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Case Mount Everest - Português

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de Sao Paulo (USP) from March 2015 to 
September 2015.
Monte Everest - 1996 
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Embora a aclimatação ajudasse a prevenir doenças, ela não preparava completamente os 
alpinistas para a escassez de oxigênio em grandes altitudes. Por isso, muitos alpinistas planejavam 
levar garrafas de oxigênio durante a subida final ao topo. Ao longo dos anos, 60 pessoas conseguiram 
escalar o Everest sem oxigênio suplementar, incluindo Groom, Boukreev e Fischer.39 Em 1996, 
entretanto, só Boukreev planejava subir sem ele. Isso preocupava vários alpinistas, que acreditavam 
que os guias devessem sempre usar oxigênio suplementar para garantir que teriam capacidade física 
e mental para dar assistência aos clientes.40 Mesmo com garrafas de oxigênio, subir até o topo do 
Everest permanecia um enorme desafio. Breashears descreve a sensação: “Escalar acima de 26.000 pés 
[7.800 metros], mesmo com garrafas de oxigênio, é como correr na esteira respirando por um 
canudo.”41 
A aclimatação começou com uma cansativa travessia pela Queda-de-Gelo de Kumbu, uma das 
áreas mais perigosas da montanha. A queda-de-gelo ficava onde uma geleira maciça emergia da 
parte baixa de um longo vale. Os movimentos da geleira criavam uma área traiçoeira cheia de fendas 
profundas e pedaços instáveis de gelo que se elevavam sobre a rota da escalada. Em muitas áreas, os 
alpinistas andavam sobre escadas estendidas horizontalmente através das fendas. Enquanto 
caminhavam por entre as torres de gelo, torciam para não cair numa fenda ou ser enterrados por uma 
avalanche. 
Ao realizar os exercícios de aclimatação cada vez mais exigentes, Krakauer começou a ter dúvidas 
sobre sua capacidade de alcançar o topo. Num certo ponto, expressou suas preocupações a Hall. O 
líder da expedição respondeu, “Já deu certo 39 vezes, companheiro, e alguns dos caras que chegaram 
lá em cima comigo eram quase tão patéticos como você.”42 Ao refletir mais tarde sobre esses 
momentos de dúvida pessoal, Krakauer lembrou que Hall “gabou-se em mais de uma ocasião de que 
conseguia colocar qualquer pessoa razoavelmente em forma no topo da montanha, e seu histórico 
parecia justificar o que dizia.”43 
Embora muitos alpinistas tivessem ido razoavelmente bem nos exercícios, alguns encontraram 
sérias dificuldades. Por exemplo, Hansen descobriu estágios iniciais de congelamento em vários 
dedos do pé. Sua laringe também congelou num dado momento.44 Chateado, Hansen descartou suas 
chances de alcançar o topo. Hall incentivou Hansen a não desistir. Pete Schoening também enfrentou 
obstáculos durante os exercícios de aclimatação; suas dificuldades respiratórias forçaram-no a usar 
garrafas de oxigênio ainda no Acampamento Base. Isso preocupava Fischer porque ele havia 
encomendado oxigênio apenas para uso em grandes altitudes. Ele não esperava que alguém 
precisasse dele durante os estágios iniciais da subida. 
Os problemas de Schoening continuaram durante o segundo exercício de aclimatação. Quando ele 
falhou em completar a escalada com sucesso, Fischer acompanhou-o de volta ao Acampamento Base. 
Mais tarde, quando o resto gozava um mais que necessário descanso, Fischer acompanhou Schoening 
numa segunda tentativa de alcançar o Acampamento II. Neste momento, Boukreev ficou preocupado 
com a condição física de Fischer: 
Scott parecia cansado...era minha impressão que ele estava esgotado pelos problemas 
logísticos com que estivera lidando, e porque havia descansado muito pouco, depois de sua 
última excursão de aclimatação.45 
Infelizmente, os problemas da equipe da Mountain Madness se intensificaram nos dias seguintes. 
