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Case Mount Everest - Português

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2015.
This document is authorized for use only by Tarik Veronez in Analise da Decis?o 2015 - 2 sem-1 taught by Fernando de Almeida, Universidade de Sao Paulo (USP) from March 2015 to 
September 2015.
Monte Everest - 1996 
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aventurado acima de 7.400 metros. Fox já tinha dois picos de 8.000 metros em seu cartel e anos de 
experiência em alpinismo. Madsen, um patrulheiro de esqui, não tinha experiência em grande 
altitude, mas treinara intensivamente com Fox antes da Expedição ao Everest. 
Ao avaliar sua equipe, Fischer reconhecia que vários clientes não haviam passado muito tempo 
em grande altitude. Entretanto, ele não parecia preocupado. Perguntado a respeito, disse: 
A experiência é supervalorizada. Importante é a atitude, não a altitude...Temos toda a ficha 
do grande E, já instalamos toda a fiação nele. Hoje em dia, vai por mim, construímos uma 
estrada maravilhosa até o topo.30 
A Viagem ao Acampamento Base 
Em 31 de março de 1996, membros da expedição de Hall reuniram-se em Katmandu, no Nepal. 
Muitos alpinistas encontraram-se pela primeira vez no Nepal. Viajaram de helicóptero de Katmandu 
a Lukla, um vilarejo himalaio localizado a uma altitude de 2.804 metros.31 Dali, iniciaram a caminhada 
pela estrada até o Acampamento Base, andando aproximadamente três a quatro horas por dia. Os 
alpinistas comeram e dormiram em pousadas localizadas em vilarejos himalaios ao longo do 
caminho. O ar poluído e as condições anti-higiênicas nos vilarejos mostraram-se um problema; 
muitos alpinistas chegaram ao Acampamento Base com distúrbios respiratórios e digestivos. 
Krakauer pegou uma tosse persistente, enquanto Harris, Kasischke e Taske sofreram distúrbios 
intestinais.32 Beidleman também pegou uma tosse severa; alguns se perguntavam se sua condição 
física não inibiria sua capacidade de servir como guia durante a escalada.33 
Fischer lidou com uma série de problemas logísticos inesperados durante a jornada até o 
Acampamento Base. Primeiro, um problema na alfândega numa passagem da fronteira russa atrasou 
a entrega do suprimento de oxigênio da equipe da Rússia ao Nepal. A questão da alfândega não dizia 
respeito aos tubos de oxigênio, mas a um item que por acaso estava no mesmo caminhão, porém não 
relacionado à expedição ao Everest. Um problema com um vôo fretado prejudicou a entrega da 
barraca para grande altitude. No Nepal, o tempo ruim retardou a progressão dos iaques que 
carregavam suprimentos de Katmandu ao Acampamento Base. Em seguida, irrompeu um conflito 
com carregadores nepaleses, porque estes decidiram exigir um grande aumento de salário. Isto 
também impediu a entrega de oxigênio e outros suprimentos ao Acampamento Base. Todos estes 
problemas logísticos criaram um imenso peso sobre Fischer. Ele passou um tempo considerável 
resolvendo estas questões, em vez de planejar o curso de ação da equipe ou de se aclimatar 
adequadamente à maior altitude. Muitos notaram que ele parecia às vezes exausto durante os 
primeiros dias da expedição.34 
A equipe de Fischer chegou ao Acampamento Base em 8 de abril, e o grupo de Hall no dia 
seguinte. O Acampamento Base consistia em um grande agrupamento de barracas que forneciam 
abrigo a alpinistas de várias expedições. O complexo incluía uma enorme barraca-sede que os xerpas 
reabasteciam regularmente com comida fresca e bebidas dos vilarejos abaixo. Além disso, o 
Acampamento Base tinha duchas de campanha e uma barraca de comunicações que possibilitavam 
aos alpinistas manter contato com pessoas do mundo inteiro. Estas instalações tornaram-se a casa dos 
alpinistas pelas seis semanas seguintes. 
