria tentar a escalada após ouvir a 
respeito da subida bem sucedida de Bass. Weathers explicou: 
Bass mostrou que o Everest estava no campo do possível para caras normais. Supondo que 
você esteja razoavelmente em forma em tenha alguma poupança, acho que o maior obstáculo é 
provavelmente tirar férias do trabalho e largar a família por dois meses.19 
Frank Fischbeck e Doug Hansen estavam voltando ao Everest após várias tentativas mal 
sucedidas de alcançar o topo. Fischbeck havia tentado escalar o Everest três vezes diferentes com 
outro guia comercial, chegando apenas a cem metros do topo em uma ocasião.20 Hansen, um membro 
da expedição de 1995 da Adventure Consultants, inicialmente expressou relutância em retornar ao 
Everest. Entretanto, Hall convenceu-o pessoalmente, oferecendo a Hansen um desconto na taxa da 
expedição. Hall sentia-se mal por não ter sido capaz de guiar Hansen ao topo em 1995. 
John Krakauer, jornalista da revista Outside, também se juntou à expedição através de um acerto 
especial com Hall. Nos últimos dois anos, Fischer havia tentado convencer Krakauer a juntar-se a 
uma de suas expedições ao Everest. Ele acreditava que um artigo de Krakauer daria grande 
publicidade a sua empresa em crescimento. Entretanto, as negociações entre Fischer e a revista 
Outside foram suspensas em janeiro de 1996, e Hall fez aos editores uma oferta mais atraente. Ele 
negociou espaço de anúncio na revista em troca do pagamento pela expedição de Krakauer. Ávido 
montanhista, Krakauer tinha pouca experiência em grande altitude. Antes de partir para o Nepal, ele 
garantiu à mulher que não iria muito mais alto que o Acampamento Base, localizado a 5.364 metros 
de altitude. 
Lou Kasischke e Yasuko Namba completavam a equipe da Adventures Consultants. 
Diferentemente de seus companheiros de equipe, estes dois clientes haviam escalado seis dos Sete 
Cumes; só lhes havia escapado o Everest. Namba também era a única mulher do grupo. (Para uma 
lista completa dos guias e clientes em ambas as expedições de Hall e Fischer, ver Anexo 3.) 
Mountain Madness 
Em 1984, Fischer fundou a Mountain Madness [Loucura pela Montanha], uma empresa que 
oferecia cursos de montanhismo e expedições guiadas. Ao longo dos anos, Fischer havia conseguido 
uma bela reputação por suas façanhas ousadas. Aqueles que o encontravam ficavam freqüentemente 
impressionados com sua ambição, sua personalidade carismática e seu desejo de ser respeitado por 
For the exclusive use of T. Veronez, 2015.
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September 2015.
 Monte Everest - 1996 
4 
seus colegas; seu assessor de imprensa observou: “O reconhecimento era importante para Scott. Ele 
ansiava por isso. Ele tinha um lado vulnerável que a maioria não via.”21 Em 1994, em sua quarta 
tentativa, Fischer atingiu o topo do Everest sem usar oxigênio suplementar.22 Fischer também escalou 
muitos outros picos de 8.000 metros na década de 90. Finalmente, em 1996, decidiu organizar uma 
expedição comercial ao Everest. Um assistente descreveu as motivações de Fischer para ser guia no 
Everest, “Acho que ele olhava o sucesso de Rob Hall e pensava...’Se ele pode, eu posso.’”23 Na partida 
de Fischer ao Nepal, um jornalista perguntou-lhe como sua família se sentia a respeito dos riscos de 
uma subida ao Everest. Fischer ofereceu a seguinte resposta: 
Eu acredito 100 por cento que eu volto...Minha mulher acredita 100 por cento que eu volto. 
Ela não se preocupa comigo quando sou guia porque vou fazer todas as escolhas certas. 
Quando acidentes acontecem, acho que é sempre falha humana. Então é isso que eu quero 
eliminar.24 
Fischer empregava dois guias para auxiliar clientes em sua expedição. Anatoli Boukreev era um 
perito montanhista de grande altitude e um experiente guia vindo da Rússia. Ele havia escalado sete 
das mais desafiadoras montanhas do mundo, incluindo o Everest, sem usar oxigênio suplementar. 
Faltava a Neil Beidleman, o outro guia da expedição da Mountain Madness, o prestígio e a 
experiência de Boukreev. Mesmo com sua vasta experiência, Boukreev reconhecia os perigos 
inerentes à escalada do Everest. Quando Fischer recrutou-o para juntar-se à expedição, Boukreev 
ofereceu o seguinte conselho: 
Não há margem para erros. Você precisa de tempo bom e muita sorte. Você precisa de guias 
qualificados, de alpinistas profissionais que conheçam grandes altitudes e montanhas. E 
clientes? Você precisa selecioná-los com cuidado; você precisa de gente que possa assumir as 
responsabilidades e os desafios da grande altitude. Isto não é o Monte Rainier. Escalar em 
grande altitude requer um conjunto diferente de regras. Você tem que gerar autoconfiança em 
seus alpinistas porque você não pode segurar as mãos deles o tempo todo.25 
Os clientes de Fischer incluíam Sandy Pittman, uma conhecida socialite de Nova York, que 
escrevia para as revistas Allure e Condé Nast Traveler. Fischer recrutou-a depois de falhar em 
convencer Krakauer a ser seu cliente. Pittman planejava enviar relatórios diários pela Internet para a 
NBC Interactive Media durante a escalada. Desde 1990 ela estava engajada numa campanha, 
divulgada mundialmente, para escalar os Sete Cumes. Pittman precisava subir o Everest para 
completar sua prova; ela havia fracassado em duas tentativas anteriores de alcançar o topo. Embora 
não lhe faltassem destreza e experiência, muitos alpinistas experimentados não a tinham em alta 
conta. Consideravam-na uma “diletante pretensiosa” e não gostavam “de seu jeito desavergonhado 
de correr atrás dos holofotes.”26 Um dos amigos de Fischer descreveu sua motivação para recrutar 
Pittman: “Scott via-a como uma pessoa importante, especial. Se ele levá-la ao topo, ôba!...Ela vai 
escrever sobre ele; vai falar dele; vai carregá-lo na onda de sorte que ela teve.”27 
Pete Schoening, uma lenda do montanhismo, também se juntou à equipe da Mountain Madness. 
Schoening havia-se tornado uma figura respeitada na comunidade dos montanhistas ao resgatar 
heroicamente seis companheiros durante uma expedição ao Himalaia em 1953. Agora com 68 anos, 
queria tornar-se o mais velho a alcançar o topo. Klev, sobrinho de Schoening, acompanhava-o na 
expedição. Klev, esquiador de encostas, não tinha muita experiência em grandes altitudes.28 
Dale Kruse, um grande amigo de Fischer da área de Seattle, forneceu o capital inicial para a 
expedição. A presença de Kruse criou um certo mal-estar no grupo, porque ele tinha um histórico de 
doença em grande altitude.29 Lene Gammelgaard, Martin Adams, Charlotte Fox e Tim Madsen 
completavam o grupo. Gammelgaard esperava tornar-se a primeira Escandinava a alcançar o topo. 
Adams, um operador de Wall Street, tinha certa experiência em alpinismo, embora não se tivesse 
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