Ao descerem do Acampamento II, Fischer e Schoening encontraram Ngawang Topche, um xerpa que 
parecia doente. Fischer instruíu-o a voltar ao Acampamento Base e procurar auxílio médico. Topche 
preferiu ignorar o conselho de Fischer e continuou a subir. Quando ele chegou ao Acampamento II, 
ficou claro que estava sofrendo de HAPE. Como o resgate por helicóptero era quase impossível numa 
tamanha altitude, Beidleman e Madsen carregaram Topche montanha abaixo enquanto lhe davam 
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grandes quantidades de oxigênio. No Acampamento Base, Topche não reagiu aos tratamentos usuais. 
Assim, Fischer conseguiu transporte para um hospital local, onde Topche morreu semanas depois.46 
Apesar desses desafios, as expedições completaram seus exercícios de aclimatação e voltaram ao 
Acampamento Base no final de abril. Lá ficaram uma semana antes de iniciar seu arranque para o 
topo. As expedições pretendiam efetuar sua investida ao topo durante o início de maio porque 
parecia ser a melhor oportunidade para boas condições de tempo no alto da montanha. Os guias 
reconheciam que só teriam uma pequena janela de oportunidade entre as fortes correntes de abril e a 
estação de monções mais tarde na primavera. Nos últimos cinco anos, esta programação havia 
funcionado de maneira notável; alpinistas haviam tido tempo bom no cume em cada temporada de 
escalada. Entretanto, Breashears lembrava-se de vezes em que alpinistas encontraram condições 
muito mais duras: 
Várias temporadas com tempo bom levaram as pessoas a considerar o Everest benevolente. 
Mas em meados da década de 80 – antes que muitos guias tivessem estado no Everest – houve 
três temporadas [de escalada] seguidas em que ninguém escalou a montanha por causa do 
vento feroz. O Everest pode ser um lugar onde as pessoas não conseguem enxergar ou andar, 
onde barracas são destroçadas, onde os melhores acessórios de alta tecnologia não podem 
salvá-lo.47 
A Investida ao Topo 
As expedições planejavam partir do Acampamento Base em 6 de maio para iniciar seu esforço 
rumo ao topo. Enquanto os alpinistas completavam suas preparações finais, Hall enfatizava que os 
clientes deviam seguir suas instruções durante a subida, ainda que isso significasse voltar antes de 
atingir o topo: 
Não vou tolerar dissensão lá em cima. Minha palavra é lei absoluta, inapelável. Se vocês 
não gostarem de uma decisão específica que eu fizer, eu ficarei feliz em discutir com vocês 
mais tarde, mas não enquanto estivermos em cima da montanha.48 
Krakauer entendia a razão para essas regras básicas estritas. Ele lembrou que pensara, “Por 
segurança, um guia responsável sempre vai insistir em ser o dono da bola – ele ou ela simplesmente 
não pode se dar ao luxo de deixar cada cliente tomar decisões importantes de modo independente.”49 
Hall explicou suas outras regras e procedimentos aos clientes. Os três guias (Hall, Harris e Groom) 
se distribuiriam pelos clientes durante a escalada. Cada um levaria rádios, embora seus clientes não. 
O plano de Hall previa que um dos guias escalaria à frente do grupo e outro serviria de “varredor”, 
dando assistência aos clientes na retaguarda. O terceiro guia escalaria no meio do grupo. Desse 
modo, nenhum cliente se encontraria longe de um guia ou rádio a qualquer tempo. 
Fischer planejava seguir a disciplina de escalada de Hall durante sua investida ao topo, e ele 
também trouxe somente poucos rádios. Quando Adams viu os rádios, ficou preocupado: 
Hoje em dia você tem esses ótimos radinhos que não pesam quase nada, e que cada um dos 
alpinistas deveria ter porque o custo [físico] de carregá-los é zero...Scott mostrou uns rádios 
velhos de 10 canais, e eu disse, “Esses são os rádios que nós vamos usar!” E ele respondeu, “É, 
só tenho isso.”Na minha opinião, os rádios eram uma piada. Foi um grande deslize dele ir até 
lá com esses modelos ultrapassados.50 
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