Assim que chegou ao Acampamento Base, Boukreev começou a tirar conclusões sobre a 
capacidade e a preparação de seus clientes. Ele mantinha reservas a respeito de alguns alpinistas: 
Eu estava preocupado com o nível geral de prontidão e capacidade da 
equipe...[particularmente] com as pessoas que não tinham nenhuma experiência de ataque a 
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grandes altitudes...Nossa prática no treinamento e desenvolvimento dos alpinistas era de 
firmar sua experiência e confiança por um longo período, começando com montanhas de 
menor nível e formando-os como “diplomados” em 8.000 metros quando estivessem 
preparados. Aqui, eu entendi, como havia sido o caso em outras expedições comerciais, eu 
havia sido contratado para preparar a montanha para as pessoas ao invés do contrário.35 
Krakauer também se sentia inquieto às vezes. Embora tivesse feito uma boa amizade com Hansen, 
ele não se sentia tão confortável com os outros. Krakauer lembrou suas preocupações: 
Eu não sabia ao certo o que pensar de meus companheiros. Em termos de perspectiva e 
experiência eles não eram nada parecidos com os alpinistas durões com quem eu costumava ir 
às montanhas. Mas eles pareciam caras legais, decentes...Em grande parte eu atribuía meu mal-
estar crescente ao fato de nunca ter feito uma escalada como membro de um grupo tão grande 
– nada menos que um grupo de completos desconhecidos.36 
Vários alpinistas preocupavam-se em saber se podiam confiar nos outros membros da equipe em 
tempos difíceis. Muitos também se preocupavam com o que os outros pensavam deles. Ficavam 
agitados com a possibilidade de não serem aceitos por seus companheiros de equipe. Boukreev disse 
que achara difícil desenvolver relacionamentos com outros alpinistas, em parte porque não falava 
inglês fluentemente. Krakauer também lamentava não ter laços fortes com seus companheiros: 
No alpinismo, confiar em seus parceiros não é um problema menor. As ações de um 
alpinista podem afetar o bem-estar da equipe inteira...Mas confiar no parceiro é um luxo 
negado àqueles que se inscrevem numa subida guiada.37 
Embora os clientes mantivessem dúvidas uns sobre os outros, permaneciam confiantes em suas 
própria capacidade. Krakauer lembrou o que sentira ao chegar ao Acampamento Base: 
Quando chegou a hora de cada um de nós avaliar sua própria capacidade e pesá-la contra 
os formidáveis desafios da montanha mais alta do mundo, parecia às vezes que metade da 
população no Acampamento Base sofria de ilusão patológica.38 
Aclimatação 
Em meados de abril, os alpinistas começaram a aclimatar-se às extenuantes atividades físicas em 
grandes altitudes. A rotina de aclimatação consistia de uma série de escaladas cada vez mais difíceis, 
com intervalos para repouso e recuperação. À medida que as expedições realizavam estas escaladas, 
elas estabeleciam acampamentos adicionais ao longo do caminho até o topo (ver Anexo 4 para um 
mapa da rota da escalada). As expedições subiam e desciam porções da rota durante a série de 
escaladas, descansando à noite nos acampamentos que haviam montado. De acordo com o plano, 
escalaram até algumas centenas de metros além do Acampamento III durante os exercícios. Quando 
os grupos completaram a rotina de aclimatação, voltaram ao Acampamento Base para descansar e 
preparar-se para o esforço final rumo ao topo. 
A maioria das expedições seguia um padrão similar nos exercícios de aclimatação. Sem isso, os 
alpinistas ficariam mais suscetíveis a doenças de altitude. Em particular, os alpinistas queriam evitar 
o edema pulmonar de grande altitude (HAPE), uma condição em que líquidos acumulam-se nos 
pulmões, e o edema cerebral de grande altitude (HACE), ou inchamento do cérebro. Ambas as 
doenças podem ser mortais a não ser que o alpinista desça rapidamente a uma altitude menor – feito 
difícil para alguém debilitado. 
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